Entrevista Exclusiva: Jean Patton (Project46) fala sobre novo álbum, financiamento coletivo e underground

Project46Mais uma grande entrevista aqui no Rock Noize! Conversamos com Jean Patton, guitarrista do Project46, grupo que se tornou um dos mais renamoados do cenário do metal nacional nos últimos anos e que está embarcando numa experiência com seus fãs.

Atualmente Jean e seus companheiros já estão divulgando “TRES”, novo disco deles, que ainda não tem previsão de lançamento e teve o single Corre lançado recentemente.

No papo que batemos com o guitarrista, ele fala sobre toda essa experiência, as músicas novas, o financiamento coletivo e até da cena underground no Brasil. Confere aí e se liga que o Project46 é uma das atrações do Goiânia Noise Festival 2017 que acontece no fim de semana e terá cobertura do Rock Noize direto da capital goiana.

Rock Noize: Vocês estão produzindo seu novo disco, “TRES”, através de financiamento coletivo. Como foi essa decisão, houve alguma razão especial?

Jean Patton: Então, não é somente o disco. É todo nosso novo projeto desde a gravação até o final da turnê. Para dar o passo que queríamos da maneira que planejamos precisaríamos de bastante recurso. Como somente a banda, os fãs e as marcas que nos apoiam se beneficiam com este projeto achamos justo contar com os fãs para financiar uma parte de tudo isso. Começamos então a pensar em uma maneira justa e recíproca de ativar essa campanha, o que acabou se tornando nossa campanha de crowdfunding da experiência três.

Rock Noize: Cada vez mais bandas e artistas de renome, como vocês e o Dead Fish, têm lançado álbuns através de financiamento coletivo. Por que vocês acham que isso está acontecendo? É uma tendência? Dificuldade de mercado?

Jean Patton: Acredito que a independência musical, artística, financeira e ideológica são os 4 fatores que respondem a sua pergunta. A cada dia a comunicação se torna mais direta entre banda e fã e este tipo de ação acaba se tornando possível, bem vindo e muito útil, tornando todo o processo sustentável e modulado pelo fã e para o fã. Torna a fan basemais sólida, torna nosso chão mais firme. Nos ajuda inclusive a moldar nosso caminho de uma maneira mais real, com feedback imediato. São muitos pontos positivos neste tipo de campanha.

Rock Noize: Vocês já divulgaram Febre e Corre, o que mais podemos esperar de “TRÊS”

Jean Patton: Febre não vai estar no disco TRES. Foi um single que lançamos para que todos soubessem o que estávamos fazendo naquele momento onde passamos por mudanças expressivas e nosso publico precisava de uma satisfação. Podem esperar um disco mais versátil do que os demais, com músicas mais maduras e assuntos mais humanos do que políticos.  Nada melhorou no Brasil desde o lançamento do nosso último álbum “Que seja feita a nossa vontade” então falar de politica seria repetir a nós mesmos, só que em um momento pior.

Rock Noize: Vocês já participaram de inúmeros festivais e fizeram shows pelo Brasil todo. Como enxergam o mercado da música e principalmente do metal no país?

Jean Patton: O mercado está bastante saudável. O que não está saudável são as bandas, o underground, a criatividade, as novidades.  Tem muito fã de metal dentro do Brasil, por isso há tantos shows internacionais de heavy metal, mas infelizmente a cena nacional vem falhando sistematicamente por décadas em criar ídolos, bandas que as pessoas amem. Esse é o problema que desencadeia toda essa discussão sobre a tal da cena que sempre está ruim ou pode melhorar. Todos lamentam, mas ninguém acha a real causa e nem resolve o problema. Nós trabalhamos duro para fazer nossa parte e tivemos a sorte de poder contar com o pessoal que é fã da banda.

Rock Noize: O que mudou na cabeça de vocês, na estrutura, na forma como gravam e compõe os discos, desde quando eram do underground para hoje?

