Charles Manson: família, assassinatos e cultura pop

charles-manson-book-mugshot-4ecb745d-030c-446a-b5c1-04d14f519508Os assassinos em série estão amplamente ligados à cultura pop, seja pela veracidade de seus crimes reais ou por levarem pessoas aos montes para as salas de cinemas ou serviços de streaming.

Mas possivelmente nenhum deles tenha sua história indo tão de encontro a ícones da música e da Sétima Arte como Charles Milles Manson. Não que ele tenha efetivamente sido um serial killer, mas sua vida se encaminhava para isso.

Charles Manson sempre teve uma vida ligada à cultura pop muito por seu desejo e por vezes comportamento, de ser um rockstar. Nunca conseguiu, é verdade, mas seu nome esteve por aí nas últimas décadas sendo objeto de inúmeras biografias, temas de músicas, filmes e documentários.

É inegável o fascínio que assassinos em massa causam. Suas mórbidas histórias de vida e morte os fazem ganhar as manchetes muito mais do que gostaríamos. História, é para ela que Charles Manson já entrou.

Tudo começa na infância

“Podemos definir “personalidade” como “a organização integral e dinâmica do contexto formado pelos atributos físicos, mentais e morais do indivíduo… As relações devem suprir todas as necessidades físicas e psicológicas da criança. A não satisfação das mesmas pode causar sérios prejuízos à formação da personalidade”, diz o livro “A Arte de Viver” de Ramiro Sápiras.

“A não satisfação das relações pode causar sérios prejuízos à formação da personalidade”

É nesse aspecto que a história de Charles Manson tem início. Uma infância difícil, um péssimo relacionamento com a família – desestruturada -, e a convivência com pessoas erradas são a fórmula para o “sucesso” de um assassino.

Não se sabe ao certo onde ela começa, mas segundo Jeff Guinn, autor de Manson, aos 5 anos o pequeno Charles viu sua mãe e seu tio serem presos por roubarem ketchup em um posto de gasolina.

Manson não teve referência de pai, do “homem da família” e sua mãe, Kathlee Maddox o teve aos 15 anos, ou seja, muito jovem para poder educar uma criança. A história conta que Manson começou a frequentar reformatórios antes de seus 10 anos de idade, no auge de sua formação como pessoa.

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Foi nelas que o pequeno Charles tomou para si as referências de homens jovens – e possivelmente até adultos -, de como não ser. Ao invés de aprender a como consertar carros, jogar baseball ou sobre sexualidade – da forma correta, diga-se -, o que ele aprendeu foi a como “roubar, matar e destruir”, citando a passagem de João 10:10.

Partes históricas em livros e periódicos dizem que ladrões, estupradores e até cafetões foram os padrinhos que “libertaram” Charles de todos os princípios morais e éticos da sociedade.

Efeito dominó

Podemos pensar que Charles Manson se tornou o que conhecemos hoje devido aos parágrafos acima, mas sua epopeia de morte e destruição começa muito antes, com a supracitada Kathleen.

A história da jovem Maddox tem início com uma realidade muito típica e próxima de nós. Quando a religiosa Nancy perde o marido se vê obrigada a cuidar de seu casal de filhos sozinha e quase que instantaneamente perde o controle da educação de suas crias.

Kathleen, perturbada e perdida em sua vida disforme dentro de uma sociedade norte-americana tradicional, descobre os “prazeres da vida”. Ali começa a penumbra do sexo, drogas e rock and roll buscada por seu primogênito anos depois.

Sem eira nem beira, a pré-adolescente que só é vista em fotos em preto e branco, se envolve com um rapaz e como num roteiro previsível engravida aos 15 anos. O primeiro dominó havia caído.

Juventude Transviada

Se a história tivesse seguido como o filme de 1955 estrelado por James Dean ela não seria tão trágica.

A precoce prisão de sua mãe levou Manson a morar com outros parentes. Mas o estrago já estava feito. A tia não aguentou, a avó tão pouco. Sua adolescência revezava entre passagens escolares e reformatórios. Delas para uma prisão comum, foi apenas um bater nas portas.

Roubos, furtos e agressões ainda eram pouco para a mente perturbada de Chales Milles Manson. Faltava-lhe algo para alcançar o tão sonhado estrelado e não ser só mais um condenado às margens da sociedade.

Faltava-lhe discurso, poder de persuasão.

