Entrevista Exclusiva: Kiko Loureiro fala sobre Megadeth, Grammy e muito mais

15284177_10154200213402252_2661792030882270872_nQuando você tem lá pelos seus 15 anos e começa a tocar guitarra – ou violão -, sempre tem seus músicos preferidos, gente que é referência no assunto. Sempre sonha em tocar como eles, em fazer aqueles solos cheios de feelings ou então tão rápidos que você pensa que o cara é de outro mundo.

Kiko Loureiro certamente é um desses “do outro mundo”. Anos e anos de trabalho no Angra estão aí para provar que ele é um dos mais respeitados guitarristas do Brasil e do mundo, afinal também ajudou a catapultar o metal nacional para os quatro cantos do Globo.

Não à toa ele foi escalado por ninguém menos do que Dave Mustaine para ser seu braço direito nas seis cordas do Megadeth, uma das maiores bandas do metal mundial. Kiko foi lá e desfilou toda sua técnica em “Dystopia”, disco mais recente do quarteto e isso lhe rendeu nada menos do que o prêmio máximo da música, o Grammy.

Nas linhas abaixo batemos um papo com Kiko Loureiro e ele fala do Grammy, de sua entrada no Megadeth, da convivência com Mustaine e é claro, dos planos para o futuro. Amantes da guitarra e da música, divirtam-se!

Rock Noize: Kiko, tudo bem? Certamente você é um dos mais respeitados músicos brasileiros da história, mas como foi ter esse reconhecimento de uma das maiores bandas de metal do mundo, o Megadeth?

Kiko Loureiro: Eu me sinto muito feliz de estar sendo reconhecido dentro da banda, que foi o primeiro passo, de ser aceito ali, conseguir a convivência, um desafio. E obviamente depois, porque como eu comecei com o Megadeth dentro do estúdio, primeiro tive a convivência com os integrantes e as pessoas em volta, nem tanto com a equipe. Depois eu fiz um show e começou a turnê eu estive com a equipe e ao mesmo tempo conhecendo o público. Mas os primeiros shows a gente teve um certo distanciamento do público, de certa forma, pois um foi um grande festival, sei lá, 70 mil pessoas para ver a gente, mas não teve aquele contato próximo, depois fomos para a China que é um pouco diferente, depois teve festival no Japão, aí sim no quarto show, na Austrália, começou a ter os meet & greets, de realmente apertar as mãos dos fãs e trocar uma ideia. E obviamente pela internet eu fui sentindo. Então o desafio era ter esse reconhecimento dentro da banda, aceitação, e depois conseguir ter essa aceitação pro público, pros fãs deles. É uma banda com muita história, uma banda com grandes músicos, com a formação que todo mundo quer de volta, só que assim, eu tenho a experiência disso aí. Na realidade eu fiquei do outro lado quando o Angra mudou de integrante, e a gente via o novo integrante que entrava, o Edu Falaschi, o Aquiles, o Felipe, como era a sensação da pessoa dentro da banda e pro público como você trabalha essa aceitação. Então eu sempre tinha isso em mente. Estava no Angra desde o começo então foi a primeira vez que eu vivi isso, de entrar numa banda que já tem um cara que as pessoas prefeririam, né? Mas é tranquilo, porque você já sabendo disso e já tendo convivido com esse tipo de relacionamento fica mais fácil, aí você vai conquistando os fãs e sendo reconhecido também por eles, que é o mais importante. Sendo reconhecido pelos fãs, o pessoal da banda vai também te acolher melhor ainda porque você está sendo acolhido pelos fãs, por quem respeita a banda, quem segue a banda. Isso é muito importante.

RN: Conta para os nossos leitores como foi receber o convite para fazer parte do Megadeth.

Kiko: Foi o David Ellefson que me mandou um e-email, que tinha meu e-mail porque a gente já tinha se encontrado e trocou e-mail uns meses antes. Eu já tinha encontrado com ele em algumas situações, mesas de autógrafos, no NAB Show, uma feira de música na Califórnia. Tinha encontrado com ele algumas vezes então tinha meu e-mail. Os managers do Megadeth também já me conheciam. Uma das bandas que o manager lida é o Trivium e o Matt do Trivium sempre fala que um dos dez álbuns preferidos dele é o “Temple of Shadows” do Angra, então eu acho que o manager de repente tinha ouvido falar porque o Matt falou, que é um cara super especial, um super músico, super artista, então eles consideram pra caramba. Ele comentou, aí o manager comentou, o David Elfeson comentou que já me conhecia. O Mustaine, a gente fez uma capa da Burn, da revista anos atrás, mas foi só uma capa aí ele me ligou para me conhecer melhor. Eu encontrei com ele, passei um dia com ele e eu achei que ia tocar, fazer teste e tal, mas na realidade não, a gente mais trocou uma ideia, ele queria me conhecer como pessoa. Ele já tinha me visto na internet e já tinha tido esse aval de pessoas que ele confia pra caramba, como olheiros, né? Então foi meio que por aí o caminho.

