Crítica: A Chegada é mais sobre seres humanos do que extraterrestres

270370A Chegada tinha tudo para ser mais um filme sobre extraterrestres que vêm à Terra causar pânico, mas a linha seguida nos leva para uma outra vertente. O longa não é nada apocalíptico, muito pelo contrário, é mais humano do que você pode imaginar.

Fugindo dos clichés e obviedades da ficção-científica nos cinemas, A Chegada nos apresenta uma protagonista, a Dra. Louise Banks, interpretada pela bela e igualmente boa atriz Amy Adams (Batman vs Superman), que dá uma profundidade impressionante ao filme.

Ela é uma linguista de prestígio que fora convocada pelo governo para decifrar a linguagem de seres dentro de uma nave extraterrestre – que eles chamam de concha – que pousou nos Estados Unidos. Acompanhada do físico Ian Donnelly (Jeremy Renner) e sob os comandos do general Weber (Forest Whitaker), Louise se aprofunda em sua pesquisa para tentar entender tudo através da comunicação, sem violência.

Isso mostra que muitas questões tratadas por nós, seres humanos, com armas e agressões podem ser resolvidas de outra maneira. Para quem gosta de comunicação o filme é um prato cheio, até para pesquisar mais sobre os assuntos abordados durante as quase duas horas em que ele se passa.

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A direção é de Denis Villeneuve (Sicário: Terra de Ninguém) e A Chegada se torna um filme muito bem entrelaçado entre presente e futuro, numa linha coesa em sua história. Além do fato de abordar o pânico ao redor do mundo – são as mesmas naves em vários países -, o filme mostra um drama pessoal da protagonista em meio ao caos, o que torna tudo mais interessante.

Esqueça alienígenas querendo dominar o nosso planeta e um banho de sangue entre raças acontecendo. A Chegada aborda a “invasão” de maneira muito mais inteligente e fora do padrão convencional. O filme é um deleite para quem quer aprender mais sobre linguagem, escrita e falada, e suas diferentes abordagens.

É entendendo essas diferenças, que a Dra. Louise e o Dr. Ian conseguem se comunicar com os visitantes e mudar o curso natural das coisas, tirando o filme do lugar comum do gênero. A Chegada mostra densidade nas questões humanas e de relacionamento sem ser previsível, não à toa está concorrendo ao Oscar de Melhor Filme.

Por fugir do óbvio, ter um visual de encher os olhos e Amy em seu melhor papel – e momento -, vale cada minuto. A Chegada é um filme lindo e ainda que você possa acha-lo devagar, entenda que as pausas são necessárias para se assimilar o que está acontecendo.

 

Fotos: Divulgação/Internet

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