Crítica: 31, os Jogos Mortais e muito mais aterrorizantes de Rob Zombie

31-onesheet-teaseSe você lê o Rock Noize sabe que a gente divulga bastante os trabalhos do Rob Zombie, que além de um dos fundadores do White Zombie, tem uma carreira musical sólida e gosta de escrever e dirigir filmes.

Seus últimos trabalhos foram bem bacanas. Ele deu nova vida a Michael Myers, protagonista da série de filmes Halloween, em dois longas em que mostra uma nova perspectiva de um dos mais famosos serial killers do cinema, e colocou sua esposa como a figura central do aterrador The Lords of Salem (2012).

Bom, em 2016 ele chega com um novo e perturbador filme, 31, que usa e abusa do gênero slasher, tão cultuado nos anos 70 e 80, quando deu vida a inúmeros filmes como o já citado Halloween, Sexta-Feira 13, O Massacre da Serra Elétrica e muitos outros.

Nessa hora eles ainda estavam sorrindo
Nessa hora eles ainda estavam sorrindo

Em 31 ele traz novamente atores conhecidos e já carimbados em sua filmografia: Sheri Moon Zombie, sua esposa, que faz novamente a personagem principal; Malcolm McDowell, o sádico comandante da por** toda; e Richard Brake, entre outros.

O filme nos leva ao dia 31 de outubro de 1976, Halloween daquele ano, onde uma turma de amigos a bordo de uma van daquelas toda decorada – neste caso com objetos satânicos, tradicional daquela década, que estão viajando e se deparam com seu futuro aterrorizante pelas mãos de palhaços nada convencionais.

Se você já assistiu alguns dos filmes de Zombie, sabe que palhaços são tradição.

Levada à uma espécie de fábrica/galpão, a turma se depara com Father Murder, personagem de McDowell (Halloween – O Início e Halloween II), que comanda algo parecido com Jogos Mortais, mas muito menos pensado (inteligente) e mais sangrento e perturbador.

O que os personagens que sobraram tem que fazer é “simples”: sobreviver durante as próximas 12 horas a todo tipo de ameaça que vier.

Zombie e McDowell são amigos de longa data e o ator é fã de rock
Zombie e McDowell são amigos de longa data e o ator é fã de rock

Em meio ao caos, os cinco são perseguidos por um anão nazista, um casal digamos, esquisito e uma dupla de palhaços munidos de serras elétricas (olha a referência), que parecem fazer um tributo ao icônico personagem de Capitão Spauldin, protagonizado por Sid Haig em A Casa dos Mil Corpos (2003) e Rejeitados pelo Diabo (2005), ambos dirigidos por Rob Zombie.

O filme dá segmento ao que Zombie já fazia: um clima estradeiro sulista norte-americano, personagens transtornados, nudez a torto e à direita e sangue, muito sangue, da maneira mais perturbadora possível.

Diferente de The Lords of Salem, que lidava com o ocultismo, se passava na cidade grande e tinha um clima mais denso, 31 vai direto ao ponto sanguinário.

Malcolm McDowell (o porteiro do clipe de Snuff do Slipknot) está novamente muito bem, Sheri tem a missão de acabar com a “festa”, mas o destaque vai para Richard Brake (Batman Begins, Thor: O Mundo Sombrio e Halloween II).

Brake é um assassino que não nega uma “boa” missão de participar dos jogos e quando a coisa aperta ele é chamado. Maquiagem branca no rosto, lábios vermelhos – e neste caso não é de tinta -, cabelo liso desgrenhado para trás… lembrou de um certo vilão perturbado?

rob-zombie-31-review-3
Richard Brake lembra um certo vilão, não?

Como já dissemos, Rob Zombie traz muito bem todas as referências do terror de décadas passadas, algo quase mal feito e que nos remete àquela época saudosa do cinema de horror. 31 foi produzido com ajuda de crowdfounding (financiamento coletivo) e não é magistral, nenhuma obra-prima do cinema, pelo contrário, o diretor continua em seu lugar confortável e faz muito bem o que se propõe.

31 é melhor que muitos blockbusters do cinema de horror dos últimos 5 anos! Talvez seja a hora de Hollywood voltar a pensar no básico quando se trata do gênero, começar de novo.

E como não poderia deixar de ser, um dos destaques é a trilha sonora. Como músico de longa data, Zombie escolhe bem as músicas de seus filmes. Só para vocês ficarem instigados, em 31 rolam California Dreamin’ do The Mamas and The Papas, que fez um sucesso absurdo naquela época, e Dream On do Aerosmith, esta numa cena bem legal.

Com um roteiro simples, às vezes até previsível, 31 vale o tempo se você tiver estômago para aguentar, afinal Rob Zombie parece querer ir além a cada filme que faz. Sexo, drogas e rock and roll diretamente para as telas do cinema.

Um destaque dos filmes de Zombie são os cartazes, no Instagram dele têm vários
Um destaque dos filmes de Zombie são os cartazes, no Instagram dele têm vários

 

Fotos: Divulgação/Internet

Comentários