Por que a DC não acerta no cinema?

justice leaguePor que a DC não acerta no cinema? Como diria o meu avô: – a pressa é inimiga da perfeição.

A Marvel tem a força que tem hoje no cinema, pois construiu o seu universo no decorrer da última década, construiu o arco dos seus principais personagens em filmes solos pra depois junta-los em uma equipe e cozinhou o seu maior vilão (Thanos) por metade desse tempo para só usá-lo em “Vingadores: Guerra Infinita” que estreia em 2018.

A Casa das Ideias conquistou com sua “fórmula” e hoje mantém um padrão de qualidade que seus fãs estão acostumados. Ao mesmo tempo faz pequenas modificações nessa receita para garantir a longevidade de seus sucessos.

A DC ainda não tem a uma “fórmula”, mas tem pressa para ter.

No primeiro filme desse universo DC, O Homem de Aço, assim como em Batman Vs Superman existe uma visão concebida por Zack Snyder, porém, devido as críticas em BVS, o estúdio, vendo o sucesso de sua principal concorrente, resolveu apostar em um tom mais leve.

Em Esquadrão Suicida tentaram algo mais cartunesco a exemplo do Deadpool da Fox, e na Liga da Justiça tentaram fazer algo parecido com Os Vingadores da Marvel.

O problema é justamente essa falta de rumo da DC no cinema e a pressa que eles têm para corrigir isso no meio das produções. É muito mais confortável tentar reproduzir uma fórmula que o público já se acostumou a ver na última década do que trabalhar na sua própria, mas será que além de mais fácil, é eficaz levar às telas um mesmo jeito de contar histórias usadas pelas concorrentes?

Em um primeiro momento, quando assistimos algo diferente daquilo que esperamos ver, é normal que haja certo espanto e receio como aconteceu em BVS, mas em vez de aprimorar seu universo e consertar as falhas, a DC resolveu tentar outro caminho, aplicando o jeito Marvel na Liga da Justiça.

Não que seja ruim, pelo contrário, é excelente e funciona maravilhosamente bem, mas só funciona para os filmes da Marvel e para o universo que ela criou.

Os fãs da DC não querem ver o mesmo tipo de filme nas histórias da DC. Acredito que se Zack Snyder tivesse mais tempo para aprimorar a sua visão, ele teria acertado a mão, mas a DC tem pressa e já lançou um Liga da Justiça meia boca sem ao menos dar um filme solo para o Batman antes.

A essa altura do campeonato já é quase certo que Zack Snyder está fora desse universo de filmes, ainda que se tenha certo clamor por sua volta como podemos ver os fãs exigindo que sua versão de Liga da Justiça seja liberada.

Agora traçamos um panorama, filme a filme, de como a DC se saiu nos cinemas até o momento, pouco depois do lançamento de Liga da Justiça. Confira!

O Homem de Aço – 2013

O primeiro filme do Universo Compartilhado da DC, não aparenta ter sido feito com grandes preocupações em estabelecer conexões com o mesmo. É simplesmente um filme do Superman focado no desenvolvimento do personagem e com uma abordagem diferente da história que todos nós já conhecíamos.

A DC apostou acertadamente em desenvolver diferentes momentos da vida de Clark Kent (Henry Cavill), com efeitos impressionantes e excelentes cenas de luta, mas sem deixar o realismo de Christopher Nolan (diretor da trilogia Cavaleiro das trevas – produtor em O Homem de Aço).

O Homem de Aço não é um filme perfeito, teve muitas críticas sobre a falta de otimismo presente nos quadrinhos e nos filmes do Superman de Christopher Reeve, porém Zack Snyder fez um bom trabalho dando a sua visão para esse novo mundo, tanto é que foi dado a ele a missão da expansão do universo: Dirigir Batman Vs Superman e posteriormente o filme da Liga da Justiça.

