Especial: O novo cenário do rock em Brasília pt. 2

Brasília sempre foi sinônimo de música boa, não é à toa que alguns dos maiores nomes do rock nacional de todos os tempos saíram daqui. Atualmente, o cenário crescente é resultado da parceria das próprias bandas, que fazem seus eventos, gerenciam suas carreiras, se apoiam e produzem materiais de qualidade.

Os estilos musicais, ainda que dentro do rock, são de diversas vertentes e se mesclam a outros sons nas experimentações dos músicos. Tem música de qualidade para todos os gostos! Para saber mais sobre essa nova cena clique aqui e confira a primeira parte do nosso especial.

Dona Cislene

Formada em 2014, a banda tem um som forte com clara influência de Foo Fighters, mas com personalidade própria. Com destaque para a qualidade vocal do vocalista Bruno Alpino e a energia do baterista Paulo Sampaio, a banda tem se fortalecido cada vez mais no cenário nacional, tem fãs por onde passa e faz shows absurdamente intensos.

Alarmes

Com referências de Them Crooked VulturesArctic Monkeys e Queens of the Stone Age, ela faz uma espécie de indie pop rock com riffs bem trabalhados e letras que falam sobre relacionamentos e sobre o cotidiano.

Por ter morado seis anos na Inglaterra o baterista Gabriel Pasqua incorporou elementos do rock britânico que caíram como uma luva no som. O trio fez uma participação na novela Rock Story da Globo e isso impulsionou ainda mais a carreira deles.

Scalene

Já conhecida do público brasileiro, principalmente depois da participação no programa Superstar em 2015, a banda é uma das maiores responsáveis pela visibilidade cada vez maior da nova cena do rock brasiliense. O som, que é diferente do que se ouviu nas rádios nacionais até então, tem influências de nomes como Thrice, Queens of the Stone Age e Radiohead.

Em 2016, a Scalene foi vencedora do Grammy Latino, na categoria Melhor Álbum deRock em Língua Portuguesa pelo álbum “Eter”. Em 2017 eles tocaram no Palco mundo do Rock in Rio.

Lupa

A Lupa faz um rock alternativo com tempero pop. Lupa é amor, como eles mesmos dizem. Seu primeiro álbum “Lupercália”, foi 100% financiado em um crowdfunding pelo seu próprio e fiel público.

As letras do disco falam sobre relacionamentos, amor, paixão e sexo, sem medo de soar adolescente e com “uô uôs” que grudam na cabeça. São conhecidos pela proximidade com o público e por shows dançantes e eufóricos. Vale à pena conferir o show dos caras e sair de lá com uma boa energia.

Etno

Provavelmente são os mais experientes dessa nova safra, eles têm um currículo extenso e difícil de resumir em poucas palavras. Recentemente conquistaram o primeiro lugar no Indie Week Festival, em Toronto, Canadá, onde mais de 250 grupos participaram do evento, sendo apenas cinco brasileiros.

O Etno completou 15 anos de carreira com um rock forte que tem influências do grunge e do new metal. É possível notar uma sonoridade vinda de bandas como Alice in Chains nas músicas mais recentes do quarteto brasiliense, porém não há como negar sua originalidade. Na minha opinião, é uma das melhores bandas de Brasília de todos os tempos.

Trampa

A experiente, a Trampa foi formada em 2006 e faz um som cheio de força, energia, pensamentos e questionamentos políticos com influências do grunge, pós-grunge, indie, punk e stoner rock. Seu trabalho mais recente é o álbum “¡Viva la Evolución!” de 2016.

Em seu currículo, eles já passaram por todas as regiões do Brasil, por Austin, Texas (EUA) e Toronto, Ontário (Canadá) e participaram de grandes festivais como SXSW, Canada Indie Week, Porão do Rock e Virada Cultural de SP.

