Crítica: Extraordinário (2017)

extraordinario-jacob-tremblay-julia-roberts-0517-1400x800O primeiro dia de aula não é fácil para nenhuma criança, mas as coisas são ainda mais complicadas para o jovem Auggie Pullman (Jacob Tremblay) que nasceu com deformidades faciais, passou por 27 cirurgias e aos 10 anos tem que encarar o quinto ano, indo pela primeira vez estudar em uma escola. Até então Auggie tinha estudado apenas em casa com sua mãe, a carinhosa, exigente e dedicada Isabel Pullman (Julia Roberts).

O filme é uma adaptação do livro Extraordinário (2012) de R. J. Palacio, que tem como tema central o bullying e as dificuldades de socialização que Auggie sofre e como isso afeta a sua autoestima.

Apesar do tema sério, o filme opta por abordá-lo de forma leve, mas sem deixá-lo superficial, já que consegue transmitir sua mensagem otimista e emocionar o expectador.

Por falar em emoção, a história em si, naturalmente já mexe com os sentimentos do público, emociona e faz refletir, mas como se isso não fosse suficiente, quer te fazer chorar a qualquer custo e as vezes usa métodos batidos e forçados para atingir esse objetivo.

Outro ponto negativo são alguns personagens superficiais, que parecem estar sempre de bem com a vida e prontos para ajudar, isso as vezes soa forçado e fabricado demais.

Da mesma forma, o conflito entre as melhores amigas Via (Izabela Vidovic) e Miranda (Danielle Rose Russell) também não convence, mas esses problemas não causam grande incomodo a ponto de estragar a experiência.

Em geral, o diretor Stephen Chbosky acertou na forma de contar a história. São desenvolvidas tramas paralelas em conexão com a de Auggie e isso faz o público entender o ponto de vista dos outros personagens.

Owen Wilson é Nate Pullman, pai de Auggie. O ator faz um personagem idêntico ao vivido por ele em Marley e Eu, mas dessa vez acaba ofuscado pela atuação e pelo carisma de Julia Roberts, que se destaca no papel de Isabel Pullman, a mãe que passou a se dedicar totalmente aos cuidados do seu filho, abrindo mão de sua carreira e de seus estudos.

O jovem Jacob Tremblay, assim como em O Quarto de Jack, entrega uma excelente atuação, sendo impossível não torcer por seu personagem, principalmente ao entrar em sua mente, pois o filme traz diversas vezes uma acertada narração em primeira pessoa, que toma força nos momentos de imaginação de Auggie, (Impossível não abrir um sorriso nas cenas que o protagonista se põe no lugar de Chewbacca de Star Wars).

Extraordinário é um filme que não se arrisca e não coloca peso ao desenvolver seu delicado tema, em vez disso, segue um tom mais leve e mostra a forma que Auggie enxerga a situação a sua volta. Um filme tipicamente Sessão da Tarde (no melhor sentido da expressão).

Vale o ingresso!

 

Nota: Bom

nota

 

 

 

Texto: Fernando Lima

Edição: Marcelo Coleto

Fotos: Divulgação/Internet

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