10 anos da Marvel nos cinemas – fase 2: filmes paralelos, o Universo Compartilhado

Você deve estar se perguntando: “Mas que porra é essa de filmes paralelos?” – Calma, cara pálida, a gente explica. Bom, como vocês viram aqui na semana passada, pra aquecer os tamborins pra estreia de Vingadores: Guerra Infinita, nós estamos fazendo uma série de especiais da Marvel nos cinemas.

E não dá pra falar da Casa das Ideias nos cinemas sem citar os “filmes paralelos”. O que a gente quer dizer com isso? São Aqueles filmes que são da Marvel mas não são da Marvel. Ou seja, que foram produzidos por outros estúdios que não a Marvel Studios.

Se você está um pouco por dentro desse rolê todo deve saber que A Marvel Studios e seus filmes são uma coisa, a 20th Century Fox é outra e a Sony é outro mais ainda. Senão a gente vai tentar te fazer entender como as coisas funcionam, pelo menos por hora e a gente explica isso também.

Glossário: UCM e UCM

Vossa senhoria já deve ter ouvido falar no UCM, né? Mas acontece que temos dois UCM’s e é praticamente impossível falar sobre um sem falar sobre o outro. Bom, aqui vamos abordar o Universo Compartilhado da Marvel, aquele que diz respeito aos filmes com personagens de propriedade da Marvel mas que estão sob os direitos de outras produtoras.

Já o Universo Cinematográfico da Marvel são os filmes que estão sob a batuta da Marvel Studios e da Disney e que fazem parte destes 10 anos, nele temos Homem de Ferro, Capitão América, Pantera Negra, Vingadores e muitos outros.

Agora que você já entendeu, que comece a história.

Década de 90: a derrocada e uma grande ideia

Bom, vamos lá, porque a história é longa e data lá dos anos 90, quando a Marvel estava à beira da falência (sim, até a Marvel já esteve no limbo) com as pessoas crescendo e perdendo o interesse pelos quadrinhos – a internet também tem “culpa” nesse cartório já que com ela muito das vendas da mídia impressa começaram a cair. Mas o cinema também teve sua parcela na história, neste caso boa.

Com a DC mais engajada há tempos nas telas grandes com aqueles filmes do Superman do Christopher Reeve de muitos anos antes e trocentos Batmans à tira-colo era chegada a hora da Casa das Ideias fazer alguma coisa – ainda que parecesse desesperada – pra não morrer mesmo tendo os heróis mais poderosos do planeta.

Foi então que Stan Lee, Homem de Ferro e Cia. tiveram a grande ideia de vender os direitos dos personagens para os estúdios de cinema. Perceba uma coisa: vender os direitos pros cinemas não significa que nas HQs eles não eram da Marvel. Ela continuava sendo dona da porra toda nos gibis.

Na época entraram na jogada a 20th Century Fox (parte do grupo Fox Entertainment, dona de uma porrada de canais), a Sony Pictures (que é da Columbia) e a New Line Cinema (da Time Warner, ela mesma), entre outros (mas vamos citar os mais relevante, né), e compraram direitos de alguns personagens.

A Fox ficou com nomes como X-Men e Quarteto Fantástico, já a Sony comprou os do Homem-Aranha, a New Line com Blade. Rolaram compras de outros personagens também, mas vamos ficar por enquanto só nos mais relevantes/importantes.

O sucesso começa com um herói inesperado

E se vossa senhoria acha que foi o Homem de Ferro, o Aranha ou o Capitão América que deram o start nesse sucesso no cinema, nanão! Tá, se você é mais novo a gente releva, mas não foram eles não. Quem começou a despontar como o fodão foi o lado b, de Blade.

O primeiro filme foi sucesso total! O Caçador de Vampiros foi estrelado por Wesley Snipes, até então um dos badass do cinema de ação, e saiu em 1998. Mas como né, tudo que é bom dura pouco, em 2002 e 2002 caíram Blade II e Blade: Trinity, dois beeemmmm duvidosos.

Mas o estrago já estava feito. O longa arrecadou mais de 130 milhões de Trumps, um sucesso absoluto tendo em vista que a produção custou 45 milhões. O herói foi a raiz da raiz da raiz do Universo Cinematográfico da Marvel que conhecemos e amamos hoje.

