Angra apresenta novo disco e celebra nova fase em Porto Alegre

Dois anos após sua passagem pela capital gaúcha com a turnê comemorativa dos 20 anos de “Holy Land”, a lenda do metal nacional, Angra, retornou ao Bar Opinião no último dia 04 (sábado), para apresentar seu nono disco de estúdio, “ØMNI”, lançado em fevereiro deste ano.

O álbum que já é considerado um dos melhores depois do saudoso “Temple of Shadows”, vem sendo muito bem recebido pelos fãs e pela crítica, motivo pelo qual a turnê de 2018 já conta com mais de 100 shows agendados pelo mundo todo.

Liderado pelo guitarrista e fundador Rafael Bittencourt (único membro original da banda), o Angra é hoje formado por Felipe Andreoli (baixo), Bruno Valverde (bateria), Marcelo Barbosa substituindo ninguém menos que Kiko Loureiro na guitarra, e o tenor Fabio Lione, se consolidando ainda mais como vocalista do grupo, e finalmente apagando de vez aquela imagem de “músico convidado”.

Apresentando um setlist repleto de clássicos alternados com músicas mais recentes, a banda mais uma vez entregou ao público gaúcho um excelente show, mostrando que mesmo depois de 27 anos de carreira e várias mudanças na formação, eles seguem com muita motivação, persistência, e principalmente, grande harmonia entre os integrantes.

Com quase 10 minutos de atraso, os fãs em geral começavam a chamar pelo grupo, e ficaram ainda mais eufóricos quando escutaram um rápido dedilhado de Andreoli, que estava se aquecendo com seu baixo.

O ”menino monstro” Bruno Valverde sobe então ao palco para se posicionar em sua bateria, seguido de Marcelo, Felipe e Rafael, que já chegam descendo a lenha com a intro de Newborn Me, faixa que abre o álbum “Secret Garden” (2015).

Na sequência Lione aparece descarregando muita energia com sua potente voz, sendo ovacionado pelo público emocionado, que deu um ótimo retorno à banda durante todo o show. Sem pausa para recuperar o fôlego, engatam com a primeira faixa do “ØMNI” a ser lançada como single, Travelers of Time, que apesar de nova, parecia ser uma velha conhecida dos fãs, já que estava na ponta da língua da maioria.

Com sua brasilidade que lembra os tempos de “Holy Land”, algumas pitadas de prog e uma ótima contribuição de Rafael no vocal, esta música agitou o público, e mostrou ter tudo para permanecer no setlist por muitas turnês.

Em seguida, para animação dos fãs mais antigos, o Angra volta ao passado com as clássicas Angels and Demons (“Temple of Shadows”) e Nothing to Say (“Holy Land”), ambas muito bem encaixadas na voz de Lione, que soube substituir com maestria os ex-vocalistas da banda.

Não digo que ele é melhor que Andre Matos e Edu Falaschi, pois cada um possui suas particularidades, mas graças à versatilidade e capacidade monstruosa dos vocais do italiano, sempre entrega um ótimo resultado ao interpretar canções de seus antecessores.

Voltando ao presente, a poderosa Insania impacta a todos com seu coral épico na introdução, acompanhado a plenos pulmões pelos fãs. Esta música ficou absurdamente incrível ao vivo, e para a grande maioria, é uma das melhores do “ØMNI”.

Com o tempo certamente se tornará outro clássico e também será muito solicitada durante as futuras turnês. Destaque para Andreoli com suas belas linhas de baixo, e Barbosa com seus riffs de guitarra carregados de técnica, harmonia e emoção.

Falando em guitarra, eu sempre fui muito fã do Kiko Loureiro, tanto no Angra quanto em sua carreira solo, mas Marcelo Barbosa está tão bem encaixado no grupo e interpreta com tanta excelência as músicas mais antigas, que torço muito para que esta formação permaneça assim como está.

Para surpresa dos fãs, Rafael anuncia Running Alone (“Rebirth”) e então assume o vocal para interpretar os corais do início da música. A apresentação ficou ainda mais incrível com a colaboração de Andreoli no backing vocal, que também se aventurou no microfone durante outras músicas no show.

