Entrevista Exclusiva: Henrique Pucci, batera do Noturnall, fala sobre carreira, novo DVD e muito mais

O último dia 24 de abril marcou a história de um dos nomes mais proeminentes do metal nacional. A banda Noturnall gravou um DVD ao vivo com muitas inovações, participações especiais e até números de ilusionismo. Ainda não se sabe quando será o lançamento, mas os fãs já estão ansiosos.

E para deixá-los mais na expectativa ainda, o Rock Noize conversou com Henrique Pucci, baterista da Noturnall, que falou sobre o DVD, claro, mas também sobre sua carreira, desde o início, contou histórias muito bacanas e deu até dicas para as bandas mais novas.

Nas linhas abaixo vocês vão poder conferir uma das entrevistas mais bacanas e reveladoras que já fizemos neste site. Leiam e compartilhem, o metal nacional precisa muito de divulgação!

Rock Noize: Henrique, primeiro conta pra gente e pros fãs que vão conferir a entrevista quem é Henrique Pucci, qual a sua formação, que bandas tocou, suas influências, enfim, tudo!

Henrique Pucci: Sou baterista desde que me conheço por gente, aos 4 saia com meu pequeno tambor na congada em Minas quando visitava meus parentes, cheguei a invadir uma vitrine da extinta Loja Weril no centro, onde morava, para tocar a bateria que estava na vitrine no caminho do parquinho.Continuei tocando minha caixa na TIP (Torcida Infantil do Palmeiras) quando ia aos jogos do Palmeiras com meu pai. Cresci em diferentes mundos sociais, étnicos, sendo difícil pra mim até hoje entender porque um não gosta do outro, e inevitavelmente acabei trazendo isso pra música.

Minha primeira experiência com banda foi no colégio tocando músicas gospel, onde nossa diversão era tocar o mais forte possível até a bateria começar a se desmontar e cair, ai meu pai viu que era serio e me deu uma bateria Gope usada, com um prato de latão, dormi uma semana em baixo do surdo dela de felicidade, desde então não parei, tive uma banda de Metal, Landscspes, depois outra banda de metal industrial, o Dollflesh, uma das pioneiras em música orgânica e eletrônica, depois toquei por 13 anos no Paura, banda clássica do hardcore paulista, excursionando a Europa em três ocasiões, assim como diversas regiões do Brasil, juntamente com meus estudos em áudio, quando resolvi abrir um estúdio, onde trabalhei durante 10 anos gravando muitas bandas do cenário underground, na sequência, em 2011, a convite da banda, a qual ja havia gravado um EP, entrei para o Project46, a uma semana do show de lançamento do primeiro CD, no Inferno, já que não queriam mais o primeiro baterista Guilherme Figueiredo na banda.

Como membro na banda, coloquei toda minha energia, e finanças, pudemos desfrutar de ótimos momentos como Monsters of Rock e Rock in Rio, até o momento em que os donos da banda acharam que eu não servia mais, fui colocado pra fora da banda, com as frases: “Você na banda é como se fosse colocar o Lars no Iron Maiden” e ao perceberem que fiquei mal: “O momento de parar é duro mesmo…” Um inesperado e difícil momento pra mim, pois sempre me dei bem pessoalmente e tecnicamente por todas as bandas que passei. Essas frases só me deram mais vontade de continuar, e melhorar.

Porém como a história e o tempo nos mostram, acabou sendo a melhor coisa que poderia ter me acontecido, me livrando de um clima pesado, onde eu não estava sendo valorizado e nem meu trabalho. Pude perceber isso mais claramente através do carinho dos fãs e com os convites que acabaram surgindo, um deles do Paulito, amigo e vocalista do Clearview, que foi a primeira pessoa que eu gravei na vida quando ele tocava no Good Intentions, que me convidou para tocar no Clearview e em 6 meses lançamos um CD e como tocar no This is Hardcore, na Filadélfia, um dos maiores festivais de Hardcore do mundo e logo após entrando no Endrah, Extreme Fight Metal, a qual exige o meu máximo como baterista e a cinco meses atrás, o Thiago Bianchi me fez o convite para fazer alguns shows na Noturnall, no lugar do Aquiles, que estava fora, logo nos demos super bem, nossos santos bateram, e tão logo um belo entrosamento com a banda e mais tarde no LIVE em estúdio que fizemos acabei sendo anunciado como membro da banda de fato, e hoje respondendo essa entrevista extasiado com o show que fizemos ontem no Abril Pro Rock e a gravação do DVD.