Chegou a hora dos Mutantes

Mas se a New Line estava colhendo os frutos do sucesso de Blade, a Fox que não é boba nem nada – e tinha adquirido os direitos de certos mutantes no início dos anos 90 -, resolveu dar a maior tacada até então de super-heróis nos cinemas. Eis que surgem os X-Men para não deixar pedra sobre pedra e levar os fãs de quadrinhos em peso aos cinemas.

Com um elenco estelar Hugh Jackman, Halle Berry, Ian McKellen e Patrick Stewart comandaram o primeiro filme que estreou em 2000. O longa arrecadou quase 300 milhões de dólares (com orçamento de 75 milhões) e é claro que não ficaria só ali.

Bryan Singer ainda dirigiria a sequência, X-Men 2 (2003), enquanto que Brett Retner se encarregou de X-Men: O Confronto Final (2006). A trilogia bastou para a Fox se encarregar de produzir novos filmes dos X-Men no futuro, mas isso falamos mais a diante.

Faltava o Cabeça de Teia

E se vocês pensavam que a Sony e a Columbia ficariam para trás neste novo nicho cinematográfico, se enganam. Em 2002 chegava às telas e já com muito hype Homem-Aranha. Peter Parker ganhava vida através do insosso Tobey Maguire enquanto o insano Duende Verde ficava com o ótimo Willem Dafoe.

Mais de 820 milhões de Trumps fizeram o estúdio produzir uma continuação dois anos depois. Homem-Aranha 2 teve como vilão o Dr. Octopus interpretado pelo excelente Alfred Molina. Pra fechar a trilogia em 2006 chega um novo filme e com três vilões.

James Franco interpretou Harry Osborn/Duende Verde, enquanto Thomas Haden Church deu vida ao Homem-Areia e Topher Grace foi o Venom mais sem graça da história. 89o milhões pra conta e é claro que a Sony não ia parar por aí. Conversa pra depois.

Cagaram no meu preferido

Nesse tempo todo eu me perguntava: “Tá, mas e o meu herói preferido, cadê?”. E para o meu azar a Universal resolveu cagar raios gama no pau e em 2003 – veja bem, no meio do sucesso de Homem-Aranha e X-Men -, lançou um filme horroroso do Hulk.

Um Gigante Esmeralda pra lá de borrachudo e que pulava mais que eu num pogobol chegou aos cinemas pra ser um verdadeiro fracasso. Com Eric Bana como protagonista e a bela Jennifer Connelly o longa não chegou nem do dobro do que custou.

Estrago feito, era hora de reinventarmos a roda e começar de novo. Em 2008 saiu O Incrível Hulk e aahhh esse sim. Edward Norton – um dos meus atores preferidos -, Liv Tyler, William Hurt e Tim Roth estrelaram o que sim, pode-se chamar de um filme do Hulk.

O longa foi o primeiro a amarrar as histórias para ser criado o Universo Cinematográfico da Marvel, já que numa cena pós-créditos o Tony Stark de Robert Downey Jr. (o Homem de Ferro estreara poucos meses antes) aparece para falar de uma certa equipe.

O Quarteto Nada Fantástico

Em 2005 a briga entre quem produzia os filmes de super-heróis mais legais já estava pra lá de quente e eis que a Fox me surge com uma furada daquelas de dar gosto. Estreava o filme do Quarteto Fantástico. E que filme merda que Chris Evans (ele mesmo, o Capitão América) e Jessica Alba fizeram, Jesus.

Se quatro já foi ruim, imagina cinco. Pra Fox não era bem assim e em 2007 chegava aos cinemas Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado. Óbvio que foi fracasso, né, e isso fez com que o estúdio engavetasse possíveis sequências. Mas como nem tudo são flores…

Em 2015 rolou um reebot (rebosta, acabei de inventar) que eu nem me dignei a terminar de assistir. Mais um fracasso e qualquer ideia de uma continuação – que estava sendo planejada para o ano passado -, foi queimada com uma ajudinha do Tocha Humana.

Wolverine enfim ganhava um filme pra chamar de seu

Depois dessas cagadas a Fox resolveu apostar no que deu certo, mas de uma maneira diferente. Criaram a alcunha “Origens” e ela começaria com ninguém menos do que o Wolverine e com Hugh Jackman de novo no papel, lógico. Ousem tirar ele pra ver o que acontece.

