Entrevista exclusiva com a banda holandesa De Staat: novo álbum, músicas e até política brasileira

No último dia 18 a banda holandesa De Staat (em português O Estado) lançou seu mais novo álbum de estúdio. “Bumbble Gum” chegou cheio de reflexões sobre, literalmente, vivermos em uma bolha, seja ela musical, de estilo e até mesmo de política, ou seja, de pensamentos.

Bom, em cima deste lançamento o Rock Noize “voou” até a Holanda – pela internet, claro! -, para conversar com os caras e ver como foi o processo de gravação do disco, a elaboração das músicas e tudo o que estava por trás dessa “bolha”.

Quem bateu um papo com a gente foi o simpático vocalista Torre Florim, que adora o Brasil e nos revelou que em breve eles devem aterrizar por aqui para mostrar as novas faixas. Além de tudo isso, ele ainda se mostrou a par da situação política do nosso país. Legal, né?

Confiram a nossa conversa abaixo e aproveitem para escutar o novo álbum da De Staat e saber mais sobre eles entrando aqui.

Rock Noize: Como foi o processo de gravação e produção de “Bubble Gum”?

De Staat: Foi muito divertido, na verdade. Eu sempre começo com um certo elemento que eu ouvi em outro lugar, como uma parte da batida, como a batida de “Single Ladies” de Beyoncé ou a maneira como alguém canta ou algo assim.

Eu meio que roubo essa parte, como ponto de partida. Mas eu mexo com isso e combino com outra coisa. Isso tudo acontece no estúdio. Então eu improviso sobre essas coisas e no final do dia eu tenho algo de musical. Uma batida pelo menos.

Quando tenho algo que me faz bem, envio para os outros caras e, literalmente, no dia seguinte, podemos gravar a faixa e terminá-la no final do dia. Letras sempre vêm por último. No começo eu apenas canto palavras foneticamente. Mas muitas vezes algumas dessas palavras ficam por aqui. Algumas palavras não fazem sentido, mas soam deliciosas, então eu tento mantê-las.

Este é o nosso quinto álbum, e as pessoas tendem a pensar que deve estar ficando mais difícil escrever material novo quando vocês estão juntos por tanto tempo. Mas eu sempre tenho muitas idéias, provavelmente idéias demais. Talvez eu enlouqueça um dia.

Rock Noize: De onde surgiu a ideia do nome do álbum?

De Staat: Bubble Gum é sobre estar em uma bolha, de diferentes maneiras. Quando trabalhei nas músicas, notei que muitas das novas músicas estavam em uma espécie de bolha.

Bolha parece ser a palavra de hoje. A nova religião, as pessoas têm mais fé em sua própria bolha. As informações que melhor se adequam à sua opinião. E as informações de que você não gosta, você não está aberto.

Para mim, começou com a produção da música KITTY KITTY, onde eu estava obcecado com a campanha política em torno de Trump, e o contraste entre dois grupos bem distintos: esquerda e direita, democrata e republicano azul e vermelho.

Ambos os grupos pareciam estar em realidades tão diferentes, bolhas diferentes. É sobre isso que se trata o vídeo do KITTY KITTY: você nos vê como dois grandes grupos furiosos, um De Staat azul e um vermelho, atacando um ao outro.

Mais ou menos como a divisão no Brasil entre Bolsonaro e Haddad, certo? E sou culpado de estar em uma bolha também, claro. Politicamente ou pessoalmente. Às vezes eu me sinto muito isolado durante a produção deste álbum. Mas nem sempre é ruim.

Estar em uma banda é basicamente estar em uma bolha itinerante, haha. E você definitivamente tem que estar em uma bolha para terminar um álbum. Então, enquanto trabalhava no disco, fiquei obcecado com bolhas em geral. O que é verdade, o que é real, o que é falso? Esse tipo de coisa.

Então, quando a maioria das novas músicas tinha esse tema de maneiras diferentes, eu senti que o álbum precisava ser chamado de ‘Bubble Gum’: como uma massa de bolhas presas juntas em um álbum.

Rock Noize: O que mudou desde o lançamento do primeiro álbum para “Bubble Gum”?

De Staat: Eu diria que estamos um pouco mais relaxados. Nós sabemos quem somos e o que queremos melhor. Eu também acho que musicalmente nos tornamos um pouco mais estranhos, um pouco mais parecidos conosco e um pouco mais diferentes de todos os outros. E temos muito mais pessoas ouvindo nossa música. Então, no geral, somos um bando de pessoas felizes.

Rock Noize: Vocês são uma banda que mistura vários estilos em suas músicas. Quais são suas influências e como elas se encaixam?

De Staat: Nossas influências estão por todo lado. Quando criança eu era um grande fã de Queen e sua ampla gama de estilos. Quando adolescente, toda a cena do rock no deserto era minha geléia.

Agora, eu principalmente sou influenciado pelo som do hip hop e da dança mais do que qualquer coisa. Eu acho que é onde a maioria das coisas interessantes está acontecendo sonoramente.

Por alguma razão, a grande variedade de estilos se encaixa. Acho que é porque gosto de combinar pequenos elementos de todos os gêneros. Colocá-los juntos em uma demonstração,e eles começam a brincar com isso como uma banda. E quando nós cinco tocamos juntos, ele automaticamente começa a soar como nós.

Rock Noize: Ao longo da carreira, vocês excursionaram com grandes nomes do rock. Como essas experiências influenciam as músicas?

De Staat: Nós aprendemos muito com eles. Nós sempre queremos ser muito fáceis de trabalhar para suas equipes, então tentamos ser humildes e conhecer nosso lugar.

Nós não pedimos muito. Eles trazem os fãs, nós gostamos da atenção deles. E nós temos um propósito como abertura, queremos aquecer a multidão deles o melhor que pudermos.

Você aprende muito com isso. Como se conectar com um público que não está lá para ver você? Isso pode ser um desafio. Também olhando para uma grande produção como o Muse é divertido. Como eles fazem isso e por quê? Nós todos amamos ver essas coisas e aprender com isso.

Rock Noize: O que podemos esperar de você em 2019?

De Staat: Muitas turnês, festivais e novos videoclipes. Adoramos fazer vídeos, então mantenha os olhos abertos para novos.

Rock Noize: Um show no Brasil não seria nada mau. O que vocês acham?

De Staat: Concordo. Nós devemos vir em breve. Eu sei que as pessoas estão falando sobre isso, então vamos fazer acontecer …! Meu irmão morava em São Paulo, então eu também estive lá por um tempo. Que país excitante vocês vivem.

Rock Noize: Vocês conhecem música brasileira? Existe algum artista que gostam?

De Staat: Eu sou um grande fã da música da Tropicália. Toda essa cena psicodélica brasileira dos anos sessenta e setenta é incrível. Os Mutantes, Gal Costa, Gilberto Gil, adoro! Eu adoraria saber mais sobre os artistas brasileiros legais de hoje, então me deixe saber o que você tem para mim!

Rock Noize: Muito obrigado pela entrevista e parabéns pelo novo álbum! Estamos esperando por você aqui em breve.

De Staat: Obrigado! Eu prometo a você que vamos, mal posso esperar para voltar.

Foto: Divulgação/Internet

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