Cazuzando: O Poeta Não Morreu!

ca“Quando pintou o Barão, eu tinha tudo para não dar certo.

Nunca fui cantor; eu gostava de compor! ”

Cazuza*

Hoje em dia, reciclar não é mais questão de moda, é uma coisa que todos devemos fazer para o bem do nosso planeta e futuro. E reciclar textos antigos, pode? Bem, se for para novas e mais pessoas verem, se informar e conhecer assuntos e situações desconhecidas, acho que sim né?

Para todos os fãs, admiradores e apreciadores da boa música e do bom Rock and Roll nacional, hoje vou falar de um dos meus maiores ídolos, Cazuza <3, que se estivesse vivo, completaria hoje 58 anos. Então, vamos comemorar seu aniversário em grande estilo, com uma matéria pra lá de especial!

Como artista Cazuza expôs em suas canções o seu lado mais sensível. O cantor, que morreu dia 7 de julho de 1990, passou por várias fases na vida e na música. Cantou Rock and Roll e Bossa Nova, fez releituras de músicas como “Luz negra”, de Nelson Cavaquinho e “O mundo é um moinho”, de Cartola, mas foi compondo que ele se destacou.

Suas composições ficaram para a história da música popular brasileira. Suas letras amavam de verdade, gritavam liberdade e falavam de novidades. Cazuza era intenso na vida e na arte. Em nove anos de carreira, gravou 11 discos (dois ao vivo e um álbum duplo), ganhou prêmios como os de melhor letrista, melhor compositor e melhor música. Mas, além dos sucessos como “Exagerado”, ”Bete Balanço” e “Ideologia”, ele deixou um legado de composições, algumas não tão conhecidas, mas não menos bonitas.

Em cada um de seus discos gravados, Caju (como era chamado pelos amigos íntimos) mostrou as fases que vivia, as fases vividas pelos jovens e pelo país. Com o grupo de rock Barão Vermelho, Cazuza foi rebelde, bebeu do “rock and geral” e dançou na efervescência das novidades. Foi no Barão que Cazuza conheceu aquele que seria um dos seus melhores amigos e maior parceiro musical, Roberto Frejat, com quem divide, junto com George Israel, a música “Amor, amor”, feita sob encomenda para o filme Bete Balanço, de 1984.

(Maurício Barros, Cazuza, Frejat, Guto Goffi e Dé Palmeira)
(Maurício Barros, Cazuza, Frejat, Guto Goffi e Dé Palmeira)

Mas como nem tudo na vida são “Milagres”, Cazuza não se sentia muito à vontade com o Barão Vermelho. Ele estava cansado de viver somente de rock. O menino do Rio que cresceu ouvindo Dolores Duran, Lupicínio Rodrigues, Roberto Carlos e Cartola, queria desbravar novos caminhos, mundos, músicas…. Queria cantar bossa, queria algo mais. E assim outros parceiros surgiram, como Rogério Meanda, com quem divide a autoria de “Medieval II”, que faz parte do seu primeiro disco-solo, Exagerado. Mas os antigos parceiros continuavam na ativa junto a Cazuza. “Ritual”, música do disco Só se for a dois, foi a retomada dos amigos Frejat e Cazuza, que haviam brigado após sua saída do Barão.

Sozinho, Cazuza compôs a música “O assassinato da flor”. A letra mostra toda a sensibilidade do poeta que já sentia na pele os efeitos do vírus HIV.

No álbum duplo, Burguesia, último que lançou em vida, o cantor agradeceu, sofreu, criticou, foi pra “Manhatã” e falou de como era ser filho único. Em apenas uma única música, fala de paz, de sonhos e de um amor diferente entre “Dois homens apaixonados”. Foi a partir de uma conversa entre dois homens apaixonados pela música que nasceu a letra “Hei, Rei! ”, do álbum póstumo Por aí. Esses homens eram Cazuza e Roberto Carlos. Os versos da música nasceram depois do encontro entre os dois. “Ao cumprimentá-lo, disse assim: ‘E aí, meu Rei?’. Roberto retrucou: ‘E aí, meu Barão? ’. Argumentei que há muito não fazia parte do Barão Vermelho. Mas Roberto foi rápido no gatilho e saiu-se com essa: ‘Para mim, você vai ser eternamente o meu Barão’. Frejat musicou essa, que seria sua última parceria com Cazuza, que deixou 126 canções gravadas, 78 inéditas, escritos e poemas que estão presentes no livro Cazuza – Preciso dizer que te amo – Todas as letras do poeta.

Mas, quase vinte e seis anos depois de sua morte, suas músicas continuam mais atuais do que nunca! Vários artistas da MPB dão novas versões para seus sucessos, como “Codinome beija-flor”, regravado por mais de 20 intérpretes diferentes, entre eles Luiz Melodia e Cauby Peixoto.

(Luiz Melodia e Cazuza)
(Luiz Melodia e Cazuza)

Em sua bagagem, Cazuza leva mais de 200 composições escritas, 34 delas feitas para outros intérpretes. “A cada dia que passa, eu estou me sentindo mais compositor. Fiz uma música para Ângela, e ela gravou. É engraçado isso… Acho que meu trabalho atingiu dos oito aos oitenta. Agora me considero um compositor profissional. É o que me dá prazer, muito mais até do que fazer shows”. A Ângela que Cazuza se refere é a Ângela Maria, e a música é “Tapas na cara”, uma rumba composta em 1987.

Em 1988, Cazuza compôs “Malandragem”, sucesso na voz de Cássia Eller e que teve peso fundamental para impulsionar a carreira da cantora carioca e fã do ex-Barão.

Mas essa música foi feita para um ídolo da sua adolescência, Ângela Ro Ro, que guardou a música durante anos, mas não chegou a gravá-la (essa, por sinal, já foi tema de uma matéria aqui no site. Alguns anos antes, em 1975, Cazuza compôs “Poema”, interpretada por Ney Matogrosso em 1998. Esta música foi feita para sua avó materna, Maria. A curiosidade é que ele tinha apenas 17 anos quando a compôs.

Cazuza também teve muitos parceiros: os mais assíduos eram Frejat, Dé e Bebel Gilberto. Com estes dois últimos, Cazuza assinou “Mais feliz”, que teve gravação original da própria Bebel, regravada por Leila Pinheiro e Adriana Calcanhotto.

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(Cazuza, Bebel Gilberto e Dé Palmeira)

Hoje esse poeta continua vivo em suas músicas e nos impulsiona a pensar e decifrar suas letras, que no fundo da gritaria do rock, são lindos poemas.

“Espero que, no fundo, não se esqueçam do poeta que sou.

Que as pessoas não se esqueçam de que, mesmo num mundo eletrônico, o amor existe.

Existem o romance e a poesia.

Que mais crianças venham a nascer e é fundamental o amor ao país. ”

Cazuza*

Depois de tantas músicas citadas no texto, acho que você já tem uma bela playlist para essa semana. Mas, ficou na dúvida? Então deixo aqui dois vídeos. Um com Cazuza cantando “Amor, amor” e outro com a versão de “Tapas na cara” com Ângela Maria.  Então, aperte o play e seja feliz

Beijos de Luz

Ariane

* Frases retiradas dos livros “Cazuza – Só as mães são felizes” e “Cazuza – Preciso dizer que te amo, todas as letras do poeta”.

Fotos: Divulgação/Internet

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