RN: Como é a convivência com Dave Mustaine? Nós sentimos que existe muito respeito da parte dele por você. Como é isso?

Kiko: É a pergunta que eu mais respondo ultimamente [risos]. É engraçado. É legal, né? Por que ele é uma figura que as pessoas tem muita curiosidade em cima, pela biografia dele, pelas coisas que ele tuita, que ele fala. Ele é uma pessoa interessante realmente, mas é só convivendo que você entenderia o jeito dele. Ele é um cara super educado, dentro da banda é um cara mão na massa pra caramba, trabalha pra caramba, manja do music business em si, bastante. Ligado, um super compositor, um cara criativo, inteligente pra caramba. É muito louco porque ele é muito inteligente e acho que não é à toa que ele está onde está, o que ele criou o que criou, porque ele é um cara muito ativo, muito inteligente e que busca aprendizado, busca colaboração das pessoas. Ele tem um time muito bom. Ele é muito exigente, meu Deus, muito exigente então o time que tá com ele, da equipe, todo mundo que está em volta, a gente, ele é muito exigente, sabe o que quer, bem claro. Quem tá em volta são grandes profissionais e todo mundo tem orgulho de estar com ele porque sabe que ele é exigente e faz sentido as coisas que ele pede, que exige e que pede, faz sentido. Então você se sente bem por estar fazendo uma coisa bem feita, sabe? E vai criando esse ambiente onde todo mundo faz as coisas bem feitas e ai todo mundo se sente bem por isso. É interessante, né? O respeito da parte dele por mim é muito louco isso, eu fui conquistando. Eu acho que por eu falar as coisas que eu acho, basicamente acho que é por isso. Por entregar o que é necessário, fica até para qualquer tipo de trabalho, entregamos o que é necessário. Propondo até coisas, tentando ajudar o time, acho que é muito assim, doando, sempre entregando mais do que pedem. E genuinamente feliz por fazer isso, sabe? Aí o cara fala “Poxa, esse cara veio aqui, tá fazendo o que precisa, os fãs tão gostando”. Toco as músicas, eu aprendo, se eu erro alguma coisa eu pergunto como é e tal, e aí você pega o respeito de qualquer pessoa assim, que você está trabalhando. É o Dave Mustaine, é dos caras da banda e isso é mútuo, entendeu? E se você não acha que é o certo, se tem uma ideia que o poderia ser diferente você vai lá e fala, acha o jeito de falar. Eu já tenho muitos anos de experiência em relacionamento de banda, então eu tento achar o momento se eu acho que alguma coisa poderia ser diferente. Isso conta muito, né? Se você tem uma ideia que pode ser diferente, que pode ser melhor, mesmo que eles não usem ou que nem era uma ideia melhor, alguém te prove por A + B que era uma ideia horrível, mas o lance de você ir, falar e tentar achar caminhos e soluções e melhorar, isso já é um grande lance dentro de qualquer time, de qualquer grupo, de uma banda nem se fala.

RN: Você participou de um momento único na carreira da banda, que foi ganhar o Grammy de Melhor Performance de Metal em um disco que você gravou, participou por completo e entrou para a história. Como foi receber esse prêmio?

Kiko: Receber o prêmio foi fantástico, fiquei muito feliz. Ainda tô entendendo o que é esse prêmio. Muitas perguntas sobre ele, muita gente falando. Fiquei feliz pelo Dave e pelo David, porque eles foram indicados 12 vezes e ganharam só agora, muitos anos. Então foi uma premiação que veio num momento ótimo, uma reerguida da banda, eu tô lá na banda então já peguei essa carona, foi fantástico. Uma coisa que eu nunca imaginava na minha vida, sequer ser convidado para ficar lá na última cadeirinha do teatro, lá no fundão. Nem imaginei que um dia eu estaria lá no Grammy. Era uma coisa tão distante, essa coisas Los Angeles, sabe, o mundo da música. E de repente você está lá. A gente gravou o disco e ficamos em terceiro nas paradas lá na Billboard, aí você é indicado pro Grammy e você vai lá na festa e aí você ganha o Grammy ainda. Depois você vai, à noite em tapete vermelho, aquela coisa toda que você vê umas fotos de de vez em quando de paparazzi e de repente você está lá. É muito louco.

