Black Sabbath se despede dos palcos onde tudo começou

6489329-sabbathNa noite deste sábado, 4 de fevereiro de 2017, tivemos a oportunidade de ver – pela internet e alguns sortudos, de corpo presente – a despedida dos palcos de uma das maiores bandas de metal da história, o Black Sabbath.

A gente poderia vir aqui mostrar pra vocês o setlist da apresentação e alguns vídeos que já estão pipocando na internet mundo afora. Sim, também vamos fazer isso, claro, a título de informação, mas a The End Tour significa muito mais do que apenas o encerramento de uma banda.

O Black Sabbath voltou para a casa e terminou onde tudo começou. Foi em Birmingham (Inglaterra) que Ozzy, Geezer, Tony e Bill (este que não esteve na turnê de despedida, mas é tão importante quanto) resolveram formar uma das maiores bandas de todos os tempos no fim dos anos 60. O grupo passou pelo que todos passam: mudanças de formação e sonoridade, além da escolha de um nome que dos definisse.

Foi em uma Inglaterra louca por Beatles e Rolling Stones e em uma América que cultivava Jim Morrison e seu The Doors, além de Jimi Hendrix e Janis Joplin, que o Black Sabbath surgiu paralelamente à outra banda que se tornaria referência para inúmeros estilos de rock, de música, o Led Zeppelin.

O que destacava o quarteto daquilo que estava nos top charts da época era um som pesado, denso com afinações fora do padrão “comercial, e letras que faziam pais suarem frio ao ouvirem os discos de seus filhos. Mexer com o oculto nesse nível em qualquer forma de arte (música, cinema, etc) ainda era um tabu na época e quem o fazia, fazia com muita descrição, nas entrelinhas.

Foi ali que começou toda essa temática que permeia tantos e tantos gêneros do metal desde então, de forma um tanto descarada, digamos assim. Havia névoa, garoa, era tudo cinza e tal qual sua cidade natal e seu país, assim era o Black Sabbath.

Décadas depois, muito provavelmente você conhece pelo menos basicamente, a história do Sabbath. Vieram clássicos como N.I.B, Paranoid, Iron Man, War Pigs e tantos outros que serão eternos, não importa quanto tempo passe.

Black Sabbath
Fairies Wear Boots
Under the Sun
After Forever
Into the Void
Snowblind
War Pigs
Behind the Wall of Sleep
N.I.B.
Hand of Doom
Jam instrumental (Rat Salad/Supernaut/Sabbath Bloody Sabbath/Megalomania)
Iron Man
Dirty Women
Children of the Grave
Paranoid

Ozzy saiu em carreira solo e, se não igualou o patamar do Black Sabbath, pode se orgulhar de ter feito um trabalho sólido com músicas do calibre de Bark At The Moon e Shot In The Dark. Além disso, ele sempre teve ao seu lado mestres da guitarra, neste caso Randy Rhoads e Zakk Wylde.

Tão impressionado com a carreira do Sabbath e de, graças ao destino, ter ganho “We Sold Your Soul For Rock N’ Roll” em algum momento que não lembro quando, tenho medo do que está por vir.

Esses dias ao conversar com um amigo, ficamos pensando: “Acabou o Led, o Sabbath vai acabar, um monte de outras bandas estão em vias dê… O que sobra?”. Tenho a petulância de afirmar que nenhuma das bandas formadas dos anos 90 pra cá vai durar tanto.

Ninguém está questionando a qualidade sonora dessas bandas (eu até gosto muito de várias delas) e sim sua importância, relevância e durabilidade. Eu não sei se na época de Black Sabbath e Led Zeppelin havia um espírito mais rock and roll, aquela coisa de “vamos lá, vamos gravar, vamos tocar em pubs porcos até conseguir que uma gravadora qualquer lance nosso disco. É rock and roll, porra!”

Os problemas são sempre os mesmos: formação, temática, gravações, divergências de sonoridade, etc., e vão existir eternamente, afinal são pessoas. O lance é que a fleuma de ser rock and roll se esvai muito rápido nos dias de hoje e os egos são muito maiores do que qualquer coisa.

Enfim… O Black Sabbath se despediu dos palcos, talvez não dos estúdios e talvez sim, também. Fato é que por todos os motivos aqui expostos é que vamos continuar ouvindo seus discos, suas músicas clássicas, noticiando suas vidas e por aí vai.

Se não fosse por Ozzy, Geezer, Tony e Bill, nada do que a gente ouve dentro do rock hoje existiria. Simples assim e fim. De décadas para cá o Black Sabbath já não precisaria inovar em seus discos, afinal fez o que ninguém fez na sua época.

Quando foi pra tocar o que ninguém tocava, do jeito que ninguém tocava, falar o que ninguém falava abertamente, o quarteto foi lá e fez.

Agora podem ir lá, brincar com seus netos, ficar com seus filhos, tomar um pint em um pub qualquer e quando e se tiverem vontade, nos brindem com alguma música. Valeu, Black Sabbath!

 

Foto: Divulgação/Internet

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