Ainda que a história seja cliché, The Rain é uma boa série

Nos últimos tempos ando tendo a sensação de que estamos superestimando as coisas, em vários aspectos. É claro que na cultura pop isso também acontece e como “parte disso”, o sentimento é o mesmo. Quantas vezes não ouvimos “essa é a melhor série que eu já vi” ou então lemos pequenas resenhas delas nas redes sociais por aí? Algumas muito boas, inclusive.

Quando se tem um olhar um pouco mais crítico da coisa e obviamente um costume de consumir muito filmes, música e séries, por vezes temos a sensação de “já vi isso em algum lugar”. Com The Rain senti a mesma coisa, mas de novo, não é minha intenção neste site dar um tom crítico nas resenhas, apenas passar minhas impressões.

Sem essa de ser referência, dar veredito ou ser o dono da verdade. Quem vai assistir é você. Quem vai gostar ou não é você. No máximo a gente vai conversar sobre. Mas bom, isso é papo pra outro texto que sairá em breve por aqui e vamos ao que interessa de verdade.

The Rain tem um enredo bastante simples: um mundo pós-apocalíptico – força de expressão, já que apenas os países escandinavos são afetados, por hora -, onde a população sucumbiu devido há um vírus mortal espalhado por uma corporação sem escrúpulos (Apollon) com a intenção de ganhar muito dinheiro com a cura depois. Quem “sobrou” tem a missão de sobreviver e tentar consertar as coisas. Dá pra listar em quantos filmes e séries a gente já viu isso, né?

Bom, eu não sei vocês, mas esse clichezão todo aí muito me atrai por mais repetitivo que pareça. Algo que também me deixou muito esperançoso em gostar de The Rain foi a quantidade de episódios em sua primeira temporada: apenas oito.

“Em uma temporada tão curta, a série teria que ir direto ao ponto para prender o espectador e é isso que acontece”

Em uma temporada tão curta, a série teria que ir direto ao ponto para prender o espectador e é isso que acontece. Já no primeiro episódio ela se estrutura para seguir em frente com a história centrada em Simone (Alba August) e Rasmus (Lucas Lynggaard Tønnesen).

Com o tempo sendo adiantado em seis anos e a dupla vendo o mundo e conhecendo outras pessoas depois de finalmente sair do bunker histórias teriam que ser contadas e isso foi muito bem feito. Somente os pontos principais de como cada um dos personagens chegou naquele ponto foram abordados.

Rasmus é a figura central, ainda que a história se desenrole bem entre os outros personagens que têm os focos direcionados para si em diversos momentos. O garoto é portador do vírus, mas imune a ele por isso é tratado como a chave para a salvação da humanidade local.

Os irmãos conhecem um grupo e liderados por Martin (Mikkel Følsgaard) vão em busca da sobrevivência enfrentando perigos pelo caminho, como ficar longe da chuva e até conhecer uma seita (sim, aqui ela também dá as caras).

Também como todo enredo desse tipo são abordadas questões humanas como confiança, amizade, amor e morte. The Rain faz isso de maneira muito simples, sem pensar muito, sem tantas crises assim, ou seja, sem tornar tudo um dramalhão cansativo.

Se tem uma coisa que a primeira temporada de The Rain fez muito bem foi ser direta e reta, sem embromação, com foco no objetivo principal. Para muitos isso pode soar raso, pra mim foi justamente o prato cheio para uma maratona e gostar do que vi.

Outro atrativo é a paisagem, já que a série foi filmada na Dinamarca – fazendo parte de um plano do Netflix de produzir séries em diversos países diferentes com o auxilio de produtoras e elenco locais. Destaque também para a trilha sonora.

Além da quantidade de episódios, o tempo de cada um é bem enxuto, chegando à apenas meia-hora em alguns deles. The Rain é isso, longe de ser a “melhor série que eu já vi” tem a capacidade de cativar com personagens bacanas, história simples e não dar tempo para críticas e elucubrações mais profundas. É entretenimento, só isso.

Essa galera ainda tem muito o que fazer em The Rain

Fotos: Divulgação/Internet

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