RN: Depois de 20 anos gravando com o Angra, como foi gravar com o Megadeth?

Kiko: Bom gravar com o Megadeth tem muito do mesmo, o estúdio, a pressão de você gravar um trabalho que você sabe que vai ficar. Mas obviamente a grande diferença é que você não está com seus amigos, que você já convive faz tempo, entendeu? Aí fica um pouco mais sério. Eu tava conhecendo os caras, mas ao mesmo tempo foi um bom momento para quebrar o gelo, porque o estúdio, você tá ali no estúdio o dia inteiro. Pegava o café da manhã, sai pra almoçar, às vezes sai pra jantar, fica ali meio que o dia inteiro trocando ideia o dia inteiro, fica quele ambiente fechado. Então você não tem muito pra onde ir. Mas tem uma pressão, a gravação tem uma pressão e o Dave estava ali o tempo inteiro, você via que ele tinha essa pressão. E todo artista que tem muito tempo de carreira e vai fazer um novo álbum sente essa pressão. Por que e aí qual que vai ser? A banda vai continuar? Já tem muito tempo, o que tá rolando de novo, tem aí bandas entrando novas. Eu entendo essa pressão porque o Angra já tem 20 anos, mais de 20 anos. Eu fui também gravar álbuns depois de um tempo e você fala “poxa e agora, o que tá rolando lá fora? O que a gente tem que fazer para ainda ser relevante”. Eu tive muitas conversas com o Dave e foi legal para estreitar também sobre esses caminhos. E muitas coisas que eles vivem, por mais que seja maior a banda e tal, são coisas que eu vivi, que o Angra viveu. Então dá uma experiência, entendeu? A gente fez muitas coisas com o Angra por conta própria. Por que como você faz uma banda do Brasil ir pro mundo, entendeu? Então a gente meteu muito a mão na massa ali, sofreu bastante e aprendi com isso, então trago todo esse conhecimento agora pro Megadeth, então me encaixo mais fácil.

RN: “Dystopia” é um álbum excelente e percebemos que você tem bastante destaque na banda. Esperava por todo esse reconhecimento e espaço?

Kiko: Foi fantástico o destaque. A gente foi conquistando aos poucos esse espaço, com solos. E lá nos dias da gravação mesmo, eu lembro de como eu entrei e como eu sai. De de repente de ter mais violão, de ter um piano que eu toquei, mas ele [Dave Mustaine] nem sabia que poderia ter um cara que ele chamou que tocaria um pouquinho de piano e de repente ter um piano no álbum. Mas coisas que lá no ambiente do estúdio a gente teve tempo e eu pude mostrar. “Olha tenho uma ideia aqui, dá pra botar um piano aqui. Vai ficar legal, que você acha?” – Ele mesmo vendo eu tocar, falou: “vamos usar isso aí”. Ele é um músico, ele gosta dessas habilidades musicais. Ele sempre falou “Pô, o Kiko tem que botar um violão. Você sabe tocar violão tão bem. A gente tem que violão, tem que ter essa coisa acústica e tal”. Então quando ele me viu tocando piano, por sorte tinha um piano estúdio, provavelmente já ficou com a cabeça assim “Preciso achar um lugar pra colocar o Kiko tocando piano”. Então é isso, você vai conquistando espaço aos poucos.

RN: Ficamos sabendo que você e o Megadeth estão desenvolvendo um trabalho junto aos jovens brasileiros que querem viver de música. Conte pra gente como será feito esse trabalho, quais os objetivos, enfim, todos os detalhes e claro, pode contar com o Rock Noize nessa!

Kiko: Então, eu tenho um curso de music business, carreira e marketing que acredito que seja muito importante para os músicos, principalmente do Brasil. Eu faço em português, porque acredito que no Brasil a gente tem a carência desse tipo de assunto, não tem mesmo porque o cara entender esse tipo de assunto. Eu vejo muitos músicos bons com a carreira estagnada, muitas vezes fazem a mesma coisa. Não vai desenvolver, não vai aprender os caminhos e deixar a cabeçar fervilhando com as ideias de “posso ir por aqui ou por ali”. Tem tantos caminhos na música, dentro da profissão e às vezes as pessoas desistem achando que não vai dar, muita gente que desiste. Eu mesmo tinha esse medo, quando larguei a faculdade, ai voltei, larguei, a faculdade de Biologia que eu fazia. Ficava com medo, queria ser músico, mas tinha medo da profissão. Será que dá pra viver desse negócio? Será que eu vou ficar tocando em boteco? E na realidade é falta de conhecimento, porque se você olha os casos de sucesso, se olha todas as possibilidades que você tem dentro da música, tocando ou pelo menos dentro do mercado da música, não tem porquê você ter medo, entendeu? Então é isso que eu ensino no meu curso a fundo, tem um curso grande e tem alguns cursos menores que devo lançar em breve. Mas eu vou fazer gratuitamente em março um masterclass de 10 dias. Vou fazer uns hangouts, umas conversas com o pessoal do mercado, mostrar alguns pontos fundamentais, pra poder ensinar e clarear a cabeça das pessoas e a gente ter um meio profissional melhor. Então é só entrar no meu site: kikoloureiro.com/masterclass/ e já acha esse curso lá. E pode também masterclass.kikoloureiro.com/. Então também lá vão encontrar as informações.

