Crítica: It – A Coisa é o filme de terror do ano

it-bill-skarsgaard-pennywiseQuando o livro It foi lançado causou um grande alvoroço. Também pudera, a publicação foi escrita por um dos maiores mestres do terror em todos os tempos, Stephen King. It explora o fascínio e o medo das crianças por palhaços.

Estes são personagens dúbios por causar dois tipos de sentimentos não apenas nos pequenos, mas também em adultos. Para quem não sabe o medo de palhaços é considerado pela ciência como uma fobia e neste caso ela atende pelo nome de coulrofobia.

Como quase grande sucesso literário, It ganhou uma adaptação para as telas, no caso para a TV em 1990. O aterrorizante Pennywise foi interpretado pelo ótimo Tim Curry e o filme teve grande sucesso, mas lhe faltava uma adaptação para os cinemas.

E bom, ela veio mais de 25 anos depois, em 2017, com It – A coisa que estreou no Brasil no último dia 7 de setembro. Para os mais céticos – eu incluso – um reboot, “origem” e coisas assim já são bem complicadas. Às vezes falta imaginação e criatividade por parte de estúdios e envolvidos nos projetos.

Não foi assim em It – A Coisa de 2017.

O livro recebeu a alcunha de “uma obra prima do medo” e sua versão para os cinemas justifica definitivamente o título. Andrés Muschietti foi impecável em sua direção e a atuação de Bill Skarsgård como Pennywise foi igualmente primorosa.

A história é a seguinte: um grupo de crianças de uma cidadezinha norte-americana é aterrorizada por um palhaço que explora seus medos para se alimentar, de suas almas e literalmente para sobreviver. Até aí, nada demais e um cliché total dos filmes de terror.

Mas é Stephen King, amigo. Não se engane.

O primeiro ponto aqui e que foge ao convencional é que não há perdão, não existe “esse ou aquele vai sobreviver”. O tal Coisa é implacável e isso já é mostrado na primeira cena. It – A Coisa não demora ou faz suspense para mostrar ao que veio.

Nada vai se criando e se encaixando enquanto você pensa e prevê o que vai acontecer, o que normalmente torna os filmes do gênero previsíveis. It já está lá, as crianças já estão lá e a coisa pega – com o perdão do trocadilho – logo nos primeiros minutos.

Muschietti mostra em determinados takes que It foi criado para não ter pena, nem de crianças. Sim, em sua versão da obra de King ele não tem dó e machuca as crianças sem o menor pudor.

Ao passo que as crianças são apenas… crianças! Brincam como tal, fazem piadas, sofrem bullying, são inteligentes e astutas, se borram de medo e agem por completa impulsividade. Inclusive, se for para usarem de violência, elas o fazem também.

Mas e o Pennywise de Skarsgård? Bom, ele é um caso a parte como figura central. Sua história original é pouco abordada no filme – que pode dar origem a um “origem” no futuro e acho que isso vai mesmo acontecer – mas dá pra entender onde ele “se criou”.

Pennywise não é apenas o palhaço com bexigas vermelhas que você vê nos trailers. Ele se transforma e se adapta aos medos dos pequenos durante a trama. Ou seja, se você é criança, não importa o seu medo, o Pennywise pode te pegar.

Skarsgård é a representação definitiva da Coisa de Stephen King e isso que causa o maior fascínio nesta adaptação. A alternância entre o palhaço bonzinho e o dissimulado é impressionante – nota-se isso na primeira cena. Sua interpretação é daquelas onde o ator entra mesmo no personagem.

Falando das crianças, todas reflexos da vida real: o gordinho nerd – que em sua curiosidade é quem investiga a origem do palhaço -, o corajoso, o paranoico, o engraçado/piadista, uma menina que é abusada pelo pai e julgada pela sociedade e por aí vai. Mas não se engane, nenhuma delas se porta como coitadinha.

Toda essa mistura é muito bacana pois além de refletir muitas situações da vida não traz aquele padrão de crianças que parece completamente iguais nos filmes de horror.

Um bom destaque é Finn Wolfhard, que talvez vocês conheçam por Mike da série Stranger Things. Ele é o piadista do grupo e de fato é engraçado. Faz piadas sujas, típicas de crianças que estão descobrindo o mundo e mal sabem o que suas brincadeiras significam.

É por toda essa mistura, imprevisibilidade, comportamento, maldade, interpretações impecáveis e exploração de fobias que It – A Coisa (2017) é o melhor filme de terror do ano. Hoje poucos filmes duram mais de duas horas e os que duram dificilmente te prendem na cadeira por esse tempo todo e It destoa disso.

Vamos flutuar?

it pennywise header

 

Fotos: Divulgação/Internet

Comentários