Crítica: Star Wars – Os Últimos Jedi busca renovação da franquia

new-star-wars-the-last-jedi-poster-revealed_ypcfToda franquia que atravessa gerações precisa de uma renovação em algum momento, seja dos personagens, do visual ou do jeito de contar a história. Star Wars – Os Últimos Jedi acerta a mão, renovando todos esses elementos, sem deixar de lado o espírito original de aventura e dando complexidade emocional aos personagens.

Star Wars sempre definiu muito bem as relações entre o bem e o mal, a luz e as trevas, o certo e o errado, já aqui no oitavo episódio essas definições dão lugar a personagens mais humanos, que cometem erros e acertos e estão tentando entender qual é o seu lugar na história.

Isso traz uma carga maior de personalidade e realidade aos personagens, pois na vida real ninguém é 100% bom ou 100% mal, todos erram, todos têm dúvidas e assim passamos a vida tentando entender o nosso papel.

Na trama, Rey (Daisy Ridley) encontra Luke Skywalker (Mark Hamill) e tenta convencer o mestre Jedi a voltar para a guerra e liderar os rebeldes contra a primeira ordem, mas Luke se fechou para o mundo, exilado em uma ilha no planeta Arch-to, depois de cometer um grande erro que resultou na ida de Ben Solo/Kylo Ren (Adam Driver) para o lado negro da força. Enquanto isso a Primeira Ordem tenta acabar com as últimas forças da resistência rebelde em uma caçada pelo espaço.

O personagem mais polêmico neste filme é Luke Skywalker, pois sua personalidade e suas decisões dividiram a opinião dos fãs e do próprio Mark Hamill, que disse em entrevista não ter concordado com a abordagem do diretor e roteirista Rian Johnson sobre seu personagem, porém depois voltou atrás e disse que estava errado e conseguiu entender a motivação do diretor para ter “tirado seu personagem da zona de conforto”.

Realmente parece incoerente que mesmo com toda a sua experiência e depois de enfrentar com tanta força o lado negro na trilogia original, Luke aqui pareça tão confuso e covarde por motivos que não são convincentes.

Outro problema é a total falta de explicação sobre a origem do Supremo Líder Snoke (Andy Serkis) e do surgimento da Primeira Ordem depois da queda do Império com a morte de Palpatine e Darth Vader.

O foco do filme, do início ao fim é a história de Luke, Rey e Kylo Ren, mas paralelamente acontece a missão dos personagens já apresentados no Episódio VII, Finn (John Boyega) e Poe Dameron (Oscar Isaac), juntamente com os novos personagens: Rose (Kelly Marie Tran) e o caçador de recompensas DJ (Benicio Del Toro), criando assim um novo núcleo de apoio para a saga.

O longa, que tem 152 minutos de duração (maior da franquia) é repleto de referências ao Episódio V – O Império Contra-ataca, mas diferentemente do que havia sido especulado, o Episódio VIII segue seu próprio caminho enquanto traz um festival de emoção e nostalgia aos fãs da franquia (destaque para a aparição de um importante personagem da trilogia original).

Outra coisa que emociona muito são as aparições de Carrie Fisher, toda vez que a General Leia Organa entra em cena, o filme parece estar prestando a sua homenagem à atriz que faleceu em dezembro de 2016.

Ainda sobre a General Leia, o diretor Rian Johnson teve a oportunidade de ir por um caminho mais fácil, encerrando o arco da personagem, mas acertadamente não o fez e deu a ela um papel central de grande força e importância, deixando entre os fãs especulações sobre o futuro da eterna princesa.

Visualmente, Os Últimos Jedi é de encher os olhos, a impressão é de que as cenas, as combinações de cores, a fotografia e as paisagens foram pensadas minunciosamente para impressionar o espectador (deu certo!). A trilha sonora de John Williams também é espetacular.

Personagens icônicos como os droides R2-D2 e C-3PO ficaram apagados, deixando mais espaço para o recém apresentado BB-8. Ah, e também tem os Porgs, pense em uns bichinhos fofos que vão vender muitos bonecos e que acrescentaram um humor fofo todas as vezes que apareceram!

Enquanto Star Wars – O Despertar da Força apresentou os novos personagens, a impressão que fica em Os Últimos Jedi é a de entrega do bastão para a próxima geração com a renovação do elenco e da forma de contar a história, trazendo questionamentos e buscando misturar um pouco os conceitos de bem e mal.

Ousado, diferente e cheio de reviravoltas, Star Wars ganhou um importante capítulo saindo do obvio e surpreendendo. Muitos fãs mais conservadores odiaram o filme, mas é controverso que alguns fãs reclamem de inovação na série já que a franquia sempre buscou isso, desde o primeiro filme em 1977, quando acabou de certa forma inovando a forma de fazer cinema.

Vale demais o ingresso!

 

Nota: Ótimo

otimo - 4 gts

 

 

Texto: Fernando Lima

Edição: Marcelo Coleto

Fotos: Divulgação/Internet

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