Ellefante

Formada em 2015 por Adriano Pasqua (baixo), João Dito (bateria) e pelo vocalista e guitarrista Fernando Vaz (que também é vocal coach de várias outras bandas citadas aqui neste artigo), a Ellefante transmite um sentimento acolhedor em suas canções, com melodias sensíveis que flertam com o blues, o pop rock, o alternativo e o folk (pessoalmente, também ouço algo de Coldplay e Silverchair nas suas músicas).

As letras falam sobre as experiências humanas como o amor, escolhas, amores e desamores. A qualidade vocal do Vaz é impressionante. Em 2017, além de diversos shows na cidade, o trio se apresentou em dois grandes festivais alemães: Lott e Confluentes Festival. Atualmente estão produzindo o seu primeiro CD, que deve sair ainda no primeiro semestre de 2018.

O Tarot

É uma banda de sonoridade rica, que alia elementos teatrais com influências de diferentes ritmos como o tango, flamenco, baião, pop e o rock. Em alguns momentos lembram Moveis Coloniais de Acaju, em outros O Teatro Mágico, mas existe uma essência que dá identidade à trupe brasiliense.

Como eles próprios dizem, “O Tarot é música nômade que transita por diversas expressões culturais” e fazem isso muito bem. Em 2016 lançaram o seu primeiro EP, o elogiado “Zero”, que foi produzido, mixado e masterizado por Ricardo Ponte.

Adriah

A cantora, compositora, violonista, guitarrista e talentosíssima brasiliense de 25 anos faz um som cheio de sua personalidade e influências variadas – MPB, samba, rock clássico, rock moderno e elementos de música eletrônica – falando assim até parece uma salada.

Mas todas essas referências se encaixam lindamente no seu mais recente EP “Simples Complexo”, de 2017 (que é FODA!). Estudante de música desde criança Adriana Garrido (Adriah) atualmente conta com os experientes músicos Cid Moraes (baixo) e Marcus Tymburibá (bateria).

Horta Project

Com influencias do rock progressivo, metal, stoner e do funk, o trio instrumental formado em 2008 se diferencia dos demais do mesmo estilo por priorizar o arranjo em geral e não um só instrumento específico.

Formada por Rodrigo Vegetal (guitarra), Lucas Cuesta (baixo) e Tiago Palma (bateria) tem na bagagem grandes shows e festivais, entre eles, o festival Indieweek – Toronto (Canadá). O som pesado e cheio de riffs pode ser conferido no mais recente trabalho “Anatomy of Sound” de 2017.

A Engrenagem

É jazz? É rock? É neo-soul? É musica brasileira? É tudo isso e mais um pouco. A Engrenagem é um grupo instrumental brasiliense que mistura esses sons por meio de elementos orgânicos e sintéticos. Uma poligamia sonora.

Com influências de peso como Hermeto PascoalWayne Shorter e Herbie Hancock, o quinteto junta o sonoro ao visual em seus shows e vídeos, criando uma experiência única para o seu público. Seu trabalho mais recente é o show “Era pra ser relax” teve a participação da cantora Ellen Oléria.

MDNGHT MDNGHT

O quarteto faz um som pop rock oitentista dançante com elementos psicodélicos. A banda formada por Henrique CintraHenrique Biu RodriguesMaurício Barcelos e Anderson Freitas lançaram recentemente o álbum “Colora”, consolidando a sua sonoridade e com quase todas as letras em português (o EP de lançamento era em inglês).

Toro

Com influência de bandas como Queens of the Stone Age, Alice in Chais e Soundgarden, a banda aposta nos riffs pesados e letras em português que abordam relações pessoais e sociais.

Devido aos trejeitos vocais, em alguns momentos, a banda me lembrou a também brasiliense Scalene, porém o instrumental e a proposta são bem diferentes. A Toro está em atividade desde 2015 e lançou em 2017 seu excelente EP autointitulado.

Pollares

O trio mistura rock, pop, música eletrônica, guitarras pesadas, sintetizadores e loops para fazer um space rock bem trabalhado com influências de MuseThe Killers Thirty Seconds Of Mars.