RN: E com o Angra, quais os planos?

Kiko: O Angra tem a ideia de fazer algo novo. Não sei exatamente quando ser, mas esse seria o próximo passo, né? Além dos shows que tem, mas o próximo passo seria um álbum novo.

RN: Nos últimos 10 anos o Brasil virou parada obrigatória para as bandas gringas. Ao que você acha que se deve isso? A paixão dos fãs brasileiros de metal corre o mundo?

Kiko: Mais de dez anos, né, começou a vir as bandas gringas. Desde que abriu o mercado melhorou, profissionalizou as casas de shows no Brasil, os produtores. Tem várias coisas, né. Claro, os fãs brasileiros, a quantidade de shows. Tem o lance do clima, os fãs cantando as músicas, isso não tem tanto fora, é menos. Na América Latina de uma forma geral tem isso aí, porém só isso não basta, a gente tem que entender. Por isso que tem o lance do music business, que a gente acabou de falar na outra pergunta. Porque só isso não basta, né? Essa parte que empurra o cara, claro as bandas querem vir porque o show vai estar lotado e os caras vão cantar todas as nossas músicas. Mas se não tem o contratante que vai botar a banda de forma segura no país, porque a imagem que tem do Brasil, que passa do Brasil é de muita violência, entendeu? Então assim, quando vem uma banda, foi bem, lotou, os fãs cantaram, e ainda por cima ficaram em hotéis legais, com segurança, casa era boa, o som tava bom, a luz tava boa, conseguiram fazer o show deles aí o mesmo cara que trouxe, geralmente o empresário ou o booking, o cara que vende os shows, tem uma quantidade de bandas, aí já leva outra, e bandas de diferentes estilos, ai oferece outra e outra, ai fala “pode ir lá que é um mercado novo”. E aí acaba virando um novo mercado, aí ao invés deles fazerem só uma turnê nos Estados Unidos, que é o que acontecia antes, fazer uma turnê nos Estados Unidos, uma grande, uma de verão pelos Estados Unidos, aí pode ir no festivais de verão da Europa, aí depois faz uma turnê de headliner na Europa, o cara consegue fazer quatro turnês no ano. Então ele vai conseguir trabalhar quatro ou cinco meses no ano. Se ele abrange isso pra fazer mais um Japão, que é o que acontecia, mas a mesma coisa começa a acontecer como na América do Sul, acontece no sul da Ásia, o cara num vai mais só pro Japão, ele consegue ficar um mês, um mês e meio fazendo só Sul de Ásia. Filipinas, Cingapura, é o que vamos fazer com o Megadeth agora em maio. Tailândia e tudo mais. Aí tem Austrália também, que sempre dá pra fazer uns três, quatro shows. E aí abre o mercado da América Latina, então a banda consegue vir pra cá e girar o Brasil. Antes fazia só São Paulo e Rio, fazia duas cidades e já ia pra Argentina, Chile, Colômbia. É o que dá pra fazer, aí sobe pro México e volta. Então a rota é fundamental, a logística é fundamental, a parte de ser financeiramente viável, a questão do câmbio, tem várias coisas que ajudam e atrapalham. Porque é uma importação, né? Tem a parte burocrática disso também. Então como começou a ficar mais profissional por parte dos contratantes, das casas, do equipamento, da segurança, hotel, translado. Todo mundo envolvido nisso e sabendo, a gente tem ótimos profissionais hoje em dia. O próprio segurança do Dave Mustaine é brasileiro, ele faz Axl Rolse, Maroon 5. Então profissionalizou tanto que os brasileiros estão sendo levados pra fora. Têm vários brasileiros que são levados pra fora. O meu próprio roadie, que era, o Rodrigo, foi fazer Machine head nos Estados Unidos. Os caras são bons no Brasil. Isso tudo ajuda e junto com os fãs.

