Crítica: menos violenta, terceira temporada de Narcos aborda o crescimento do Cartel de Cali e questões políticas

hq720A terceira temporada de Narcos estreou no último dia 1 no Netflix e se você ainda não assistiu está perdendo. Agora a bola da vez é a ascensão dos irmãos Rodríguez, Gilberto e Miguel, além de seus dois sócios Pacho Herrera e Chepe Santacruz.

A temporada aborda bem as questões de quem manda no grupo e suas escalas de importância. Comandados por Miguel, que visa uma rendição baseada em negociações com o governo colombiano, a “paz” que se instauraria no país toma um outro rumo.

O Cartel de Cali é consideravelmente menos violento que o de Medellín de Pablo Escobar, e é justamente essa a luta de Gilberto: “sem violência”, ele brada em alguns momentos. Mas é claro que tudo isso se perde com a sua prisão e o posterior comando de seu irmão fora da cadeia.

Esta terceira temporada se passa exatamente após a morte de Escobar, tido como não visionário no olhar dos irmãos Rodríguez, que sabem que a matança, principalmente de inocentes, chama a atenção não apenas do governo da Colômbia, mas também dos norte-americanos, que continuam com suas operações no país sob a batuta do DEA, Departamento Antidrogas dos Estados Unidos.

Neste ponto quem também sobe na escala de importância é Javier Peña, interpretado pelo ótimo Pedro Pascal, que é tido e tratado como herói nacional por ter eliminado Pablo Escobar e agora promovido, luta para desmantelar Cali e seus chefões.

No alto escalão do DEA, Peña agora tem que lidar com mais questões políticas e esbarra em algumas delas até que consiga eliminar o cartel e chega a dar certa aflição suas incursões frustradas para prender os irmãos e seus comparsas.

Narcos 3 não é apenas sobre o tráfico de drogas, matanças e as loucuras de um traficante em busca de poder. É muito sobre o jogo político e nos leva a pensar mais uma vez: “isso só não acaba porque tem muita gente grande envolvida”. É isso.

Nesta etapa a série aborda com maior importância a criação e crescimento das FARC – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia que, obviamente, tem total ligação com o tráfico de drogas, além do de armas e mostra o que se deu para o enriquecimento das mesmas, o sequestro de pessoas ligadas aos mais ricos e influentes. As FARC enriquecem com o pagamento dos resgates para o financiamento da “causa”.

Em uma analogia com Tropa de Elite, Narcos mostra em suas duas primeiras temporadas a luta contra o crime e que na sua continuação mostra que “o inimigo agora é outro” e que as drogas são apenas a ponta do iceberg em um jogo de interesses políticos onde no final, de um jeito ou de outro, os poderosos vão sair ganhando.

A série reflete bem como ficou conhecido Gilberto Rodríguez, O Enxadrista. É um jogo mais para os inteligentes do que para os impulsivos e violentos – ainda que eles existam e tenham sua importância na trama – e é assim que Peña e seus comandados têm que agir. Questões paralelas também são bem abordadas.

Uma delas toma boa parte da série, a de Jorge Salcedo – chefe de segurança e crânio da porra toda. Em busca da salvação de sua família e visando um novo trabalho ao final dos seis meses tidos por Gilberto como o tempo para “sair dos holofotes”, Salcedo acaba por se tornar informante do DEA e sua história toma contornos angustiantes. A real é que você torce por ele.

O verdadeiro Salcedo afirmou que a história contada nesta terceira temporada é real, porém com alguns aspectos, como as mortes atribuídas a ele ou que ele presenciou, foram abordadas diferentes do que aconteceram. Mesmo assim Jorge disse que tudo bem, por se tratar também de uma ficção. Ele é interpretado pelo ator Matias Varela.

Narcos dessa vez é para quem gosta do jogo político que sabemos que existe até hoje quando se trata de tráfico de drogas, é para quem quer buscar mais sobre o assunto e ter uma visão mais pensante, inteligente e analítica. A terceira temporada deixou para traz o “mito” para de Escobar, para fazer entender que o poder nem sempre é centralizado e que é divido entre bandidos e não tão mocinhos assim.

Chepe Santacruz também é uma figura notória por mostrar o início do domínio colombiano nas ruas de Nova York com alguém in loco, além do confronto com traficantes de outros países hispanos pelo poder de levar cocaína para a cidade.

Esta terceira temporada é mais estratégia que impulsividade e ao final, como a chamada do Netlflix mesmo diz, a carreira tem que continuar e ela mostra a breve ligação dos colombianos com o México, país central da vindoura temporada.

Como dissemos aqui, se não abordar outros pormenores entre a “passagem de bastão”, um traficante mexicano que tomou para si o poder e cresceu nas sombras de Medellín e Cali vai ser a figura central da quarta temporada.

Passados Escobar e os Rodríguez, agora é a hora e a vez de El Chapo.

Se assim seguir, questões como as fugas cinematográficas de Chapo, seu relacionamento com a atriz Kate Del Castillo, a proximidade geográfica com os Estados Unidos e até a fatídica entrevista para o ator Sean Penn – que saiu na Rolling Stone -, devem ser abordadas na próxima temporada de Narcos.

Sean Pean e o verdadeiro El Chapo
Sean Pean e o verdadeiro El Chapo

Diferente – e melhor – no tange à violência e os níveis de relacionamentos construídos nas duas primeiras temporadas, esta elevou o status a outro nível e prepara o terreno para o tráfico dos anos 2000 onde a cocaína ainda é a joia da coroa, mas que muitas outras drogas começam a aparecer.

Pode incluir nessa conta o crescimento da internet, a facilidade de comunicação e o crescimento era digital relacionada aos crimes.

Arriba, Mexico!

 

 

Foto: Divulgação/Internet

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