Continuo tendo aulas e lecionando bateria, procurando evoluir cada vez mais, como pessoa e como baterista, o que já faz parte de mim. Continuo também com meu projeto eletrônico e orgânico Diva Muffin, e prestes a lançar um vídeo com uma música inédita com 2 amigos, Gabriel Astolfi ( Against Tolerance ) e Bruno Ladislau ( André Matos ).

Rock Noize: São quatro anos desde o lançamento do primeiro disco e hoje vocês são uma das bandas mais relevantes do metal nacional. Ao que se deve isso?

Henrique Pucci: Talento e trabalho, foi muito bom encontrar pessoas que acreditam nessa combinação como eu acredito, ainda mais no Brasil, com seu jeitinho brasileiro, onde pode parecer que uma indicação vale mais, acredito que até mesmo a indicação necessite de talento e trabalho e quando desenvolvido de forma constante, com perseverança os frutos acabam chegando.

“Entender o meio onde está inserido a meu ver é o mais importante para se fazer boa música”

Rock Noize: Como foi chegar ao sucesso tão rápido em um mercado tão tradicional e em tempos de música tão efêmera?

Henrique Pucci:  Pra quem está de fora parece ser rápido, mas o “sucesso” , entre aspas, porque estamos apenas no começo, é resultado de anos de trabalho que cada um na banda já desenvolveu, onde cada um aprendeu lições importantíssimas que não se aprende na escola, praticamente todos nós temos longas experiências com bandas, onde tão importante com o que deve ser feito, aprendemos também o que NÃO deve ser feito. Entender o meio onde está inserido a meu ver é o mais importante para se fazer boa música e para se fazer shows.

Rock Noize: Você acha que a internet, as mídias sociais e a facilidade de se consumir música contribuiu para o sucesso da Noturnall?

Henrique Pucci: Na verdade eu acho que deixa todo mundo preguiçoso e acaba tirando um pouco o encanto de ir conhecer uma banda ao vivo, eu acho muito mais empolgante ver um jogo no estádio do que na TV, mas temos bem menos gente indo aos estádios do que vendo jogos na TV. As dificuldades financeiras e de acesso fazem esse contato físico ser para poucos que podem pagar ingresso e se locomover, é de certa forma elitizado a música, o que eu acho ruim, porque a musica é um dos poucos lugares que de onde vc vem, o quanto você tem, a sua cor nao deveriam contar.

Rock Noize: Quatro anos é pouco tempo, mas o que já mudou de 2014 para cá? Não apenas na formação, mas nas gravações, nos shows…

Henrique Pucci:  O tempo é algo relativo, creio que as pessoas temem em ficar velhas porque não tem planos a serem concretizados ao logo dos anos, muitas vezes não vejo a hora de ficar mais velho, só para ver como estarei depois de passar um tempo praticando o que estou estudando ou com meu Ioga estará em 2 anos, fico ansioso pra chegar lá, justamente porque tenho algo a conquistar, de 2014 para cá foi um período de conscientização, auto conhecimento e evolução e assim foi nas gravações, tirei meu melhor som de bateria da vida ( no meu esdruxulo gosto, RS… ) no último LIVE da Noturnall e estou tocando muito coisa que gostaria de tocar, dividir o palco com músicos convidados de grosso calibre e história como Alírio Neto e James Labrie.

Nos shows posso me dedicar mais à bateria por sempre contar com excelentes roadies, como o Gabriel Hatoun, e técnicos que no precisam tirar dúvidas do equipamento comigo, posso me dedicar a tão grandiosa MÚSICA, e curtir os shows junto aos meus parceiros de palco e junto ao público, resultando em um trabalho cada vez mais profissional.

