Deftones: o sobrevivente do new metal está de volta ao Rock In Rio

O ano era 1995 e com ele estava nascendo um movimento que pegaria os xiitas do metal de calça de couro curta durantes os anos que viriam.

Influenciado por nomes vindos do fim dos anos 80 como Faith No More, Pantera e até Red Hot Chili Peppers, o new metal – ainda sem essa denominação -, ia se estabelecendo.

O Rage Against The Machine já tinha dado as caras, o Korn já havia lançado seu primeiro álbum e o Deftones figurava como o filho mais novo do “movimento”.

“Adrenaline” era lançado em uma época de poucos frutos nas vertentes mais tradicionais do metal – não falo de qualidade e sim de quantidade -, o que com certeza abriu espaço para o grupo se juntar à outras bandas em shows conjuntos e festivais, ainda que nada tão significativo.

Não por acaso, dois anos depois o grupo lançaria “Around The Fur” que teve em uma participação especial seu maior trunfo.

Max Cavalera, então vocalista do Sepultura, dava voz à música Headup e, além disso, Be Quiet and Drive (Far Away) e My Own Summer (Shove It), faixa que abria o disco, estavam entre as mais tocadas da, até então ainda muito respeitada MTV, e em inúmeras rádios pelos Estados Unidos.

A coisa já estava melhor, o cenário já estava armado para a explosão do new metal no fim dos anos 90 e começo dos anos 2000. Opções não faltavam e OzzFest’s também não. O festival foi, talvez, o grande responsável por mostrar inúmeros grupos vindos do gênero na época.

Aliás, foram anos fundamentais para o estilo se consolidar, ainda que durasse por apenas mais alguns. Mas o start foi dado um ano antes, em 98, quando o Korn fincou a bandeira com “Follow The Leader” e bundas foram chutadas com Freak On A Leash e Got The Life.

Adianta a fita um ano. Em 1999 o Slipknot aparece com seus macacões, suas máscaras e batucando em latões com seu sefl-titled. Enquanto isso o System of a Down estava colhendo os frutos do seu primeiro trabalho, do ano anterior.

Próximo ano! O Limp Bizkit entra em 2000 de sola (usando um Adidas, claro) com seu “Chocolate Starfish and the Hot Dog Flavored Water” e emplaca um hit atrás do outro: My Generation, My Way, Rollin’, Take a Look Around e Boiler.

E aí, amiguinhos, não preciso nem dizer que eu já tinha sido engolido por tudo isso aí que falei. E foi justamente neste ano que conheci “o tal Deftones”. Conversa vai, conversa vem, umas idas na Galeria do Rock (em São Paulo, se você nunca foi, desculpa, aproveita enquanto é tempo) e voilá a gente escuta Feiticeira, música que abre os trabalhos em “White Pony”.

Confesso que eu pensei: “Máqueporra é essa?” e, a bem da verdade é que eu gostei bastante. Na época não era esse mamãozinho com açúcar e leitinho com pêra pra ouvir bandas novas. Era oh: uma bosta! Baixar era um parto e comprar era caro, mas Deus salve os fazedores de bootlegs.

E lá vamos nós comprar aquelas coletâneas mais mal gravadas que os seus vídeos no Instagram por 10 pilas na Galeria (já foi?) e assim conheci muitas das bandas de new metal da época. Se pá até tenho alguns desses discos, não sei.

Enfim, no “White Pony”, você vai gostar também de Digital Bath e Change (In The House of Flies). Vale ouvir. E bom, no meio de tantos bons lançamentos, o Deftones se firmava, realmente e de vez, na cena americana e, como vocês puderam ver, figuravam por aqui também.

“White Pony” foi marcante para o Deftones, pois encerrou a parceria com o produtor Terry Date, iniciada no primeiro disco.

Anos se passam e com eles, o Slipknot, o System of a Down e o Linkin Park passaram o carro na galera com “Iowa”, “Toxicity” e “Hybrid Theory”, respectivamente, e outras bandas começam a se destacar.

Mas o Deftones, que não é bobo nem nada, lança em 2003 o excelente disco que leva seu nome. Já adianto que Minerva é a minha preferida e a capa é um clássico do gênero (essa aí embaixo). Eu mesmo tinha uma, que até hoje faço interrogatórios familiares para saber onde foi parar, mas já ando disposto a comprar outra.