Como fazer amigos e influenciar pessoas

O subtítulo acima é o título de um conhecido livro do autor norte-americano Dale Carnegie lançado em 1936, dois anos depois do nascimento do bebê Manson.

Em seu sumário podemos ler: “Este livro é voltado para a arte de se relacionar com pessoas através de técnicas simples, mas de extrema eficácia nos relacionamentos”. Uma das técnicas descritas em suas páginas lê-se “desperte no outro o desejo ardente”.

“Este livro é voltado para a arte de se relacionar com pessoas através de técnicas simples, mas de extrema eficácia nos relacionamentos”

Há quem diga – e muitos dizem -, que a soma das más influências externas e o aprendizado literário de Manson em especial com esta publicação lhe deram o que ele precisava. O dedo estava no gatilho, bastava aperta-lo.

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O influenciador

“Aquele ou o que influencia ato de levar alguém a mesma ideia, influenciar”. Hoje essa palavra está na boca de todos e as influências vêm através dos mais diversos canais: TV, rádio, internet…

Em sua época, Manson tinha apenas uma forma de fazer isso: a boca. Depois de libertado e já com a árvore do mal semeando sua mente, ele se depara com uma América que louvava a paz e o amor, ainda que isso fosse apenas em Woodstock.

Foi então que tudo se misturou. O mundo de sexo livre, drogas e rock and roll foi o colchão esperando Manson se deitar com as inúmeras mulheres suscetíveis ao poder da retórica aprendida por ele.

Sexo e drogas

Aqui estão duas coisas altamente ligadas para fazer funcionar o poder de convencimento de Charles Manson com as mulheres.

Ele não era propriamente bonito, mas seu estilo rockstar e discurso cativante fizeram dele o sexy simbol de muitas jovens em sua época pós-prisão. Em geral essas mulheres vinham da mesma linha histórica que sua mãe e sua. Lares estilhaçados e confronto com a sociedade.

A promessa de libertinagem, amor incondicional, de um mundo melhor e o convencimento de que uma guerra civil inter-racial estava por vir seduzia as jovens que viam no aspirante a roqueiro um objeto de desejo carnal, tal qual as famosas groupies.

O LSD era a droga da época e também a preferida de Manson. Era com a ajuda dela que ele libertava as mentes de seu harém para fazer suas mulheres acreditarem em cada palavra proferida de sua boca.

“Todas nós tínhamos que ouvir o ‘Álbum Branco’ dos Beatles e ler o livro do Apocalipse na Bíblia”

Com efeitos de longa duração, o LSD era uma arma poderosa de convencimento usada por Manson em suas horas de discurso inflamado sobre os temas acima citados. A mente de suas e seus seguidores estava definitivamente aberta a receber o que vinha dele.

“Todas nós tínhamos que ouvir o ‘Álbum Branco’ dos Beatles e ler o livro do Apocalipse na Bíblia”, disse Leslie Van Houten, a mais jovem seguidora de Manson, então com 19 anos.

Leslie Van Houten, uma das principais seguidoras de Manson
Leslie Van Houten, uma das principais seguidoras de Manson

Rock and Roll

O rock era o ritmo na época. Protesto, rebeldia, contracultura, mas também paz e amor, Woodstock, união e sexo sem compromisso. Charles se apegou o lado mais controverso do estilo para usar como um de seus argumentos.

É sabido que ele usou o citado “Álbum Branco” dos Beatles para catequizar seus seguidores e transforma-lo em mensagens de ódio com previsões absurdas do que estava por vir. Seu relacionamento com o rock era visceral.

O assassino colocava Helter Skelter como a profecia de uma guerra racial entre brancos e negros que assolaria os Estados Unidos muito em breve. “Manson nos interpretou como os quatro cavaleiros do apocalipse”, disse certa vez Paul McCartney, um dos autores – junto com John Lennon -, da canção.

“Manson nos interpretou como os quatro cavaleiros do apocalipse”

Em seu julgamento, Chales Manson falou sobre a música: “Eu não escrevi a música. Não fui em quem projetou isso na cabeça das pessoas”.

The Beach Boys

Muito mais próximos de Manson estava outra banda muito famosa e adorada na época, a The Beach Boys.

Em Good Vibrations, biografia de Mike Love, vocalista do Beach Boys, ele relata que Manson e sua família passaram um tempo na casa do baterista Dennis Wilson. O dono das baquetas havia se separado e mudado de residência e então conhecido Charles.