Jean Patton: Fizemos uma enorme quantidade de shows pelo Brasil e alguns fora dele, o que nos deu bons parâmetros para decidir pela estrutura técnica que temos hoje, assim como nos permitiu perceber que o público sente a respeito de nossa música, como reagem ao que eles gostam e também ao que não gostam, pudemos ver a evolução do nosso público e isso inevitavelmente reflete em nossas composições. A entrada do Baffo também ampliou nossa visão sobre assuntos bastante pertinentes a nossa carreira e a entrada do Betto revigorou nosso ambiente musical, que era exatamente o que buscávamos no momento em que ele entrou na banda. Temos uma noção muito boa sobre o que fizemos de certo e de errado em todos estes anos dentro e fora dos palcos e esta bagagem é justamente o que faz toda a diferença hoje em dia. É muito importante frisar que nossa música tem sua raíz no underground, o que de certa maneira faz o Project46 ser uma banda underground por definição apesar de tudo que conquistamos, de toda a publicidade que tivemos ao longo destes anos, dos milhares de fãs que conquistamos e de todos os festivais e todas os grandes momentos que tivemos enquanto banda. Muito obrigado pela sua honrosa colocação.

Rock Noize: Como vocês vêem especificamente o underground hoje? Por aqui percebemos que muitas bandas novas querem apenas divulgação, seja no site seja nas redes sociais. Vocês acreditam que falta um pouco de cooperação em vários aspectos para que mais bandas deixem o underground?

Jean Patton: Falta educação, informação, posição e raciocínio frio a respeito do que consiste construir uma carreira artística. Não é de hoje que isso é assim. A maneira como a maioria dos músicos sempre se comportaram a respeito de suas carreiras sempre foi equivocada. Não acredito que a falta de cooperação possa ser apontada como a grande vilã dessa história.  Acredito que falta seriedade, mas a seriedade sóbria, não a seriedade xiita quase que religiosa e ignorante que assola e sempre assolou o underground do metal no Brasil. Uma grande parte da carreira de qualquer banda ou artista é baseada no negócio da música, uma outra parte do negócio é baseada no negócio do entretenimento ao vivo, o que já sao duas coisas completamente diferentes. Uma terceira e importante parte do negócio é a publicidade envolvida, tem o gerenciamento de tudo isso, a criação de conteúdo, a comunicação, a mensagem, a composição …. Tem muita coisa séria envolvendo uma carreira para ela não ser tratada com a seriedade devida por quem se arrisca nesse tipo de atividade e acredito que esse seja o maior pecado cometido pelo underground do metal nacional, salvo raras exceções.

Rock Noize: Quais foram as influências de vocês, seja em assuntos (como a situação do país, por exemplo) seja musicalmente para compor as músicas do “TRES”?

Jean Patton: Nossas vidas, nossos sentimentos, nossos encontros, nossas decisões assertivas ou equivocadas, nosso momento, nossa esperança, nossa raiva, nossas necessidades, nossas habilidades, nossas crenças, certezas, incertezas e enganos.  Este é um disco sobre nós, que somos fãs de metal, vivemos no Brasil, lutamos contra a maré e queremos vencer. As influências musicas são diversas demais pra citar aqui, porque somos 5 pessoas diferentes, de idades diferentes, experiência e sentimentos diferentes, que vivemos momentos diferentes de nossas vidas mas que temos um sonho em comum.

O TRES será um disco que mostra o que somos naturalmente, ele passeia por climas antes já explorados nos dois primeiros álbuns e ainda trás uma sonoridade nova pro Project46. Somos uma banda que sempre busca se reinventar, nós seguimos o fluxo da nossa criatividade sem amarras ao passado.

Rock Noize: Vocês já tem uma data para o lançamento do disco? O que podemos esperar do Project46 depois do disco sair?

Jean Patton: Não temos uma data ainda.  Gostaríamos que rolasse em Novembro, mas dependemos de fatores externos que fogem ao nosso controle e sendo assim precisamos de algum tempo e várias certezas antes de anunciar uma data. Há muito trabalho a ser feito até o lançamento.  O que podemos prometer são shows especiais de lançamento em várias capitais do Brasil, um DVD e muitos shows na turnê do novo disco, o que deve começar a acontecer em 2018.

Rock Noize: Muito obrigado por mais essa entrevista e avisem a gente quando fizerem show em São Paulo, estaremos lá!

Jean Patton: Muito obrigado pelo espaço e pelo apoio ao nosso trabalho. Com certeza serão convidados. Será uma honra ter vocês prestigiando nosso evento. Obrigado ao leitor pelo tempo e interesse no Project46. Pode ter certeza que trabalhamos duro no que acreditamos e incentivamos toda a cena nacional a fazer o mesmo. Grande abraço.

Foto: Divulgação/Internet

Comentários