Entrevista exclusiva com Labirinto: “Sair do Brasil e ter um monte de gente que admira o Labirinto é recompensador”

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Um dos grupos brasileiros mais respeitados do cenário post rock experimental, Labirinto, concedeu entrevista para o Rock Noize falando sobre sua última turnê internacional, comentando sobre os perrengues, os momentos inesquecíveis e sobre os planos pro futuro que vão do lançamento do novo vinil “Gehenna”.

Com mais de 11 anos de carreira e longa relação com o público estrangeiro, o Labirinto vem ganhando cada vez mais destaque pelo mundo e pela mídia especializada, que a cada novo material lançado, enchem o grupo de calorosas críticas e rasgam elogios pelo potencial da banda.

Considerados uma das maiores potências nacionais e com uma das maiores legiões de fãs, que comparecem em peso a cada nova apresentação, caso você ainda não conheça o trabalho dos caras, pode se preparar, pois você vai ouvir muito esse nome ainda.

Leia e aproveite:

Rock Noize: Vocês estão retornando de uma turnê europeia relativamente longa, mas que não foi a primeira vez que vocês tocaram pelo velho continente. Foi possível sentir alguma diferença nessa nova turnê?

Labirinto: Essa é a nossa quinta turnê internacional, a terceira pela Europa. Cada vez que vamos temos alguma novidade; conhecemos novos lugares, pessoas e bandas. Passamos por diferentes experiências. Algo muito bacana que sentimos nessa tour é que nosso público na gringa aumentou bastante. O pessoal vai aos shows exclusivamente para nos assistir, e comprar o merch da banda. Em quase todas as apresentações fomos headliners dos eventos, com muita gente vestindo camisetas da banda, alguns vendo o Labirinto pela segunda ou terceira vez, já de outras turnês. Isso para uma banda, ainda mais do Brasil, não tem preço.

Rock Noize: Foram 10 países em pouco mais de 15 dias, imagino que vocês fizeram todo o percurso em vans e ônibus, o que vocês apontam como prós e contras dessa jornada?

Labirinto: Fizemos todo o trajeto da tour com uma van que alugamos com parte do equipamento. Outra parte foi emprestada pelo pessoal das bandas Kokomo e Magma Waves, que além de tudo ainda cedeu o estúdio deles em Duisburg, para ensaiarmos e dormimos no início da tour. É a segunda vez que os alemães nos ajudaram em turnê. Levamos do Brasil nossos instrumentos, sintetizadores, partes da bateria e boards de pedais. O bacana de fazer tour nesse esquema, é que podemos conhecer e interagir com muitas pessoas em lugares diferentes, além de podermos controlar nosso percurso. Os contras é que temos de ser extremamente disciplinados e metódicos para conseguirmos êxito durante a tour; as distâncias em estrada podem ser bem longas, não podemos correr o risco de atrasar para chegar em um show, por exemplo.

Rock Noize: Achei muito legal o Diário de Viagem que vocês fizeram ao longo da turnê através de textos e vídeos, de quem foi a ideia? Vocês pretendem lançar algum material como um DVD ou um cd ao vivo?

Labirinto: Quando fizemos a nossa primeira turnê, que foi nos EUA/Canadá captamos diversas imagens do cotidiano da viagem, e lançamos um documentário está no youtube, chamado A Road Movie (veja clicando aqui). Recebemos contato de diversas bandas e artistas brasileiros querendo sugestões e dicas para realizarem turnês na gringa; foi muito bacana. Na última tour nos planejamos e conseguimos fazer um diário de viagem para o blog “Tenho Mais Discos que Amigos” com textos e fotos, e para o “Scream & Yell” com textos e vídeos. Sim, pretendemos lançar algum material, não sabemos em qual formato ou quando, ainda.

Rock Noize: Lendo os textos, é bem claro como cada apresentação foi bem peculiar, tendo inclusive uma apresentação em um barco! Como foi essa experiência? Qual show vocês mais curtiram?

