Após o Apocalipse, a franquia X-Men terá que se reconstruir

apoca_LaGdhfKHá 16 anos atrás X-Men: O Filme foi um dos pontos de partida para o universo dos super-heróis no cinema, mas como tudo tem um começo, meio e fim, chegou a hora de fechar um ciclo e, talvez, começar outro. Ainda que isto já tenha sido feito com uma nova trilogia dos mutantes.

Nada mais justo que, para tal, o último longa desta nova franquia se chame Apocalipse, ou seja, o fim. E a partir disso começar uma reconstrução.

Uma das coisas que sempre me atraiu em X-Men foi o fato deles nascerem humanos e desenvolverem seus poderes especiais. A carga que tudo isso traz funciona como na vida. Nascemos com talentos (poderes) que desconhecemos e descobrimos (ou não) ao longo do tempo. Isso pode ser motivo de sucesso na vida, preconceito e até derrotas.

Os questionamentos em torno disso desde o primeiro filme, somado ao que falei a cima, fazem com que, mesmo que os filmes não sejam lá essas coisas como as superproduções atuais, queridos.

Em X-Men: Apocalipse isso continua e o questionamento divino vem à tona. Será que passamos anos acreditando em um falso deus? Será que o mundo como conhecemos foi criado de outra forma? Será que os acontecimentos históricos desde os primórdios tiveram algo mais (nesse caso, os mutantes) do que o que conhecemos?

Às vezes arrastado, às vezes rápido demais, Apocalise narra tudo isso. O círculo em torno do principal vilão é muito mal explorado. Tempestade (Alexandra Shipp), Psylocke (Olivia Munn) e Anjo (Bem Hardy) são superficiais demais em meio a história e pouco fazem perto de sua importância original. Dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse apenas Magneto (Michael Fassbender) se salva.

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Inclusive, Erik é um caso à parte. Por mais vilão que seja, é daqueles que gostamos e, neste caso, até entendemos os motivos que o levam a ir para o lado do Apocalipse. Tomado de uma carga emocional tão intensa, no fim a gente torce por ele.

Pensando bem, dos cinco vilões só mesmo Magneto se salva, nem o “deus” Apocalipse (Oscar Isaac) consegue se superar. Mais egocêntrico que o normal, En Sabah Nur quer, não quer só o fim dos seres humanos, mas também dos mutantes que não considera poderosos. Tinha tudo para ser um personagem intenso, mas peca no caricato.

O ponto alto são os heróis. Xavier (James McAvoy) continua muito bem, A Jean Grey de Sophie Turner e o Ciclope de Tye Sheridan ganham destaque quando exigidos. Jennifer Lawrence aparece mais uma vez como Mística e ao que tudo indica é nela que vamos pensar como a personagem caso aconteça uma mudanças em um universo futuro dos mutantes. Algo muito legal é que todos são jovens, exceção da Mística, e se pegam nos dilemas e confusões adolescentes. Eles estão se descobrindo, descobrindo seus reais potenciais e poderes, coisa que todo mundo passa na vida.

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Mas, como em Dias de Um Futuro Esquecido, o grande destaque dos mutantes do bem ficou por conta do Mercúrio de Evan Peters. Mais uma vez fundamental, e dessa vez com muito mais relevância, ele é protagonista das melhores cenas de X-Men: Apocalipse.

Ao som de Sweet Dreams (Are Made of This) do Eurythimcs ele manda ver na melhor cena do longa, que certamente é uma das melhores de todos os seis filmes produzidos.

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Outra coisa que, confesso, não esperava, era a aparição de Hugh Jackman novamente como Wolverine. Me dei o direito de não assistir o último trailer e fui surpreendido com uma Arma-X que será letal em um futuro próximo, espera-se.

Ao final de X-Men: Apocalipse fica a pergunta: dá para continuar? Dá. Dá para o Universo dos mutantes se reconstruir com o que sobrou do mundo? Dá. Mas para isso, muitas pontas soltas terão que ser amarradas.

O encontro da primeira trilogia com a segunda foi realmente muito legal, mas muito foi perdido por isso. Talvez a solução seja começar algo novo, do zero, e ignorar o que passou. O que seria, ao mesmo tempo, um pecado. Mas é uma alternativa.

X-Men: Apocalipse não é ruim, pelo contrário, mas poderia ser muito mais bem trabalhado. Como entretenimento serve, mas se você quer algo mais profundo é melhor não encarar assim.

O longa fecha um ciclo. A destruição do mundo faz sentido e X-Men continua relevante por nos fazer refletir sobre o medo do diferente, sobre encarar uma mutação com receio de que aquilo é algo ruim.

Os super-heróis há tempos deixaram de ser coisa de criança e de muito tempo para cá abordam questões cada vez mais adultas, os sentimentos estão a flor da pele e as perguntas não podem ficar sem respostas.

Seres humanos estão cada vez mais mutantes e vice-versa. Por isso os cinemas ainda precisam de mais X-Mens no futuro. É hora da reconstrução. E ela pode começar com ninguém menos que…

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Se você ainda não assistiu X-Men: Apocalipse aproveite e confira o nosso especial (sem spoilers) pré-filme, com pôsteres, trailers e tudo mais, clicando aqui.

 

Foto: Divulgação/Internet

 

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