RN: Alguns músicos ou fãs já conversaram com você a respeito dessa nossa paixão?

Kiko: Sim, isso é normal, todos os músicos, todos, todos, todos falam dessa paixão dos fãs latino-americanos. Porque a gente não pode esquecer que não é só do Brasil. O Brasil é ótimo, mas o público argentino é fantástico também, do Chile, Colômbia. O Brasil dependendo do lugar é um pouco mais, um pouco menos. No mundo é conhecida a paixão do sul-americano de forma geral. E como é legal, como eles contam pra vir pra cá. O Brasil eles adoram, pode falar com qualquer cara, eles adoram. Isso é tranquilo, é uma coisa que realmente soma, tipo “vamos fazer uma turnê pela América Latina, tô louco pra ir lá”, eles abrem mão de certas coisas pra estar aqui.

RN: Se tem uma coisa que exportamos e muito bem são bandas de metal. Quais nacionais e mais novas você pode indicar pra gente ouvir?

Kiko: Eu tô meio por fora das muito, muito novas, pra falar a verdade. Eu discordo, acho que temos grandes músicos, grandes bandas, grandes profissionais, não é isso, mas não acho que a gente exporta. Por que se a gente comparar, me fala quantas bandas hoje do Brasil estão fazendo turnê internacional, agora, esse ano, no ano passado? E me fala quantas bandas da Finlândia, que eu tô sentado aqui, fizeram turnê internacional ou saíram da Finlândia? Você vai ter um número ridiculamente expressivo de banda finlandesa e aí a Finlândia é um país com 5 milhões de habitantes e o Brasil com 200 milhões de habitantes. Então eu não acho que a gente exporta. A gente tá muito abaixo, a América do Sul inteira não exporta, assim como a França não exportava. Tem o Gojira agora… Então, alguns países tem um lance de correr atrás, de pensar essa exportação. Eu acho que falta essa cabeça, ou o músico sai ou a gente fica nas mesmas bandas. Acho que tinha que ter uma cabeça de explorar mais o mercado externo. Mas eu entendo isso, o Brasil é muito grande, dá pra fazer muito show no Brasil, é um país gigante. Se você pegar a Finlândia o cara não tem pra onde ir, se não exportar não tem pra onde ir, ele vai ficar tocando pra 200 pessoas. E não tem, o país tem três cidades grandes de um milhão de habitantes, então não tem pra onde o cara ir. Suécia também, mas se pegar as bandas que vieram da Suécia, dos países nórdicos, as próprias bandas italianas a gente vai ter mais. Alemanha nem se fala, né? Então são países bem menores que o Brasil, com bem menos gente. Mas a gente tem outra cultura musical, tem outro caminho. Eu discordo que a gente exporta banda de metal. A gente já exportou, tem o Sepultura, que foi a nossa grande referência, o Angra, o Torture Squad, o Ratos de Porão eu lembro que no começo ia, o Mindflow, o Almah, mas aí é a galera que tava no Angra, o Aquiles fazendo os lances de batera pelo mundo, mas tipo aquele contato que nasceu do Angra. O Hibria que vai lá pro Japão, tem as bandas mas é pontual, vai e volta. Eu devo estar esquecendo algumas, claro o Krisiun que faz bem pra caramba, que faz a décadas. Mas não acho que a gente exporta. A gente tem que exportar muito mais, muito mais.

RN: O que podemos esperar do Kiko e do Megadeth em 2017? Quais os planos? Alguma novidade que você já pode adiantar pra gente?

Kiko: Tem turnê, a gente já tem uns 70 shows marcados esse ano que eu já tenho aqui na minha agenda. Tem um camp agora, vamos fazer um boot camp lá na Califórnia e esses shows aí. Aí acho que durante a turnê a gente vai ver se tem alguma coisa de material novo, eu não sei ao certo.

RN: Kiko, muito obrigado pela entrevista, parabéns por representar a todos nós no mundo inteiro e pelo Grammy! Deixe um recado para os leitores do Rock Noize que são fãs do Angra, do Megadeth e seus, claro!

Kiko: Obrigado pela entrevista, espero que vocês tenham gostado, eu falei pra caramba. Um abraço aí todos do Rock Noize, fãs do Angra, do Megadeth e obrigado. É isso aí, qualquer coisa estamos ai para mais algumas perguntas. Valeu, um grande abraço a todos, tchau, tchau!

 

 

Foto: Facebook Oficial Kiko Loureiro (Divulgação)

Comentários