A Catarse de Max e Iggor Cavalera tocando “Roots” em São Paulo

Cavalera-Conspiracy-2015-por-divulgacaoA noite da última sexta-feira, 16, foi um retorno aos anos 90 para os fãs do metal. Para fechar com chave de ouro os shows no Brasil a dupla Max e Iggor Cavaleira trouxe à capital paulista a turnê do aclamado “Roots”, 20 anos depois de seu lançamento.

Os irmãos subiram ao palco lá pelas 23h acompanhados dos extremamente competentes Marc Rizzo (guitarrista) e Tony Campos (baixista), já velhos conhecidos de todos, afinal tocam no Soulfly e no Cavalera Conspiracy.

O quarteto abriu o show com a clássica Roots Bloody Roots, faixa de abertura do disco supracitado e a pista do Tropical Butantã, que estava tomada e ansiosa pela apresentação, pulou e cantou sem parar um minuto durante a execução dela.

O que se viu foi verdadeiramente um show, tanto do grupo quanto do público. A empolgação de ambos era visível e Max se mostrou muito feliz com o que estava acontecendo. O vocalista e guitarrista sobrou no palco. Interagia a todo momento com a plateia, pedia gritos, urrava e mostrou que está hoje muito melhor que outrora.

Iggor, obviamente, continua o excelente baterista de sempre e não perde a pegada por um minuto sequer. Além de também interagir bastante com a galera, mandou ver nos batuques que consagraram o Sepultura em “Roots”.

Tony Campos e Marc Rizzo formam uma dupla de coadjuvantes de dar inveja à qualquer banda que se prese. Coadjuvantes no melhor sentido da palavra, já que ambos assumem o protagonismo em diversos momentos, principalmente o guitarrista com seus solos rápidos e certeiros e a animação costumeira.

Em uma música e outra os irmãos Cavalera investiram em batucadas que lembravam a integração do metal com as músicas afro-brasileiras do álbum, tocado de cabo a rabo e muito bem executado.

Levar os fãs de volta ao passado, ainda que muitos deles questionaram o trabalho na época, foi um momento único na história de todos. O grupo também investiu em covers, como Ace of Spades, clássico do Motörhead, e músicas pedidas pela plateia.

Ainda que até hoje alguns de nós preferimos outros discos da era Max Cavalera no Sepultura, é impossível ficar indiferente à comoção e aura em torno de “Roots” e o que ele fez para a história do metal brasileiro como um dos discos mais conhecidos do estilo lá fora.

Max e Iggor fazem a gente pensar que o metal lá dos anos 80 e 90 ainda está vivo, sem maquiagem ou roupagem da década atual, sem ser limpinho e bonito. Guitarras pesadas, bumbo duplo e gutural de verdade, misturados à atitude metaleira cada vez mais rara hoje, quando soa cada vez mais forçada, fizeram de Return To Roots uma turnê histórica, igualmente o show visto no Tropical Butantã.

O gênero está seguro enquanto tudo isso viver na pele dos Cavalera, seja com o Soulfly ou com o Conspiracy, e também enquanto não surgir alguém capaz de reivindicar o posto.

 

Foto: Divulgação/Internet

 

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