O sexo, as drogas e o rock and roll tomara conta da nova casa de Wilson quando o assassino levou suas mulheres e organizou uma verdadeira orgia com os músicos, tudo na base do LSD, claro.

No livro Love ainda revela que Suzanne, sua ex-esposa, deixa os filhos do casal sob os cuidados de duas seguidoras de Charles Manson. Ele ainda relata que Dennis Wilson tinha pesadelos e pensamentos de arrependimento constante sobre aquela época.

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Família

Em paralelo a tudo isso Manson foi construindo aquilo que nunca teve na vida, uma família. Muito mais distópica é verdade, onde sob seu comando, subalternos seguiam seus ensinamentos à risca.

Homens e mulheres sedentos por um líder, uma referência que os fizesse sentir vivos. Subjugados por uma sociedade que não os via com bons olhos, os discípulos brincavam de “seu mestre mandou”.

Dezenas de pessoas oriundas de muitas partes dos Estados Unidos foram viver sob a custódia de Charles Manson em Spahn Ranch (Califórnia). Sobrevivendo à base de roubos, furtos e consumo de drogas, eles estavam sendo manipulados – ainda que tenham total culpa nos fatos a seguir -, por seu mentor.

Um pouco da vida em Spahn Ranch
Um pouco da vida em Spahn Ranch

A Família vivia no rancho à custa de Lynette Fromme, uma das seguidoras fieis de Manson, que se propôs a “cuidar da casa” e fazer sexo com o proprietário do local em troca de que todos pudessem estabelecer residência e fazer seus cultos por lá.

“Eu sou o demônio e vim aqui fazer coisas demoníacas”

Outro Charles, o Watson, vulgo Tex, também era fiel a Manson e o ajudava nos cultos e afazeres do rancho. Ele se tornou famoso no posterior assassinato que o grupo cometeu por proferir, dizem, a seguinte frase: “Eu sou o demônio e vim aqui fazer coisas demoníacas”.

O circo estava armado

Com seu grupo reunido, Manson bradava sobre a tal guerra civil e convencia a todos de que aquele seria o único grupo de brancos sobreviventes e que a vitória na guerra seria dos negros.

Convencidos das palavras de seu mestre, eles preparavam o terreno para dar início à guerra com o pensamento de cometer crimes contra brancos, ricos e famosos incriminando os negros para que estes fossem culpados e presos pelas mortes vindouras.

E nada como começar tirando a vida de uma das maiores atrizes de sua época.

Sharon Tate

A Million Dollar Baby, como era conhecida na época, foi uma estrela de ascensão meteórica no cinema. Estrela de séries de TV, Sharon Tate rapidamente migrou para as telas maiores e foi coadjuvante no clássico A Noviça Rebelde (1965).

Candidata a muitos papéis de destaque, no ano seguinte ela foi a protagonista de O Olho do Diabo e em seguida conheceu Roman Polanski, renomado diretor que tem em seu currículo filmes como O Bebê de Rosemary (1968) e O Pianista (2002).

Ela foi a principal vítima do assassinato em massa que marcou aquela época e ficou conhecido como Caso Tate-LaBianca. Ali o ainda pouco conhecido Charles Manson se tornaria o antagonista de toda uma geração.

Sharon Tate estava ganhando fama em 1969
Sharon Tate estava ganhando fama em 1969

Caso Tate-LaBianca

A noite que mudou a história da geração paz e amor nos Estados Unidos começou cerca de um ano antes, quando Manson, através de contatos famosos e do mundo da música, conheceu produtores e outros músicos a fim de apresentar suas próprias composições.

A rejeição de suas canções por conta de uma briga pontual e muito mais por seu comportamento deturpado e notado pelos mesmos produtores a sua volta o tornou ainda mais raivoso com a indústria.

Foi nesse estopim que Manson e sua trupe começaram a arquitetar um plano que voltaria os olhos do mundo para Hollywood. Nada melhor para alcançar o estrelado e chamar a atenção tão desejada por ele do que atacar uma estrela da época.

Charles Manson chegou a visitar a mansão meses antes dos assassinatos para conversar e tentar convencer o produtor Terry Metcher a investir em sua carreira de músico. Ele teve sua entrada negada e o pavio estava aceso a partir daquele momento.

A hora de Helter Skelter

Alguns meses depois da visita e já com todo o plano arquitetado em sua cabeça, Manson decretou a seus seguidores que era de executar Helter Skelter – lembra dela, a famosa música dos Beatles.