Destaque também para os duetos de guitarras de Rafael e Marcelo, que em diversas partes faziam coreografias sincronizadas com seus instrumentos. Em seguida apresentam Caveman, que aborda de forma genial o mito da caverna de Platão, apresentando ainda trechos em português (olha o macaco na árvore!), e ritmos brasileiros que sacudiram até os fãs mais headbangers.

Lione agradece a todos pela presença em peso no Opinião, e aproveita para fazer uma chamada para o solo de Bruno Valverde, que mais uma vez mostra toda sua habilidade com as baquetas, arrancando muitos gritos da plateia. O rapaz que tem praticamente a idade do Angra, demonstra sempre muita firmeza e maturidade no que faz, ganhando cada vez mais o respeito e admiração dos fãs e de seus companheiros de estrada.

A banda engata com Upper Levels (“Secret Garden”) e na sequência a famosa e tão esperada Black Widow’s Web, faixa que chegou ao topo das paradas virais do Spotify Brasil, e que é considerada um dos pontos fortes de “ØMNI”, já que conta com participação inusitada das cantoras Sandy e Alissa White-Gluz (Arch Enemy).

Ao vivo, Rafael interpreta as partes suaves da filha de Xororó, e Lione surpreende a todos com um potente gutural nas partes de Alissa, deixando todos boquiabertos! Espero que nos próximos álbuns explorem mais este talento do mago, pois ao vivo ficou ótimo, e arrancou muitos aplausos da plateia.

Em seguida voltamos mais uma vez ao “Temple of Shadows”, agora com o power metal de Spread Your Fire, sucedida por Silence Inside (“ØMNI”), com suas variações instrumentais absurdamente belas e incríveis.

Brincando com o título da próxima canção, Rafael convida a todos para uma viagem ao fundo da alma, apresentando a balada Bottom Of My Soul, onde novamente nos brinda com sua voz. Sua evolução como vocalista é nítida e é sempre um verdadeiro presente vê-lo assumindo os microfones durante os shows.

Seguindo com o clima emocionante, a banda engata com a clássica Lisbon (“Fireworks”), que também se encaixou perfeitamente na voz de Lione, e foi cantada em uníssono pelos fãs. Encerrando a primeira parte do show, seguem com Magic Mirror, uma das minhas favoritas do “ØMNI”, justamente pela participação de Rafael nos vocais e pelo solo maravilhoso de Marcelo Barbosa. Se você ainda não escutou esta música, por favor, separe alguns minutos do seu dia para poder apreciá-la, pois vale muito a pena.

Durante o intervalo do Bis, Rafael volta sozinho ao palco para perguntar aos fãs o que acharam do novo disco, recebendo em troca inúmeros elogios da plateia. Agradece então a forte presença nas redes sociais durante todo o processo de gravação do “ØMNI” e dedica seu sucesso a todos ali presentes.

O guitarrista agradeceu também ao ex-integrantes pelo legado que deixaram, e por colocarem o Angra no lugar que está hoje, não deixando de mencionar os membros da atual formação, que foram chamados um a um no palco para serem aplaudidos pelo público.

Chegando ao final das apresentações, não poderiam deixar de tocar duas músicas emblemáticas do Angra: Rebirth e Nova Era, muito solicitadas pelos gritos da plateia durante todo o show. Sob muitos aplausos, o Angra se despediu ao som de Infinite Nothing, faixa instrumental que fecha com chave de ouro o “ØMNI”, em um clima emocionante, com aquela sensação de missão cumprida.

Foi uma oportunidade incrível poder presenciar esta ótima fase do quinteto e ver o sorriso no rosto de cada um dos membros, visivelmente satisfeitos com o trabalho que fizeram. O Angra obviamente não é o mesmo do passado, mas após tantos momentos críticos, a banda soube se reerguer e renovar com grandeza, sem perder a essência de suas músicas, reafirmando cada vez mais sua potência e soberania na cena do metal nacional e mundial.

Os fãs que perderam esta grande noite poderão conferir em breve uma gravação completa do show em 360º, graças à parceria da Ablaze Productions com Moosica360. Este foi o primeiro show de Metal no Brasil a ser gravado na íntegra em Realidade Virtual, e em breve será divulgado nas redes sociais da banda para todo o mundo.

Aproveito para parabenizar todo o time da Ablaze pela organização do evento, e por toda a atenção dada à imprensa durante o credenciamento.

 

 

Foto: Day Montenegro/Rock Noize

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