Labirinto: Cada show, cada lugar tem suas peculiaridades. Sinceramente, adoramos todas as apresentações e cidades em que passamos; não existe um show predileto. Já havíamos nos apresentado em um barco na outra turnê; é muito bacana ver como os gringos utilizam diferentes espaços não usuais para realizar eventos culturais diversos, oferecendo uma infraestrutura excepcional. Tocamos pela primeira vez na Romênia, e ficamos apaixonados. Porto, onde não fomos à tour passada, também é um lugar especial.

Rock Noize: Obviamente vocês devem ter passado por alguns perrengues ao longo da turnê, o que vocês podem contar para os fãs sobre esse dia a dia? Algum perigo? Algum acontecimento engraçado? Alguma coisa bizarra que aconteceu?

Labirinto: Os maiores perrengues são em relação a comida e banho, já que permanecemos muito tempo na estrada, e somos todos vegetarianos. Os dias em que tocamos são tranquilos em relação a isso, pois os produtores sempre oferecem bons jantares e hospedagem. Mas na estrada, temos que nos virar com a comida que carregamos na van, ou se conseguimos achar algo sem carne pelos postos de gasolina da vida, haha.

Perigo, creio que tenha sido as estradas da Romênia, cheias de caminhões e bem tortuosas, mas com uma vista espetacular. Entre os acontecimentos engraçados destacamos um em que fomos parados pela polícia da Espanha, que nos pediu para abrir a van em Zaragoza para eles examinarem. Quando abrimos, o policial viu a “bagunça“, olhou para o outro guarda, e nos perguntou “Vocês são músicos mesmos, né? Ah, podem ir”. Acho que eles ficaram com preguiça e medo de ter que olhar tudo, haha.

Rock Noize: No Diário vocês comentam de fãs que usavam camisetas antigas de vocês e que estavam lá novamente para acompanhar essa nova apresentação do Labirinto, essa fidelidade talvez seja uma das sensações mais recompensadoras para o a banda não é?

Labirinto: Cara, como escrevi antes é algo extraordinário, pois é sincero e genuíno. Isso não tem preço. Sempre nos comunicamos com pessoas de outros países que gostam da banda, e que compram nosso material. Temos uma relação muito próxima, devido à internet e às turnês que realizamos. Somos amigos ou conversamos com pessoas que tiveram em nossos shows em 2011, por exemplo; e cada vez mais, isso cresce. Você ir do Brasil pra fora, e ter um monte de gente que admira o Labirinto, vai aos shows e interage conosco, é algo muito recompensador.

Rock Noize: Como foi visitar o escritório do selo de vocês? Os fãs podem aguardar novidades?

Labirinto: Foi algo sensacional. Sempre admiramos o trabalho e as bandas que fazem parte da Pelagic Records, e assinar com eles foi algo inesperado e muito bacana. Vimos de perto toda estrutura e dedicação que eles possuem com os artistas que representam. Além da valorização de toda carreira do Labirinto, nos passa segurança e um grande suporte para nossos futuros lançamentos e turnês. Certamente, podem esperar um novo álbum que não deve demorar muito.

Rock Noize: De volta ao Brasil, quais os planos para o futuro? Alguma nova turnê em vista?

Labirinto: Estamos realizando shows de lançamento do Vinil do “Gehenna” que acabamos de trazer da Europa; como em Belo Horizonte, que aconteceu no dia 15/07 , Rio de Janeiro e dois em São Paulo, que irão acontecer ainda esse mês e no próximo . Começamos a compor músicas novas pro próximo disco, que deve sair em 2018. Já estamos planejando a próxima turnê para Europa, e vamos gravar algo bem bacana; o Instrumental Sesc Brasil, no SESC Consolação dia 21 de agosto.

Rock Noize: Agradeço a atenção e deixo um espaço para que vocês possam mandar um recado para os fãs!

Labirinto: Nós que agradecemos pelo carinho que sempre tiveram por nós. Um grande abraço labiríntico a todos e esperamos vê-los nos próximos shows. Anotem aí as datas, e sempre que tiver alguma novidade, podem acompanhar peloFacebook da banda, clicando aqui.

Fique de olho nas datas dos próximos shows:

29/07 – Centro Cultural São Paulo

11/08 – Teatro Sérgio Porto, Rio de Janeiro

21/08 – Sesc Consolação , São Paulo

Foto: Divulgação/Internet

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