X-Men Origens: Wolverine estreou nos cinemas dando sobrevida aos mutantes, mas com um filme tosco e com um Deadpool mais tosco ainda, em 2009. O filme dividiu opiniões e isso bastou pro estúdio produzir uma continuação. Quatro anos depois, em 2013, The Wolverine levou o Carcaju para o Japão para enfrentar o Samurai de Prata (uma versão robótica-hypada-tecnológica-zoada).

Mas né, minha gente, tem que ser uma trilogia. Aí a Fox acertou a mão, mas assim, MUITO! Logan veio baseado na HQ Old Man Logan, com um Wolverine já mais velho, amargurado com a vida, cansado e mais fraco. Patrick Stewart deu vida a um Professor Xavier moribundo e fomos apresentados à gracinha da X-23 de Dafne Keen.

O filme foi um marco para todo mundo – inclusive eu – que acompanhou essa história toda desde Blade. Foi a despedida de um dos atores que mais se encaixaram no personagem, pelo menos na história dos filmes de super-heróis. Hugh Jackman dizia adeus ao Wolverine e vice-versa, para a tristeza em nossos corações.

Uma nova classe de X-Men

Se já tava rolando uma “origem” com o Wolv, então que tal uma nova história com os X-Men? Em 2011 saiu Primeira Classe, que trazia muitos outros elementos políticos com os mutantes inseridos neles e a origem de tudo que veio depois e o começo de um vai e vem entre passado e futuro nos filmes. Estava criado o arco dos X-Men nos cinemas.

Os excelentes Michael Fassbender (Magneto) e James McAvoy (Professor) comandavam os primeiros mutantes que iriam brigar entre si. Deste ainda surgiram X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (um dos melhores da sextologia, na minha opinião) e X-Men: Apocalipse, que se foi uma porcaria, serviu pra franquia se reinventar como dissemos em nossa crítica.

Tudo isso está ficando espetacular

O Homem-Aranha é muito bom pra gente deixar ele de fora dessa nova festa de super-heróis, não é mesmo? Mas quem vai vestir o manto dessa vez? Sem abordar suas origens, o aracnídeo surge novamente nas telas em O Espetacular Homem-Aranha, que saiu em 2012.

O longa é estrelado por Andrew Gardfield como Amigão da Vizinhança e Emma Stone como Gwen Stacy. O vilão duvidoso da vez é o Lagarto. Em 2014 a continuação foi lançada e se um vilão era pouco, dois foram bons. De novo o Duende Verde apareceu e também o Electro vivido por Jamie Foxx.

Opinião passível de discussão: pra mim esses filmes foram melhores que a trilogia original e Garfield é melhor Homem-Aranha que Maguire, talvez porque eu goste mais desse arco. Apego, sabe?

Lá vem o Mercenário Tagarela

Já ouviu falar na quarta barreira? Ela é rompida quando uma personagem resolve falar com os espectadores e bem, quem melhor pra fazer isso do que ele, o Mercenário Tagarela. Deadpool teve suas insanidades transferidas dos quadrinhos para as telas em 2016.

O filme trouxe um novo frescor para esse universo de super-heróis com violência, piadas infames, a tal quarta barreira, sexo e por aí vai. Ryan Reynolds estreou novamente no papel do anti-herói (foi dele o papel em X-Men Origens: Wolverine) e o longa se tornou um dos mais vistos da história do gênero.

Se com as porcarias a Fox já produziu continuações, imagina com um sucesso desses. No próximo dia 17 estreia Deadpool 2 e com seus trailers e pôsteres já deu o tom de que mais zoeira never ends vem por aí e como Cable de Josh Brolin (o Thanos de Vingadores) pra ajudar.

Ao que tudo indica, e que já foi falado na mídia internacional, o novo filme do Tagarela pode dar vida a um outro “braço” dessa relação gostosa entre 20th Century Fox e Marvel: X-Force, uma outra turma dos X-Men e que aparece em Deadpool 2.

Homem-Aranha, de novo!

