Confira nossa entrevista exclusiva com a Costanera (Dead Fish, Plastic Hire, menores atos e White Frogs)

Nesta semana vocês viram aqui no Rock Noize que está formado um supergrupo no Brasil! A Costanera reúne ninguém menos do que Rodrigo Lima na voz (Dead Fish), Daniel Avelar nas guitarras (Plastic Fire), Ricardo Melo na bateria (Menores Atos, Noção de Nada) e o baixista João Veloso Jr. (White Frogs, Please Come July, Crash Playground).

Eles acabaram de lançar o primeiro single, a música Crtl C Crtl V, que faz parte do vindouro EP do grupo sob o nome de “Chamem isso democracia e vai ficar tudo bem” que será lançado em vinil pelos nossos parceiros da Monstro Discos ainda neste primeiro semestre. Escutem a música aqui.

Aproveitamos o lançamento para conversar com o João sobre como a banda se reuniu, como foram as gravações e tudo que vem por aí da Costanera. A seguir vocês conferem o papo na íntegra e ficam por dentro de tudo. Aproveitem!

Rock Noize: Como um projeto tão bom ficou “esquecido” por três anos?

João Veloso Jr.: Obrigado. Legal você ter gostado e achado bom. A gente está feliz com o resultado. Eu morava no Rio e encontrava muito com o Daniel. Depois de alguns ensaios em casa, fizemos dois encontros no estúdio com o Bola e gravamos todo o instrumental.

Logo depois, mudei pra Minas Gerais e, um pouco depois, pra SP. A gente tentava prosseguir mas cada vez era um problema até que descobrimos um fato importante: nenhum de nós tinha as masters da gravação original.  Depois de tentar por alguns caminhos, descobrimos que o Rodrigo Piccoli tinha isso nos arquivos dele. Ou seja, ele não só foi o técnico que registrou tudo, mas também o responsável pelo nosso arquivo geral.

Com o áudio em mãos, marcamos as sessões de voz e finalizamos rápido. E agora, todos podem escutar.

Rock Noize: Como ele se formou e qual a origem do nome Costanera?

João Veloso Jr.: Ficamos um bom tempo procurando por um nome. Foi mais difícil que compor ou gravar.  A ideia era buscar algo simples e que pudesse ilustrar a origem de todos: a praia. Eu nasci em Santos, o Rodrigo em Vitória, Daniel e o Bola no Rio. Todas, cidades costeiras. Depois de uma lista de mais de 100 nomes, muita troca de mensagens e muita giração de lâmpada, este ficou.

Rock Noize: Vocês pretendem fazer shows? Além das três músicas o que mais poderia pintar numa apresentação?

João Veloso Jr.: Hoje, nada está definido e tudo é possível. Queremos lançar o vinil e tocar. Estamos fazendo mais músicas. Mas nem a gente sabe o que vai acontecer. Somos quatro pessoas e três moram em São Paulo. O Daniel mora no Rio e torna toda programação um exercício interessante de logística. De fato, vamos ver o resultado deste vinil e ver o que acontece. Se as pessoas gostarem, podemos sim fazer alguns shows.

Rock Noize: Um EP vem aí, podemos esperar um álbum completo também?

João Veloso Jr.: Acho que aqui vale o mesmo racional dos shows. Vamos ver o que acontece. Gosto muito de escrever músicas e compor com esses caras é um exercício fácil e natural. Temos mais material escrito depois do EP e, se as pessoas gostarem, podemos sim avançar nesta direção. Antes disso, queremos trabalhar este EP com a Monstro que é o que existe de concreto. Depois, a gente pensa em próximos passos.

Rock Noize: A Monstro é nossa parceira já faz algum tempo e lança muitas bandas boas. Como foi essa parceria com eles para o lançamento do Costanera?

João Veloso Jr.: Tudo com o Costanera tem sido natural. Desde a composição das músicas, de quem está na banda, dos estúdios que gravamos e mixamos até a definição do selo. Troquei uma mensagem com o Leo Bigode e ele retornou de maneira positiva. E aqui estamos falando disso.

Rock Noize: Como vocês fizeram para se reunir neste projeto e se rolar um álbum, como vai ser essa “logística” toda?

João Veloso Jr.: Não nos reunimos. Eu escrevi os primeiros rascunhos e o Daniel foi com sua guitarra em casa. Fizemos dois ensaios com o Bola e gravamos. O Bola gravou parte da bateria dele sozinho, sem ninguém tocar junto.

Com as demos iniciais em mãos, o Rodrigo fez a voz e depois gravou.  Nosso primeiro ensaio foi depois de tudo masterizado e pronto. Neste primeiro ensaio já teve mais música sendo composta e isso tende a indicar novidades para breve.  Éramos três morando no Rio quando tudo começou e hoje, somos três morando em SP. Vejamos como tudo evolui.

Rock Noize: O nome do EP, “Chamem isso democracia e vai ficar tudo bem”, tem tudo a ver com os tempos atuais no Brasil. Como foi a construção das ideias para esse nome?

João Veloso Jr.: Isso é parte de uma letra de Ctrl C CTRL V, nosso primeiro single. A música não é sobre a situação do Brasil, mas pode também ser atribuída a isso, a pegar parte de um fato e tomar isso como verdade absoluta. Por uma coincidência, ela acaba sendo bem direta com os extremismos.

Rock Noize: O que vocês trouxeram de influências das suas bandas (e até de outras) para a Costanera?

João Veloso Jr.: Acho que acabou sendo uma entrega transparente do que somos. A guitarra trabalhada do Daniel no Plastic Fire, as melodias de voz do Rodrigo no Dead Fish, a batera do Bola no Menores Atos e o baixo das bandas que passei. Não tentamos soar igual ou diferente, mas todos possuem uma personalidade específica no que fazem. Isso acabou dando uma identidade final que remete ao que nós quatro somos. Nunca pensamos em fazer isso ou aquilo. Apenas fizemos e saiu o som.

Rock Noize: Vocês consideram o cenário musical desfavorável para o rock no Brasil? O hardcore continua extremamente ativo e lotando shows e festivais como que uma resistência dentro de outros estilos de música e de tantos shows internacionais no país. De onde vem essa força toda?

João Veloso Jr.: Hardcore é contracultura. Pode haver uma ou outra banda que seja mais conhecida, mas a maioria das bandas toca pra pouca gente. E isso não importa, pois acho que ninguém escolhe fazer este tipo de música pra ser famoso. Pra isso, tem outras vertentes que te levam bem mais rápido pro sucesso.

É tipo jogador de futebol, onde poucos são reconhecidos e vivem disso, enquanto milhares têm uma luta diária pela sobrevivência. Fazer arte no Brasil é difícil. Não apenas rock, mas qualquer coisa fora de um padrão x depende de muita dedicação pra pouco reconhecimento.

Rock Noize: O que mais podemos esperar da Costanera pra esse ano?

João Veloso Jr.: Um vinil que sai em breve pela Monstro Discos e ao menos um show de lançamento. Ao menos tocar essas três músicas do vinil.

Rock Noize: Deixem um recado pra galera fã de vocês e que passa aqui pelo Rock Noize!

João Veloso Jr.: Acho que apenas nossos amigos ouviram nosso som até agora. Obrigado todos pelo apoio e Rock Noize por se interessar pela gente. Quem quiser mais informações e interagir com a gente, estamos no Instagram como costaneira_oficial ou, por definitechoicerecords@gmail.com.

Abraços.

Foto: Karen Lusvardi/Divulgação

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