Estamos nos acostumando com o que não é tão bom assim?

Ao longo das linhas abaixo vocês vão entender os motivos da foto da atriz Úrsula Corberó como Tóquio em La Casa de Papel. Foi justamente por uma conversa sobre a série que decidi escrever este texto, além dos anos vivendo de escrever sobre cultura pop.

Em uma rápida conversa onde disse que La Casa de Papel era uma série “ok” li que “é a melhor série da minha vida”. Isso foi há meses e o suficiente para refletir até aqui sobre a importância que estamos dando para o quê, talvez, não seja tão bom assim.

Quando disse que La Casa é “ok”, quis dizer na somatória de fatores, das duas temporadas, onde a primeira foi de certa maneira fraca e a segunda melhorou bastante. Isso deu “na média”, digamos assim. Mas talvez existam explicações para alguns acharem que ela seja “a melhor série”.

Bom, de certo que hoje temos uma avalanche de cultura pop com o Netflix lançando produções originais todos os meses, o cinema de super-heróis que popularizou uma cultura relegada – no bom sentido – aos amantes dos quadrinhos, sem falar nas séries da TV.

As produções também vão de encontro a outros assuntos, como ciência, religião, preconceito, relações sociais e política o que torna as coisas um pouco mais sérias e o tom, principalmente para os mais críticos, ainda mais.

Não que eu goste desse tipo de abordagem, mais crítico, pelo contrário, acabo preferindo uma análise de “não-especialistas” do que dos especialistas em si. Isso sem falar que tem muita gente pintando de especialista por aí e temos que tomar cuidado para não assumir essas opiniões e sim termos as nossas.

Quando esse boom começou a tomar conta das redes sociais, há uns dois anos, onde todos dão opiniões sobre tudo e onde muita coisa é tida como “a melhor” comecei a parar de “maratonar”, digamos assim, e ao mesmo tempo ser mais crítico.

Não estou criticando quem acha La Casa de Papel, Dark ou Extraordinário os “melhores do mundo”, mas calma. Acho apenas que vale algum tipo de análise um pouco mais fria antes fixar esse tipo de opinião, antes de sermos tomados pela comoção.

Quem conhece o Rock Noize sabe que não estamos aqui para “cravar” nada, para tornar alguma série ou filme o suprassumo e muito menos para dar opiniões críticas “profissionais” a respeito de algo. E sim para darmos nossas opiniões, ouvir as de vocês e abrir uma discussão sobre isso, apenas.

Esses dias assisti The Rain, série dinamarquesa do Netflix que trata de um assunto bem batido: um vírus que mata quase que instantaneamente e os sobreviventes tendo que se virar para seguir a vida. Mas parei para pensar que não deveria criticar isso – ainda que tenha mencionado na resenha – e sim ver aquilo como entretenimento, algo bacana que me fez passar o tempo e fim.

Tanto é que sempre tentamos dar outro aspecto nas resenhas que fazemos, algo mais humano e mais crível do que criticar um roteiro, a luz ou a fotografia, mas sem deixarmos de ser críticos em outros aspectos. Por isso demoramos um pouco para resenhar algo.

O que acontece é justamente a necessidade de falar, tomada (de novo) pela emoção e comoção das opiniões alheias, que acaba batendo o martelo sobre o que é “o melhor que já vi”. A necessidade de maratonas ou de correr pro cinema para ver o filme “da hora” e mais ainda, a necessidade de se sentar e discutir sobre o assunto en voga está nos fazendo formular opiniões sem o mínimo de pensamento.

Opiniões são só opiniões e o legal é conversar sem precisar parecer um especialista no assunto, sem querer ser mais que o outro e elucubrar profundamente sobre aquilo que é apenas, única e exclusivamente entretenimento. Mas um pouquinho de senso crítico não faz mal a ninguém.

Bella Ciao!

 

 

 

 Foto: Divulgação/Internet

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