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 Batman Vs Superman: A Origem da Justiça – 2016

Muita expectativa para o primeiro encontro da história do cinema entre os maiores super-heróis de todos os tempos: Batman (Ben Affleck), Superman (Henry Cavill) e a incrível Mulher-Maravilha (Gal Gadot). Seria a concretização do universo de Zack Snyder.

A apresentação rápida do Batman de Ben Affleck não foi um problema, pelo contrário, foi um dos acertos do filme. A motivação para o embate entre quem dá nome ao longa também foi bem apresentada e a batalha entre os dois, apesar de curta, foi intensa.

Outro ponto forte do filme foi a maravilhosa trilha sonora de Hans ZimmerNos pontos fracos podemos destacar disparadamente o motivo da resolução da briga: basicamente o conflito se resolveu porque os dois heróis tem mães com o mesmo nome: Martha (ainda bem que a mãe do Clark não se chama Maria, senão o filme teria acabado ali rsrs).

O terceiro ato do filme também soa como um pretexto desesperado para juntar os heróis e enfrentar um vilão, mas serviu para apresentar a personagem da atriz Gal Gadot, que mandou muito bem em sua aparição, levando o público a aumentar a expectativa para o filme solo da Mulher-Maravilha.

BVS dividiu as opiniões, foi criticado pelo tom sombrio e teve uma bilheteria abaixo do esperado. O filme continua sendo debatido, mesmo tão depois do seu lançamento (na minha opinião, um bom filme é justamente aquele que levanta um debate e divide opiniões, mesmo tempos depois do seu lançamento). Independente de agradar ou não a todos com a sua visão, era fato que existia uma visão, um objetivo, uma história sendo desenvolvida por Zack Snyder.

Esquadrão Suicida – 2016

Esse não teve debate algum, pois é quase unanime que ninguém saiu satisfeito do cinema.

Uma colcha de retalhos – assim podemos resumir o filme de David Ayer, aliás, não é nem exatamente dele… Depois da repercussão negativa de BVS e de uma boa recepção do caricato e engraçado Deadpool da Fox, a DC resolveu dar uma pegada mais cartunesca e leve ao filme, mas tinha um problema: o filme já tinha sido filmado e inclusive já estava sendo divulgado.

A solução encontrada foi colocar mais piadas durante as refilmagens e editar o material que eles tinham e assim o fizeram: editaram, editaram mais, picotaram, colaram, cortaram e editaram mais. E o resultado foi esse mesmo: uma colcha de retalhos que descaracterizou um filme que nunca veremos do diretor David Ayer.

A tentativa foi de uma mudança de rumo e tom para agradar o público. Mas o que se viu foi uma verdadeira cagada. O esperado Coringa de Jared Leto quase não aparece, o próprio Leto disse que as suas cenas foram cortadas. A relação abusiva com a Arlequina (Margot Robbie) também foi excluída pois deixaria o filme pesado.

Alias, a Arlequina é uma personagem que funcionou no filme (não consigo lembrar de mais nada que tenha funcionado). Um filme muito ruim com uma história ruim, que todo mundo já esqueceu (eu mesmo ia esquecendo de coloca-lo aqui).

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Mulher Maravilha – 2017

Além da importância histórica de ter a Mulher-Maravilha nos cinemas em um filme solo, a produção acertou na escolha do seu tom, que abraça o realismo e o fantástico, em um roteiro simples e eficaz que conta uma história de origem, sem firulas e tramas mirabolantes.

Também acertaram na divulgação do filme e no discurso da protagonista Gal Gadot e da diretora Patty Jenkins.

Forte, feminina e carismática, a atriz israelense, já apresentada em BVS, se firma no papel da amazona. O longa tem problemas, seu vilão e a necessidade de mostrar um final tipicamente hollywoodiano com muitas explosões, efeitos especiais, raios e reviravoltas são os maiores erros, mas nada que apague a força desse filme tanto para o universo DC, quanto para a história do cinema.

