Crítica: segunda temporada de Stranger Things abre novas possibilidades

1464696-strangerthings-1500797978-936-640x480Na última sexta-feira, 27, estreou a segunda temporada de uma das séries mais faladas do Netflix em todos os tempos: Stranger Things. Cheia de hype Eleven e seus amigos voltam a enfrentar problemas obscuros na pequenina Hawkins.

Quando a primeira temporada terminou ficou claro que muito mais viria e que o universo de Will, Mike, Lucas e Dustin deveria se ampliar para que a série se abrisse para novos rumos e histórias paralelas. Foi exatamente essa linha de raciocínio seguida pelos The Duffer Brothers.

Como toda boa história contínua, a segunda temporada de Stranger Things deixou algumas pontas soltas enquanto dava mais importância às histórias paralelas, mas obviamente que o quinteto – agora sexteto ou até mais – principal foi a figura central.

Relações diferentes e outras nem tanto

As relações que vimos na primeira temporada foram de certa forma previsíveis. A menininha gostando – e namorando – o bad ass da escola e descobrindo o mundo ao passo que deixava sua amiga nerd para trás. Uma relação conturbada entre a “mãe central” e seu ex policial e por aí vai.

O que a segunda temporada mostrou foi uma miscelânea de relações. A colaboração entre Joyce Byers (Wynona Ryder) e Mike (Finn Wolfhard) para salvar Will (Noah Schnapp), O início da relação entre Jonathan (Jonathan Byers) e Nancy (Natalia Dyer) – levada para a vida real -, além de Dustin, Lucas e Max, novata na cidade.

Algo muito legal mostrada nessa parte é como as relações são mutáveis assim mesmo, de um ano para outro, e como tudo isso se adapta às necessidades do momento e muitas vezes fogem à regra. Em se tratando de crianças e jovens isso é ainda mais variante, assim como seus sentimentos.

A descoberta de novos sentimentos

Quando falamos de pré-adolescentes de 12, 13 anos e até um pouquinho mais uma coisa que devemos muito considerar é a descoberta de novos sentimentos, de sexualidade e tudo mais que envolve esses assuntos. Essas descobertas são bem exploradas na segunda temporada de Stranger Things.

Vale dizer que na série tudo isso é explorado com muita inocência, sem segundas intenções ou coisas do tipo. Se na primeira vimos Nancy descobrir sua sexualidade com Steve, nesta vemos o sexteto principal descobrir sentimentos puros que possivelmente dão novos rumos à série.

Mike e Eleven vivem uma paixão que parece impossível devido à distância e aos poderem dela que em dado momento descobre o ciúme. Já Lucas e Max (Sadie Sink) vivem aquela inconstância típica da molecada dessa idade e são muito legais, a verdade é essa. Enquanto isso Dustin tem como referência os ensinamentos do “experiente” Steve.

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O mais bacana disso tudo é “rever” coisas que possivelmente nós mais velhos já vivenciamos, talvez até das mesmas maneiras. Assim como a série de modo geral nos leva para décadas onde tudo era mais inocente, aqui a premissa é a mesma.

A irmã perdida e o novo bad ass

É muito claro que Stranger Things daria o ar da graça para novos personagens e suas novas histórias e com elas pontas soltas que serão amarradas em breve. Uma delas e talvez a mais importante da trama é a de Kali, a “Irmã Perdida” de Eleven.

As duas passaram pelos mesmos experimentos em laboratório, mas têm poderes diferentes. Ainda que apareça no primeiro episódio, a história de Kali começa a tomar forma mais pro fim da temporada, onde podemos entender um pouco sobre quem ela é, ainda que não entendemos seus objetivos reais.

A escola tem um novo dono e ele atende por Billy (Dacre Montgomery). O meio-irmão de Max chega num possante irado, ouvindo metal pesado e causando com Steve. Obviamente ele vem de um lar conturbado e se torna o responsável pela mais nova da família.

Ainda não se sabe “qual é a dele”, mas com certeza a verdade aparecerá em um futuro próximo. O mal personificado parece ter chegado a Hawkins.

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Coadjuvantes em destaque

Na primeira temporada Steve era apenas o “cara” da escola. Bonitão, esportista e cabelo a base de laquê com um papel que seguia em paralelo às tramas principais. Aqui o personagem vivido por Joe Keery ganha mais personalidade, amadurecimento e destaque.

Ele se torna aquele irmão mais velho da molecada que parece ser capaz de ensinar o que vem por aí na vida. Assim é sua relação com Dustin (Gaten Matarazzo) quando conversam sobre como se portar com as mulheres e o mais legal é ver os laços estreitando entre eles e os pequenos.