A Pollares foi formada em 2010 pelo baterista Pedro Senna e pelo guitarrista Ugo Fonseca, mas só em 2014 completou sua formação atual com a entrada do vocalista Walter Mourão, participante do programa Fama 4. O trabalho mais recente da banda é o álbum “Juno” de 2017.

Felipe K e os Vetores

O frontman Felipe Karlos é também o idealizador do projeto que traz, com ajuda do seu violão folk, um rock alternativo ao melhor estilo Bob Dylan – o tipo que faz a gente sentir vontade de pegar a estrada e viajar, talvez por uma provável influência do inspirador álbum “Into the Wild” de Eddie Vedder.

Em 2015, o quinteto lançou seu álbum “Qual Sentido” e fez uma série de shows nas estações do Metrô do Distrito Federal.

Raquel Reis

A cantora, compositora e multi-instrumentista faz um som intimista misturando indie, folk e mpb, com influência de nomes como Maria GadúCíceroLos Hermanos e Malu Magalhães.

Seu álbum de estreia, o recém-lançado “Quitinete”, tem a proposta de levar aconchego e fazer com que os ouvintes se sintam em casa. O trabalho com 11 faixas, transita entre a doçura e a intensidade e foi produzido por Adriano Pasqua e Fernando Vaz da banda Ellefante.

Surf Sessions

Como o próprio nome sugere, a onda do grupo é a surf music – um som que permuta entre o reggae, ska, rock e hip-hop. Os ingredientes são qualidade musical, descontração, carisma, energia e um pouquinho de sacanagem.

O grupo possui uma grande versatilidade pois os integrantes trazem bagagens bem distintas para criar sua sonoridade, as influências vão de Jack Johnson a Raimundos, passando por Bob Marley e Amy Winehouse.

Calvet

É uma banda de indie rock com influência do cenário underground brasileiro e de bandas como Artic Mokeys e Foo fighters. As letras das músicas são em inglês. Formada em 2012, a banda já compartilhou os palcos com grandes bandas brasileiras como Raimundos, Capital Inicial, Scalene, Supercombo e A Banda Mais Bonita da Cidade. Seu lançamento mais recente é o EP “Redphant”, de 2017 que conta com 4 excelentes faixas.

Distintos Filhos

Formada em 2004, traz influências diversas, desde o rock britânico dos Beatles à geração brasiliense dos anos 80. A banda certamente tem um lugar na história do rock de Brasília. Temos que dar um destaque especial para o álbum “Exílio” que foi lançado em 2017, o álbum é viciante, tem uma vibe muito boa e letras excelentes.

Joe Silhueta

Alcunha musical do compositor Guilherme Cobelo, a banda conta com excelentes músicos e mescla referências do rock e do folk norte-americano com a música nordestina. Em 2016 foi indicada “Artista Revelação” pela Associação Paulista de Críticos de Arte.

Seu primeiro EP “Dylanescas” de 2016 é inspirado em Bob Dylan e tem cinco faixas, apenas com voz e violão. Em 2017, a banda lançou o EP “Ritos do Leito”, além de mais dois singles que estão disponíveis nas plataformas.

Na cidade, ainda existem muitas outras bandas fodas desses e de outros estilos, tanto dentro quanto fora do rock, com um material de primeira disponibilizado na rede. Vale muito a pena pesquisar mais.

Esse texto não tem como objetivo fazer qualquer tipo de comparação entre a qualidade das bandas ou dos estilos de cada uma, nem fazer levantamentos do que é melhor ou não, até porque isso não poderia ser feito de qualquer forma, já que depende do gosto de cada um. O objetivo é mostrar que Brasília é novamente a capital do rock, que a cena está ficando cada vez mais forte e que tem muita coisa boa acontecendo por aqui.

Sejam bem-vindos à BSB.

Quer mais?

Criei uma playlist no Spotify com músicas da nova safra e clássicos de Brasília. Confere aí:

 

 

Foto: Banda Lupa por Breno Glatier

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