Vocês já perceberam que a teia aqui é grande, né? Bom e quem tem mais filmes solo-paralelos nessa história toda é o Homem-Aranha. Por isso vai aqui ele de novo. Em Capitão América: Guerra Civil o herói ganhou nova vida pelas mãos de Tom Holland (agora sim o melhor Aranha de todos) entrando no Universo Cinematográfico da Marvel.

Fruto de um acordo entre Marvel Studios, Disney e Sony, o Cabeção de Teia foi introduzido na história por Tony Stark, que já sabia de seus poderes e o levou para o #TeamIronMan na batalha contra o #TeamCap. Mas o acordo rendeu mais.

No ano passado ele fez sua estreia solo no UCM em Homem-Aranha: De Volta Ao Lar. Pra ficar bem claro, a Sony ainda detém os direitos do personagem, mas os filmes agora terão a batuta da Marvel. Inclusive ele está confirmado em Vingadores: Guerra Infinita e informações dão conta de que Holland assinou contrato para cinco filmes do aracnídeo. Dois já foram, um está por vir e faltam dois.

O que vem por aí…

Bom, estamos quase chegando ao final dessa história toda, quase. Ainda tem muita água pra rolar e já que a Fox é (ainda) detentora de alguns personagens, teremos mais “filmes paralelos” vindo aí. Um deles saiu diretamente da última trilogia dos X-Men.

Trata-se de Fênix Negra, que também vai ganhar o seu Origem. Ela será interpretada novamente por Sophie Turner e chega aos cinemas em 2019, depois do adiamento da estreia. Outros que vão ver a luz serão os Novos Mutantes, o longa estreia em agosto do ano que vem depois de outro remanejamento de datas.

Outros dois filmes que podem surgir são do X-Force (que mencionamos ali em Deadpool) e Gambit, este que será estrelado por Channing Tatum, mas que anda meio emperrado no processo de produção. Ainda estão no radar da 20th Century Fox filmes da Kitty Pride (Lince Negra) e Surfista Prateado.

Mas e a Sony? Bom, somente com o Homem-Aranha nada mais justo do que continuar nesse universo e lançar um filme do Venom. Esse sim já está certo, filmado e até já ganhou seu primeiro trailer. Quem vai encabeçar o papel é Tom Hardy.

Já foi avisado que Venom será um filme mais pro estilo do terror, mas o que dá medo mesmo é a notícia de que o simbionte pouco aparece. Mas esperamos que isso seja só um joguinho da delicinha da Sony. Ah e Kevin Feige, chefão da Marvel Studios, já disse que o personagem não vai figurar no UCM.

Mas essa última parte pode cair

De acordo com o site Cinepop (com informações do Comic Genre) é possível que o filme da Fênix Negra seja o último da 20th Century Fox que tem a ver com a Marvel. O filme dos Novos Mutantes, que já está encaminhado, deve ser o primeiro a ser distribuído pela Disney, marcando o fim da parceria.

Sobre os outros longas, eles possivelmente terão influência da The Mouse House e da Marvel Studios em suas produções, mas nada disso foi confirmado oficialmente ainda. E por falar em Disney…

Ela vai dominar o mundo

Pelo menos ao que tange aos super-heróis da Marvel. A notícia que caiu como uma bomba em dezembro passado foi a compra da área de entretenimento da Fox pela Disney. Área de entretenimento = super-heróis. O acordo ainda não está em vigor por isso não é possível saber o que vem nesse pacote e como ele será desmembrado dentro do UCM.

Com a informação acima é bem possível que sim, o Mickey tome o controle dos vindouros filmes que já estavam na lista da 20th Century Fox para os próximos anos. De acordo com a mídia internacional seriam seis até 2021 e claro que até lá o acordo já estará firmado.

De certo é que com o acordo entre Marvel e Sony e agora a compra de parte da Fox pela Disney – que diga-se comprou a Marvel Studios por nada menos do que 4 bilhões faz tempo – é que cada vez menos teremos “filmes paralelos” dos heróis mais poderosos do planeta.

Será que um dia veremos na mesma tela Homem de Ferro, Hulk, Wolverine, Deadpool, Homem-Aranha e tantos outros heróis que estiveram nas telas de cinema nos últimos 20 anos?

Já tem alguém aí esperando por isso

 

Fotos: Divulgação/Internet

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