102 anos do Poetinha

Outubro é o mês de contemplar o aniversário de um dos maiores poetas da música popular brasileira.

O branco mais preto do Brasil: Vinicius de Moraes.

Há dois anos atrás, na comemoração do seu centenário, eu havia feito um texto para o blog Feminina e Compulsiva, em homenagem ao nosso mestre.

Aproveitando, vou compartilhar com vocês (sim, preguiçosamente, rs).

“Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça

É ela menina que vem e que passa

Num doce balanço, caminho do mar…”

(Vinícius de Moraes / Tom Jobim)

Garota de Ipanema é uma das músicas brasileiras mais conhecidas, tocadas e regravadas no mundo (até o astro da época, Frank Sinatra cantou os versos de Garota de Ipanema. E sim, ela é mais conhecida do que a música gravada por Michel Teló, Ai se eu te pego que estourou em 2011, que nem se compara à obra e vida de Vinícius). Hino da Bossa Nova, a música que completou 50 anos em 2012 é uma das maiores parcerias de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.

Frank Sinatra e Tom Jobim – Garota de Ipanema:

Marcus Vinícius da Cruz de Melo Morais, ou simplesmente, Vinícius de Moraes, foi o típico boêmio carioca. Autor de grandes canções, foi no colégio que ele começou sua trajetória compondo versos e poemas. Mas é tão difícil falar de um artista com um talento tão grande que nem sei por onde começar… Sua trajetória na história da música brasileira é tão vasta e tão concreta, que se eu fosse falar de tudo, esse texto viraria uma resenha.

Vinícius era um homem apaixonado pelas mulheres e um assíduo poeta, não é a toa que ganhou o apelido de Poetinha. Seus poemas viraram lindas canções e se eternizaram. Mas antes de se tornar famoso por elas, Vinícius lançou alguns livros (muitos de poesias), mas foi através da música que seu nome ficou conhecido mundialmente. Além de compositor, cantor, jornalista e diplomata, ele foi um grande teatrólogo (como exemplo, temos “Orfeu da Conceição”, peça premiada que é de sua autoria).

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Foi ele, juntamente com Tom Jobim e João Gilberto, um dos responsáveis pelo surgimento, invenção e explosão da Bossa Nova em 1959, que aconteceu graças ao disco de estreia “Chega de Saudade”, de João. Este apresentava composições da dupla (Vinícius e Tom), que se tornou uma das mais importantes da história da música brasileira.

Mas não foi apenas de Bossa Nova que viveu Vinícius. Ele compôs centenas de canções: sambas, afrosambas, froxtrot… Muitas, sozinho. Muitas outras em parcerias. Seus principais parceiros musicais foram:

Antônio Carlos Jobim (Tom Jobim), com quem Vinícius de Moraes foi além de parceiro, grande amigo. Os dois, juntos, foram responsáveis por dezenas de belas canções e sucessos como: Garota de IpanemaChega de SaudadeEu sei que vou te amarÁgua de Beber.

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Vinícius de Moraes, Tom Jobim e Miúcha – Água de Beber:

Com Baden Powell, compôs o lindo samba “Berimbau”. Com Carlos Lyra, a Marcha da quarta-feira de cinzas (eternizada na voz da musa da Bossa Nova, Nara Leão) e com Edu Lobo compôs Arrastão, canção vencedora do primeiro Festival da Musica Popular da Record. Seu último grande parceiro foi Toquinho, com quem fez os clássicos Carta ao Tom, Regra três e Tarde em Itapoã (uma de minhas preferidas).

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Vinícius de Moraes, Toquinho, Tom Jobim e Miúcha – Tarde em Itapuã:

Essas (entre várias outras) mudaram a história da música brasileira. E não tinha como não nos lembrarmos desse mestre que cantou a Mulher, o Amor, o Sorriso e a Flor, que levou nossa cultura musical, o nome do Brasil para outro patamar.

Meu amor e minha admiração ao mestre!

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E você, gosta de Vinícius de Moraes? Tem alguma música ou poesia favorita? Conta pra gente! =)

 

Ariane Arrabal é Produtora, formada em Rádio e TV e acredita fielmente que entende de música brasileira. Divertida, adora participar de boas conversas sobre universo brasiliano.

Confira outros textos da coluna Brasilidades Dissoantes neste link.

Fotos: Divulgação/Internet

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