Califórnia Brasileira não é só um registro do hardcore em Santos, é do rock no Brasil

cali13529130_285952528461927_3625532013445353722_nJá deve ter acontecido com vocês… Quando assistem um filme, escutam uma música e por aí vai e ficam pensando “nossa, que época maneira, gostaria de ter vivido isso”. Pois é, foi a impressão que tive ao assistir o documentário Califórnia Brasileira – O Hardcore Punk em Santos 1991 – 1999.

Com direção de Wladimyr Cruz e Rodiney Assunção o documentário narra através dos personagens que viveram a cena e a época a história dos estilos citados no título na cidade praiana durante a década de 90. Além dos diretores, também falam Alexandre Cruz do Garage Fuzz, Matheus Krempel do The Bombers e muitos outros.

Não vivi essa cena e gostava muito pouco de hardcore e punk na época, mas me pego pensando que essa foi uma das nossas últimas cenas mesmo, daquelas atuantes e influentes. Depois disso o que veio? O emo? Tsc tsc tsc… O resto é modismo passageiro.

Califórnia Brasileira mostra toda a transformação de Santos na alcunha dada por que era de fora na capital do hardcore punk nacional e também internacional, já que por lá passagem nomes como Fugazi e NOFX. Mas o filme não se restringe aos dois estilos e mostra um pouco da vertente metal que florecia em meio a tudo isso.

Os relatos são muito bem encaixados dando uma sequência bacana e não cansativa dos fatos que rolaram na cidade, desde as gravações de fitas demo, o nascimento dos fanzines (procura no Google), passando pelos shows e crescimentos de bandas como as icônicas BlindSafari Hamburguers, algo de política, estacionando na clássica loja  Sound of Fish com depoimentos do queridíssimo Fera.

Há alguns anos, dois eu acho, tive a oportunidade de estar com algumas pessoas do filme papeando em um fim de semana em Santos. Matheus, Fera, Tim (Jerseys), Rodiney e talvez alguns mais que não me lembro, e assistindo ao doc. me pego pensando que oportunidade de linda eu tive.

Com certeza falamos sobre música, eles relembraram os velhos tempos retratados em Califórnia Brasileira e eu fiquei boiando, e muitas coisas mais, mas o que tiro de tudo isso foi realmente pode estar do lado de gente que, querendo ou não, exerceu alguma influência positiva – e exerce ainda mais -, sobre mim.

Esses caras, essa época, a cidade, os lugares, tudo isso é parte de uma história maravilhosamente contada na voz de quem esteve lá e tem absoluta propriedade para falar. Por isso não me arrisco muito aqui, é você que tem que dar o play e assistir.

Mais uma vez Wladimyr e Rodiney dão uma aula, não apenas de condução de um projeto, mas de como fazer um registro atemporal de um movimento que ficou guardado nas gavetas do tempo, um tempo onde era tudo tão mais difícil do que hoje, mas tão mais gostoso.

O doc. passa a sensação de que não reflete apenas aquele cenário, mas todo um contexto que aconteceu com diversos estilos de rock pelo Brasil inteiro. A gente vê nascer, viver e continuar vivendo pelas mãos de quem fez e no legado de quem acaba tomando conhecimento dessa passagem.

Como disse o Alexandre, a gente tem que gostar, curtir e fazer enquanto estamos vivendo aquilo, afinal, qualquer coisa que fizermos vai afetar alguém.

 

 

Foto: Divulgação

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