Charles convocou seus membros mais fieis: Charles ‘Tex’ Watson, Leslie Van Houten, Susan Atkins, Linda Kasabian e Patricia Krenwinkel para o massacre. De acordo com as ordens do líder, as mulheres deveriam obedecer às orientações de Watson dentro da casa.

Os crimes serviriam para incriminar os negros, principalmente a organização Panteras Negras, sob a desculpa da revolta de Manson com Metcher por ter se negado a produzir suas músicas e um documentário sobre sua “família”.

Vale dizer que Manson chegou a gravar suas músicas da prisão mesmo. Não foi como ele queria, mas conseguiu.

A noite em que a paz e o amor morreram

O Festival de Woodstock aconteceria pouco menos de uma semana depois da fatídica noite e foi o maior símbolo da geração paz e amor nos Estados Unidos. Um fim de semana de sexo livre, drogas e rock para celebrar a contracultura de um país ativo em guerras e sob forte separação racial.

Nomes como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Santana, Greatful Dead e Credence Clearwater Revival comandavam o maior festival de todos os tempos até então.

Mas a paz e o amor haviam sido mortos uma semana antes por Charles Manson e sua Família. Na noite de 8 para 9 de agosto de 1969 o grupo – que poderia ser de rock – adentrou a mansão tal qual um grupo de extermínio para destruir tudo que uma geração lutara para conseguir.

As mortes

Sob a batuta de seu comandante Tex, Van Houten, Atkins, Kasabian e Krenwinkel proferiram centenas de facadas, tiros e até pauladas em quem estava na mansão. Morreram a atriz Sharon Tate, seu ex-namorado Jay Sebring, Abigail Folger, seu namorado Wojciech Frykowski.

Sharon Tate estava grávida de Roman Polanski. Então com oito meses ela foi esfaqueada 16 vezes enquanto estava no chão, em posição fetal. Muitas das facadas foram dadas em seu ventre, matando instantaneamente também seu bebê.

No dia seguinte, 10 de agosto, Manson e parte de seus comparsas que estavam na noite anterior foram até LaBianca, mansão vizinha onde tinham cometido os crimes e encontraram Leno e Rosemary LaBianca. Sem pestanejar, Charles Manson ordenou que eles também fossem mortos.

Dias após os assassinatos
Dias após os assassinatos

Nas casas foram escritas com sangue Helter Skelter, em uma das paredes internas, e PIG na porta da frente. Pig significa porco em inglês e na época a palavra era usada pelos Panteras Negras para designar a polícia.

A Família chegou a roubar documentos a fim de incriminar negros de outras comunidades pelos assassinatos. O que, obviamente não aconteceu. Mas Charles conseguiu o que sempre quis: notoriedade.

Ali se criou um mito para os seus seguidores e uma das mentes assassinas mais perturbadas e estudadas da história norte-americana, ainda que ele não tivesse encostado a mão em uma faca para cometer tais atrocidades.

O depois

Pouco tempo depois todos foram presos e em 1971 boa parte foi condenada à morte, o que não aconteceu visto que o governo da Califórnia decidiu extinguir a lei de pena de morte e todas as penas dos assassinos foram convertidas em prisão perpétua.

De lá para cá já se foram quase 50 anos e inúmeras apelações para liberdade condicional. Leslie Van Houten apelou 20 vezes pela liberdade, sem sucesso em nenhuma delas.

A ligação com a cultura pop continua

Um jovem que queria ser astro do rock, música dos Beatles como guia, convivência com os membros do The Beach Boys, músicas rejeitadas, o assassinato de uma estrela do cinema. As ligações de Charles Manson com a cultura pop são muitas.

The Manson Family mostra como a Família Manson se tornou um grupo de jovens assassinos. Já a série Aquarius retrata a vida de um policial (David Duchovy/Arquivo X) obstinado em prender Charles Manson (Gethin Anthony).

O primeiro filme a retratar os acontecimentos do verão de 1969 foi Helter Skelter (1976) de mesmo nome e baseado no livro de Vincent Bugliosi. Existem muitos outros livros, filmes e documentários sobre Charles Manson e seu universo perturbador.

Quentin Tarantino

Nos últimos meses muito se falou sobre o novo filme de Quentin Tarantino. Tudo porque ele contaria a história de Charles Manson. Agora imagina comigo o sangue jorrando pela tela se isso acontecesse.

