Crítica: Punho de Ferro

iron-fistDesde a semana passada tenho lido muitas críticas (ou resenhas, como queiram) e matérias sobre as série do Punho de Ferro. Em sua maioria questionando muitas coisas e nenhuma delas – juro, nenhuma! – falando bem de modo geral.

Nunca fui fã do Punho de Ferro, ainda que tenha um grande interesse por budismo e a cultura oriental, mas me dei a oportunidade de abrir a cabeça para “ver qual é” a dele e dessa história toda que o cerca. Acredito que aqui a discussão não seja se ela é boa ou ruim, mas sim como ela é e pode ser ainda mais relevante no contexto amplo que está se tornando a parceria entre Marvel e Netflix.

Acredito que assim como Jessica Jones e Luke Cage, Punho de Ferro seja algo mais complementar no bom sentido ao universo das séries da Marvel encabeçada pelo Demolidor, claro, a única delas que já teve duas temporadas. E obviamente todas têm sua importância por conta da vindoura série dos Defensores que vai juntar os quatro personagens.

Ver o tom crítico ao extremo de algumas resenhas – não tô dizendo que não são boas resenhas, apenas críticas demais ao meu ver – me faz sentir receio de que o Netflix não alcance o patamar esperado e tão elevado da mídia especializada.

Mas pensando de outra forma e agora falando exclusivamente de Punho de Ferro, Danny Rand (Finn Jones) se mostra um personagem confuso com aquilo que quer, a vingança pela morte de seus pais, e aquilo que deve fazer, proteger as portas de K’un Lun.

Pra te situar: Danny e seus pais sofrem um acidente de avião nas montanhas do Himalaia e ele é resgatado por monges budistas e treinado na mística cidade de K’un Lun. Entre um desafio e outro ele aceita o maior deles para se tornar o Punho de Ferro.

Nota: se você se interessa por budismo – e disso eu entendo bem mais do que do Punho – a série pode ser uma porta de entrada para essa filosofia tão incrível. Você vai gostar se buscar mais informações, qualquer coisa estamos aí.

Enfim… Danny volta á Nova York em busca, no fundo no fundo, de vingança contra quem realmente matou seus pais. Aqui uma falha: soa confuso em alguns momentos quem é seu antagonista real na série. Ainda que o Tentáculo seja basicamente o mal por trás de tudo, é preciso definir um alvo específico.

Harold, Ward, Joy, Madame Gao, Kabuto e talvez até Colleen Wing estão na linha de frente como candidatos a vilão maior da coisa toda. Isso você descobre por si mesmo(a). Dentre eles Ward é o personagem mais interessante, confuso entre o que quer da vida depois de se tornar um empresário bem-sucedido.

Joy, sua irmã, hora parece jogar pro time do Punho, hora por seu pai (Harold) e tantas outras vezes por seu irmão (Ward) também se torna interessante justamente por essa veia “em cima do muro” ao passo que Danny tem que lidar com essa confusão de vingança.

Agora imagine você, voltando à cidade grande 15 anos depois, agora adulto e pra “piorar” com super-poderes. Não saber lidar bem com todas essas coisas é o que guia Rand durante a primeira temporada da série e parece cansativo se você analisar friamente.

Ele ainda não sabe que é realmente um herói e pode ser que a parceria futura com os outros três possa lhe dar essa estabilidade emocional e compreensão de quem ele é de fato e por direito e finalmente estabilizar seu chi e usar e controlar o Punho de Ferro.

Mas bom, você quer saber da pancadaria, né? Bem, não espere que as lutas sejam àquelas de pura porrada. A primeira premissa aqui – e que também li muitas críticas – é de que as lutas são coreografadas. A base é o kung fu, que é bem coreografado e quando você pega dois combatentes da mesma arte marcial isso é mais do que natural, também porquê existe um código de conduta em tudo isso, não importa se você é bom ou mau.

Claro, existe todo esse lado coreografado mesmo quando Danny tem que agir contra um bando de seguranças grandões e igualmente Zé Manés, mas pra quem aprendeu kung fu por 15 anos interruptos faz total sentido. Tudo bem, passa.

Às vezes você pode ficar #chatiado(a) por conta das cenas na empresa, dentro dos escritórios e tudo mais que leva a parecer que é uma série corporativa e que tudo parece uma teoria da conspiração doida – e por vezes parece mesmo -, mas faz parte do pacote e molda a história. Relax, baby.

Encare Punho de Ferro como uma série complementar ao universo dos Defensores, onde o personagem principal sofre com os questionamentos de si mesmo e dos outros sobre o que está fazendo, o que quer e acima de tudo, o que deve fazer.

O Punho de Ferro deve ganhar mais corpo junto aos seus companheiros e possivelmente esse lado complementar do cara que joga pro time deve aparecer mais na série que estreia no segundo semestre deste ano. É esperar pra ver.

Outro fato que vale destacar são as menções ao incidente (dos Vingadores) e aos outros heróis, Jessica, Luke e Demolidor. Neste último ponto a gente tem ela de novo, a Claire que mais uma vez é o ponto de união desse organismo que se forma e carrega as experiências que vivenciou até este momento para Punho de Ferro. Rosario Dawson, a gente tem gosta muito.

Assista Punho de Ferro sem essa carga crítica, assista de mente vazia (budismo, lembra?) e tenha que ela é uma parte em 13 episódios de um todo muito maior que já foi carregado nas quatro temporadas anteriores (duas do Demolidor e uma de Jessica e Luke, cada).

Talvez dentro dessa gama de vidas, personagens e poderes, Danny encontre seu lugar e se estabeleça um herói que ainda não sabe que é e domine o poder que tem. Talvez ele só precise se encaixar na turma sem julgamentos prévios.

Foto: Divulgação/Internet

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