As críticas foram boas e a bilheteria superou as expectativas, fechando em U$ 821,8 milhões de dólares (uma das maiores bilheterias de 2017).

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Liga da Justiça – 2017

Complicado. Essa é a melhor definição para a essa produção. A direção é assinada novamente por Zack Snyder, porém ele teve que deixar a produção do filme antes das refilmagens (todos os filmes passam por refilmagens para consertar detalhes). Snyder saiu em razão de uma tragédia familiar.

A direção das refilmagens ficou nas mãos de Joss Whedon de Os Vingadores, que também foi contratado para reescrever partes do roteiro. O filme foi editado, mais piadas foram inseridas, deixando um tom mais leve e descompromissado. É um bom filme de super-herói, mas nesse caso bom não é o bastante, pois se espera muito, muito mais de um filme da Liga da Justiça.

O Batman de Ben Affleck, que em BVS era um personagem sério, exausto de uma vida inteira lutando contra o crime e agressivo em seus métodos, dá lugar a um Batman piadista e aparentemente feliz por estar trabalhando em equipe.

O Cyborg de Ray Fisher foi apresentado no início do filme como sendo um ser atormentado pela sua condição, mas parece rapidamente se contagiar pelo espírito de equipe e se torna parceiro nas piadas do Flash, que é um personagem que não para de fazer piadas.

A impressão que dá é que faltou desenvolvimento desses personagens e um peso maior na trama do filme, já que em nenhum momento o público tem a real sensação de perigo ou de gravidade na trama.

Outra impressão é que tudo foi feito meio corrido para que Liga não ultrapassasse 2h de duração e isso afetou diretamente o desenvolvimento do longa. Definitivamente, não é o filme da Liga da Justiça que a maioria dos fãs que cresceram lendo os quadrinhos desses heróis esperavam ver.

Muito se especulava que antes das refilmagens que ele era bem diferente e tinha quase 3h de duração, era o filme do Zack Snyder. Existem petições de fãs pelo mundo onde se pede que seja liberada essa versão do Diretor.

Liga da Justiça continua em cartaz nos cinemas. A bilheteria vai bem, mas muito abaixo das expectativas da Warner e as projeções apontam para um prejuízo financeiro.

A Saída Agora é Apostar Nos Filmes Individuas

The Batman

Com ou sem Ben Affleck, o diretor Matt Reeves (Planeta dos Macacos: O Confronto e Planeta dos Macacos: A Guerra) está trabalhando em um roteiro para The Batman, ainda sem previsão de lançamento.

Inicialmente a direção ficaria por conta do próprio Ben Affleck, mas depois do mal desempenho de Batman Vs Superman, Affleck emitiu um comunicado alegando que para não interferir no seu trabalho como ator, ele preferiu não dirigir seu filme (cá pra nós, todo mundo sabe que foi a Warner que o afastou da direção por causa dos problemas envolvendo o ator).

Existe também uma grande possibilidade do vilão de The Batman ser o Exterminador, rumor que ganhou forças depois da cena pós-créditos com o personagem vivido por Joe Manganiello (inicialmente ele seria o vilão no The Batman escrito e dirigido por Ben Affleck) mas após a mudança na direção, tudo ainda é uma incógnita até que Matt Reeves confirme oficialmente.

Aquaman

O Aquaman (Jason Momoa), que foi bem recebido pelo público em Liga da Justiça, retorna as telas em 2018 para o seu filme solo, dirigido pelo fantástico James Wan (famoso pelas franquias Invocação do Mal, Sobrenatural e Jogos mortais, além de ter dirigido Velozes e Furiosos 7, mostrando que está apto a dirigir também filmes de grande orçamento).

Momoa disse em entrevista que o Aquaman de seu filme será bem diferente do personagem em Liga da Justiça, James Wan ratificou que a diferença existe e se mostrou empolgado com as filmagens, que já foram finalizadas.