“É um sinal que as pessoas estão se conectando as nossas emoções de algum forma, essa forma mágica que é a música”

Rock Noize: Hoje vocês se apresentam para plateias sold out, é o ápice da Noturnall?

Henrique Pucci:  É um prazer que eu não havia tido em outras bandas, um sensação que estamos no caminho certo, embora não acredite em caminho certo, RS… Mas que podemos dar continuidade ao trabalho ao invés de mudar o trabalho, é um sinal que as pessoas estão se conectando as nossas emoções de algum forma, essa forma mágica que é a música a qual cada vez me orgulho mais de fazer parte, muito embora sabemos que momentos bons e ruins fazem parte, a diferença é como lidar com cada um deles.

Rock Noize: Quais as dicas você pode dar para as bandas que estão começando e até mesmo as contemporâneas de vocês? Henrique Pucci:  A dica é trabalhar, trabalhar ir a fundo no seu talento, descobrir o seu máximo, não deixar as coisas mundana entrar no meio e principalmente deixar o ego e vaidade de lado e se ater a música, pois esses dois últimos são o que destrói bandas e fazem você não evoluir, é por último, levantar o mais rápido possível das quedas, pois elas são inevitáveis, e não dar bola para quem quer te ver mal, pois você tem muita bola pra dar pra quem quer te ver bem e apoia seu trabalho.

Rock Noize: Vocês acabaram de gravar o DVD “Noturnall Freakshow” cheio de inovações no palco. Explica pra gente de onde saiu essa ideia, como foram os ensaios e é claro, o show.

Henrique Pucci: Esse DVD surgiu com a ideia de um acústico, primeiramente em conversa entre o Quesada e Alírio Netto, a ideia das mágicas, só poderia ter vindo do Thiago, rs…. e abraçada por todos, pra mim isso é fazer arte, criar algo novo, fazer algo que no existia antes passar a existir, percebi que a música está mais perto do mágica do que imaginamos. Foi uma grande responsabilidade criada, ainda mais por termos que pensar no show é também ensaiar as músicas do Labrie e Alírio juntamente com a produção artística e técnica desse show, ensaios no circo, todo o trabalho de escritório para trazer o Labrie, tudo isso impossível de acontecer sem a dedicação ao extremo de todos por dias a fio, mas onde o resultado faz valer cada gota de suor.

Rock Noize: Vocês já têm em mente qual será o primeiro clipe retirado do DVD? Aliás, quando será o lançamento do registro?

Henrique Pucci: Não temos ideia ainda do primeiro clipe que ser a retirado do DVD e nem quando será a o lançamento, mas o material já começou a ser trabalhado e creio que não deva demorar muito, embora haja muito material a ser trabalhado.

Rock Noize: Henrique tem alguma coisa sobre o DVD que vocês podem adiantar pra gente? Alguma surpresa no lançamento?

Henrique Pucci: Estamos querendo fazer algum evento de lançamento, vamos ver como vai ser, com certeza teremos algo vindo dos nossos pensamentos férteis, rs. Estou bem curioso também para ver o resultado, será um ótimo começo de trabalho para a banda.

Rock Noize: A partir de agora quais os planos para 2018 e por que não, para os próximos anos? Até onde vocês podem chegar? Algum sonho ainda não realizado?

Henrique Pucci: É a banda mais cheia de planos que já conheci e toquei, tô achando ótimo, porque também sou assim, e era muito difícil ter seus planos sempre frustrados por outros, muitas vezes por motivos nobres, porém ainda frustrantes, creio que não tenho uma pessoa que passe por frustrações, faz parte da vida, o que importa é o que vocês faz com elas e o quanto você deixa elas te afetarem.

Rock Noize: Henrique, muito obrigado pela entrevista, mais sucesso ainda para vocês e contem sempre com a gente!

Henrique Pucci: Eu é que agradeço a Rock Noize e a todos seus leitores. O quão é importante a informação, ainda mais onde ela é mais escassa, ela é de extrema importância para evoluirmos de forma concreta, é não em cima de opiniões, tornam opiniões em conhecimento.

 

 

Foto: Divulgação/Internet

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