Não-tão-coadjuvante-assim é o policial Jim Hopper (David Harbour), mas nesta temporada ele é basicamente fundamental para a trama. O “cara que parece que tá cagando” pra muita gente e coisa, na verdade ganha nossos corações.

Uma aquisição incrível para a série foi Sean Astin (O Senhor dos Anéis) que vive o bonachão Bob Newby. Sabe o novo namorado da mamãe que quer te conquistar? É ele e sim, conquista, você gosta logo de cara. Sem mais spoilers sobre seu futuro na série.

Barb merecia mais

Durante o último ano os Duffer Brothers falaram que dariam um fim digno a Barb. Ok, ela teve um fim, mas merecia mais. Excluída, sem flertes ou namorado, nerd como tantos de nós – talvez – fomos em algum momento. Um pouquinho mais de consideração seria legal, até porquê era a melhor amiga de uma das protagonistas.

Dustin, é o que a gente mais gosta e fim

Gaten Matarazzo é um caso a parte. Seu Dustin se consolidou como o mais querido da série – desculpa El. Outro bonachão, é aquele moleque gente boa, crianção de tudo mesmo e que cativa na primeira palavra, além de também ter um papel fundamental no desenrolar dos acontecimentos.

Dustin chama para si o protagonismo e sua cena final na temporada é o prêmio por um personagem tão incrivelmente cativante que uma lagriminha de alegria rola na hora.

PS: Dustin, quero um boné igual ao seu!

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Wynona Ryder, que mulher

Aos desavisados e mais novos que não conhecem Wynona Ryder, ela sempre foi uma grande atriz, fez filmes muito bons, encarou processo por roubo em loja e bum, caiu em Stranger Things pra nunca mais a gente esquecer dela.

Wynona dá vida a Joyce Byers, uma mãe solteira de dois filhos que tenta a todo custo educá-los e protegê-los, mas quando Will é acometido por todos os problemas causados pelo passado com o Demogorgon é que vemos a ferocidade de uma leoa.

Cuidadosa, afetiva, guerreira e voraz! Ela deixa a mãe oscilante da temporada passada para tomar as rédeas da porra toda e salvar seu filho. Não tem vitimismo, não tem coitadinha, é GIRL POWER pra cacete!

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Jim e Eleven

Esta é a relação mais inesperada e igualmente conturbada da série. O cuidado de Jim com Eleven não é opressor, me parece mais um extremo de medo de que algo aconteça com a criança mais procurada do mundo em Stranger Things.

Jim não quer perder outra filha, pensem nisso. Mas ele lida com uma criança e sabemos que neste caso o “não” é “sim”, ainda mais com uma com superpoderes. Infelizmente muita gente já problematizou essa relação e até deu a entender que poderia existir pedofilia. Sério? Sim, infelizmente – de novo.

A busca pela mãe

É óbvio que uma das maiores referências de um pré-adolescente são seus amigos, mas quando você não tem um pai ou uma mãe, nenhuma referência supre. Experiência própria. Naturalmente que nesta temporada Eleven vai em busca daquela que deveria ser a sua maior: a mãe.

Ainda que seja inimaginável uma menina de 12 anos atravessar cidades na base da carona para buscar sua mãe, ora, é uma série, é ficção e é claro que hoje vivemos em um mundo que uma jovem dessa idade não pode ir nem na esquina sozinha. Não vamos ser chatos analíticos nesse ponto, ok? Obrigado.

 É nessa busca que Eleven – vocês vão saber o nome real dela – encontra sua irmã perdida que acaba por se tornar uma mentora. Kali é o Professor Xavier da Eleven e a ensina a desenvolver seus poderes tal qual o mutante mor faz com seus alunos.

Stranger Things dominou o Mundo Invertido e o nosso

A segunda temporada de Stranger Things só veio para afirmar que a série é uma das grandes produzidas pelo Netflix. Não é uma aposta, é uma realidade que tomou de assalto a cultura pop atual tão compartilhada. Acho desnecessário comparar uma temporada à outra, justamente pela continuidade natural que tem que se dar.

O que acredito que se deve fazer é uma análise do geral e no geral Stranger Things se tornou uma entidade, tal qual seus vilões do Mundo Invertido. Eleven, Mike, Will, Lucas, Dustin e toda a turma de Hawkins, novos e antigos, vieram para marcar a era das maratonas de séries.

Segundo os Duffer Brothers, Stranger Things tem prazo de validade. Os irmãos já afirmaram que a previsão é de que a série dure quatro temporadas. Isso é tranquilizador, já que possivelmente não vai dar tempo de acharmos a história e personagens cansativos a ponto de perdermos o interesse.

Esperamos que isso seja verdade, afinal, amigos não mentem.

 

Fotos: Divulgação/Internet

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