Em Liga da Justiça, o herói agradou, porém, recebeu críticas por conta das suas repetidas expressões ditas durante o longa, coisas como “My man”, “Yeah”, “Uhul” e um festival de outras onomatopeias, coisas que definitivamente não farão parte da personalidade de Arthur Curry no filme de James Wan.

Aquaman está na fase de pós-produção e estreia em 21 de dezembro de 2018.

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Mulher-Maravilha 2 também já está confirmado e tem estreia marcada para dezembro de 2019. Novamente com Patty Jenkins na direção. A polêmica até então foi nos bastidores: se espalhou a notícia que o produtor Brett Ratner está sendo acusado por assédio sexual e estupro. Com isso, Gal Gadot teria dito que não faria mais o filme, caso Ratner permanecesse na equipe.

Em entrevista, a atriz explicou que o afastamento de Brett Ratner era inevitável e foi uma decisão coletiva dos envolvidos no projeto. O segundo filme da heroína deve seguir a mesma linha do primeiro, misturando o lado realista com o fantástico e deve ter um roteiro que continue mostrando a força da mulher. A história vai passar durante a Guerra Fria.

Além da DC, o mundo também precisa de mais filmes da Mulher-Maravilha e de outros filmes que tenham mulheres no papel de protagonistas autossuficientes.

The Flash: Flashpoint

O filme solo do flash se chamará The Flash: Flashpoint e caso siga a HQ, contará um dos arcos mais conhecidos do velocista. Na história ele viaja no tempo para salvar sua mãe e com isso acaba alterando todo o Universo DC.

Uma das alterações mais importantes é a morte de Bruce Wayne em vez de seus pais Thomas e Martha Wayne, com isso quem veste o manto do homem morcego é o pai de Bruce e sua mãe, Martha, enlouquece com a morte do filho e se torna o Coringa.

Portanto, o ator Jeffrey Dean Morgan, que interpretou Thomas em BVS pode voltar ao papel como Batman em Flashpoint.

O The Street Journal revelou que a Warner está perto de contratar um diretor para o filme que terá provável lançamento em 2020. Robert Zemeckis (De Volta Para o Futuro) é o mais cotado para a vaga. Ezra Miller continuará como Flash.

Shazam e Adão Negro:

Outro personagem confirmado para as telonas é Billy Batson, um garoto franzino que quando diz a palavra “Shazam” é atingido por um raio mágico e se transforma em um herói com poderes sobre-humanos.

David F. Sandberg.(Annabelle 2) dirige o longa que contará com Zachary Levi (Alvim e os Esquilos 2) no papel do alter ego de Billy. A estreia está confirmada para abril de 2019.

Principal vilão do Shazam nas HQ’s, o Adão Negro não participará deste filme, mas ganhará filme solo com Dwayne Johnson – The Rock. Ainda sem data de lançamento, o roteiro fica por conta de Adam Sztykiel (Um Parto de Viagem).

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Ainda Estão Nos Planos

Outros filmes que ainda não foram confirmados, mas que estão sendo estudados pela DC são:

  • Batgirl (Joss Whedon está trabalhando no roteiro)
  • A Tropa dos Lanternas Verdes
  • A origem do Coringa (a ideia não foi muito bem-vinda pelos fãs)
  • Coringa e Arlequina
  • Liga da Justiça Sombria
  • Ciborgue (pouco provável, depois do desempenho da Liga da Justiça)
  • Asa Noturna

Talvez essa seja a grande solução para o universo DC no cinema: fazer filmes individuais e dar liberdade para os seus diretores, que são foda no que fazem.

Um Liga da Justiça 2 antes disso seria um erro. A melhor jogada é trabalhar esses personagens em seus filmes solo, fazendo ligações sutis entre um filme e outro, só para lembrar que existe uma conexão e esperar o momento certo para juntar, novamente, a equipe.

Dessa vez com um bom roteiro e com um jeito próprio de contar uma boa história.

Texto: Fernando Lima

Edição: Marcelo Coleto

Fotos: Divulgação/Internet

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