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Capa de “Deftones”

“Saturday Night Wrist”, de 2006, pra mim é, tipo, ok. Num tem nada demais – não é ruim -, por isso a gente já pula pros anos seguintes.

Em 2007 o Deftones já entrava em estúdio para gravar um novo trabalho – tá vendo, o “SNW” é ok mesmo -, mas aí a casa cai, mas cai assim oh: muito. No ano seguinte, a banda perderia seu baixista, Chi Cheng.

Não que ele tenha morrido, não, mas sofreu um acidente que o deixou em coma. O Deftones estava oficialmente em hiato. Em 2009 Sergio Vega o substituiu e inúmeras iniciativas foram feitas para ajudar com os custos para manter Chi vivo e ajudar sua família.

A maior delas foi A Song for Chi, música que reuniu inúmeros músicos, como Head e Fieldy do Korn, James Root do Slipknot e muitos outros, que teve sua renda revertida para ajudar o baixista.

“Eros” não foi lançado até hoje e em 2010 o Deftones lançaria o seu melhor disco até então: “Diamond Eyes”. A faixa-título e Rocket Skates são insanas, muito boas e elevaram o status do grupo que conseguiu se manter mesmo em meio a tragédia, que ainda não tinha terminado.

Aí você pensa: “Ok, lançaram um álbum fod* e tal, mas e agora?”

E agora, “Koi No Yokan” meus amigos.

Em 2012 Swerve City e Romantic Dreams bateram aqui nos ouvidos e bom, se você lê o site faz tempo, sabe que ele foi eleito aqui o melhor disco daquele ano – desculpa, mas foi mesmo e fim.

É, dois discos incríveis, mas Chi ainda estava em coma. Em abril de 2013 o grupo comunica o falecimento do baixista. Lembro que cheguei de algum role, de madrugada e entrei no Facebook sei lá por qual motivo e uma amiga havia postado a foto dele com um “#RIPChiCheng”. Desolação total. Nada mais a falar sobre isso.

Enfim, agora você já conhece um pouco da história do Deftones e a gente explica os motivos de você não perder o show deles no Palco Sunset do Rock In Rio no dia 24 de setembro.

Pô, os caras vieram aqui em 2001, no mesmo festival, oh a responsa, mas na época muito pouca gente – menos ainda do que hoje -, os conhecia.

Já fui em dois shows dos caras e é INSANO de bom! Além de uma banda inventiva em estúdio, que notadamente é diferenciada das outras bandas de new metal, com um som único, eles também são muito criativos no palco.

Não é aquele grupo que você vai no show e ouve exatamente a mesma coisa que está no CD. Menos ainda é uma banda que você tem que esperar os hits do passado pois as músicas novas são umas porcarias, pelo contrário, algumas são até melhores.

Outra coisa é de que a organização do Rock In Rio – sem puxassaquismo -, acertou em cheio em colocá-los no Sunset. Um palco menor, com bandas mais “a cara” deles, um público que conhece mais sobre eles. Seria ruim o Mundo, acredito que ficariam deslocados, ao mesmo tempo que muito mais gente poderia conhecê-los e que eles merecem. Enfim.

O Deftones é um sobrevivente do new metal, pois está aí há mais de 20 anos, sobrevivendo mesmo sem ter lançado um álbum que os carregasse como reis do mainstream, mas que se mantém, fiel, confortável e estável nessa posição.

Pra mim o Deftones sempre foi uma banda linear, sem altos e baixos musicais, manteve o mesmo nível em todos os seus álbuns e sobreviveu às denominações, aos gêneros e aos modismos passageiros.

Com certeza merecem mais atenção no Brasil e tocar – de novo! -, no Rock In Rio é um tapa na cara pra quem nunca ouviu ir lá nos streamings da vida e procurar ou dar o play nos vídeos que a gente postou aí.

Vai fundo, vale a pena.

Ah e pra não deixar por menos, acho bom vocês ouvirem Team Sleep, Crosses e Palms, todos projetos do Chino Moreno, vocal do Deftones, e todos muito bons.

E pra encerrar, vai o clipe de Back To School, música do “White Pony” que a gente não mencionou de propósito e deixou pro final só porque é a melhor deles!

Foto: Divulgação/Internet

 

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