Bom, há alguns dias o diretor veio a público informar que seu novo longa não terá a história centrada no assassino e sim no ano de 69, quando aconteceram os assassinatos.

Fato que o ano citado foi muito importante para a cultura pop. Woodstock rolando, grandes álbuns sendo lançados, homem chegando à Lua e… Charles Manson! Inclusive o filme chegou a ser intitulado de Manson Family Project por alguns sites internacionais.

Tarantino também revelou que já acabou de escrever o roteiro e que as filmagens não devem começar antes de janeiro do próximo ano. Sem confirmação oficial, estão cotados para o elenco Samuel L. Jackson – velho parceiro de Tarantino -, Brad Pitt, Leonardo DiCaprio e Margot Robbie, que interpretaria Sharon Tate.

Margot Robbie e Sharon Tate
Margot Robbie e Sharon Tate

Versão em desenho

Todos sabemos que South Park é um dos desenhos que mais causa com personalidades e situações nos Estados Unidos e no mundo, mas certa vez eles foram “longe demais”.

Em dezembro de 1998 foi ao ar o episódio de Natal com o título de Feliz Natal, Charlie Manson!. Ele conta a história de Stan, Cartman, Kenny e Kyle que vão passar as festividades na casa da família do Cartman em Nebraska.

Durante a estadia eles conhecem o Tio Howard através de um live stream direto da prisão. Em dado momento Charlie (assim mesmo) chega na casa. Ele se oferece para levar as crianças no shopping para ver o Mr. Hankey e quando voltam Manson faz todo mundo refém.

O pior de tudo é que Stan viajou fugido dos pais e durante o cárcere eles aparecem para lhe dar uma bronca. Vendo toda aquela situação, Charlie dá uma lição sobre os valores da (pasmem!) família. Vale dizer que ele também apareceu em Uma Família da Pesada.

Músicas relacionadas

Ao longo dos últimos 50 anos muitas músicas contam com algum tipo de ligação com Charles Manson e a noite em que os assassinatos aconteceram. Grandes nomes do rock já tiveram uma relação direta ou indireta com o personagem principal e aquele dia.

Gaven Up do álbum “The Downward Spiral” do Nine Inch Nails teve seu clipe gravado lá. Vale dizer que boa parte das gravações do disco foram realizadas na mansão.

“Charlie Charlie e a família podem te pegar, sim”

Ozzy Osbourne canta “Veja o que você está fazendo, Charlie Charlie e a família podem te pegar, sim” em Bloodbath In Paradise. Isso sem falar, é claro, em Marilyn Manson. Mais dessa ligação vocês conferem abaixo.

Marilyn… Manson!

Obviamente e apenas a titulo de curiosidade paralela não poderíamos deixar de citar aqui um dos artistas mais controversos dos anos 90: Marilyn Manson. Ele é o artista contemporâneo mais “ligado” (note as aspas) a Charles Manson.

Ele ascendeu ao sucesso no início da década citada em meio ao caos vivido pelo grunge com a morte de Kurt Cobain e já causou polêmica com seu nome artístico.

Para quem não sabe, todos os membros da banda de Marilyn Manson na época tinham a alcunha que misturava o nome de uma modelo/atriz marcante com um serial killer histórico. É claro que o frontman teria os mais emblemáticos: Marilyn Monroe e Charles Manson.

De acordo com a mídia do período, os nomes foram escolhidos para retratar o bem e o mal existente em cada pessoa. Mórbido, não?

Mas Brian Warner começou sua empreitada musical sob o nome de Marilyn Manson And The Spooky Kids, algo como Marilyn Manson e as Crianças Assustadoras, que se tornou apenas o que conhecemos hoje.

Em 1994 Marilyn Manson lança seu primeiro álbum, com um nome que também nos faz lembrar de Charles: “Portrait of na American Family”, traduzido como “Retrato de uma Família Americana”.

Não sabemos ao certo se a família citada era a de Charles Manson ou como o retrato da família norte-americana assolada pela disfuncionalidade que vimos nesta história e vemos até hoje.

Outra ligação entre os dois é que no início desta década, Charles enviou uma carta a Marilyn Manson. Nela, algum tom de ameaça, mas em si não tinha lá muito sentido. Um trecho dela dizia: “Eu estou certo de que você quer um pouco daquilo que tenho para você”.

Isso sem falar da música The Beautiful People em que nas versões ao vivo Marilyn Manson profere a frase “How does it feel to be one of the beautiful people?”, “Como é se sentir uma pessoa bonita”, em tradução livre, escrita em uma das paredes da casa onde os assassinatos foram cometidos.

Tal qual Charles foi um mentor para seus discípulos cometerem os assassinatos, Marilyn também foi tido “influenciador” (aspas de novo) por fazer a cabeça de pessoas que cometeram crimes.

Um dos mais notórios casos foi o do Massacre de Columbine, quando dois jovens mataram 12 estudantes em uma escola nos Estados Unidos e em seguida se mataram. Há alguns anos, Manson disse que o episódio e tudo que foi dito sobre ele quase acabaram com sua carreira.

Durante as investigações foi revelado que os dois jovens nem mesmo gostavam do som e das letras de Marilyn Manson. Sobre isso ele deu um depoimento ao cineasta Michael Moore no documentário Tiros em Columbine. A resposta foi brilhante.

O casamento

Ao mesmo tempo que temos horror a um assassino, existem pessoas que possuem uma fascinação mórbida por esse tipo de gente. Digo, no sentido até de uma aproximação física e não no interesse histórico.

Esse parecia ser o caso de Afton Elaine Burton. Em 2014, então com 26 anos ganhou as manchetes como a “noiva de Charles Manson”. Ela chegou a se mudar de Illionis para Corcodan, onde fica a prisão na Califórnia, para ficar mais próxima de seu “amado”.

Mas a história de Burton com Manson data de 10 anos antes de ela ganhar fama. Star, como gostava de ser chamada (oi?), começou a se interessar pelo assassino na adolescência e enviava cartas a ele demonstrando todo seu afeto.

"Star" e Charles Manson
“Star” e Charles Manson

Em seguida foram as visitas, que rareavam até que ela se mudou e os encontros se tornaram frequentes. Star levava artigos de higiene para Manson até que eles entraram com um pedido para se casarem, mesmo ele em prisão perpétua.

Toda a palhaçada foi desfeita e o acordo de casamento prescreveu quando Burton revelou a Manson a intenção de expor seu cadáver em uma redoma de vidro quando ele morresse e cobrar por isso, além de vender suas fotos post mortem para tabloides. Tudo para ganhar uma bela grana.

“Ele acha que nunca vai morrer”

Segundo o jornalista Daniel Simone do The New York Post, Charles negou o casamento por achar que isso era uma “ideia estúpida”. “Ele acha que nunca vai morrer”, disse o jornalista.

Morte iminente

A gente sabe que todo mundo vai morrer um dia e com Charles Manson também é assim que funciona.

Em janeiro deste ano Manson foi internado às pressas por conta de problemas gastrointestinais, ainda que a informação sobre o que realmente aconteceu não tenha sido confirmada – a internação sim.

Dois dias antes dessa publicação, na última quinta-feira, 16, Charles Manson voltou a ser internado no hospital da cidade de Bakersfield conforme noticiou o TMZ. A polícia local não confirma a internação devido as normas de privacidade médica.

De acordo com a Associated Press, um porta-voz do serviço penitenciário local informou apenas que Manson segue vivo. Ainda segundo a imprensa internacional, especulações dão conta de que é “apenas questão de tempo” até que a morte de um dos assassinos mais cruéis da história seja confirmada.

Atualmente Charles Manson está com 83 anos e já pediu liberdade condicional por 16 vezes. Agora ele só pode fazer o pedido novamente em 2027, quando completa 93 anos e ao que tudo indica, se chegar até lá, receberá o não novamente.

Manson atualmente
Manson atualmente

Um legado de horror

O que quisemos expor aqui foi a ligação de Charles Manson com a cultura pop desde que ele cometeu um dos atos mais brutais da história norte-americana no último século. É inegável seu legado de horror.

Manson era uma pessoa perturbada, racista, sexista e manipuladora e a não ser por seus crimes brutais, não está muito longe de muitos que vemos por aí gozando de plena saúde.

Ademais precisamos ficar atentos aos que tentam nos influenciar, colocar ideias em nossas cabeças e fazer descer goela abaixo ideologias que na verdade estão baseadas em ideias escusas. Vivemos um período onde, devidas proporções, o discurso de Manson se faz presente e poucos querem verdadeiramente paz e amor.

Que, quando Charles Milles Manson morrer, seu legado seja enterrado com ele.

ATUALIZAÇÃO: No último domingo, 19, Charles Manson faleceu aos 83 anos. Leia mais aqui.

Fotos e vídeos: Divulgação/Internet

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