Esteban Tavares fala sobre seu novo disco, crowdfunding e muito mais! Confira nossa entrevista exclusiva

Bom, damos início a nossa série de entrevistas de 2015 com um cara que para o começo de trabalho deste que vos fala foi muito importante: Esteban Tavares.

O Esteban foi o primeiro cara que entrevistamos, ainda em sua época de Fresno – a entrevista foi com a banda toda -, há uns 5 anos atrás, mais ou menos, e foram super legais com a equipe, enfim.

Cá estamos nós de novo, tanto o site quando ele, em posições diferentes depois de tanto tempo. Abaixo você confere na íntegra nossa entrevista com o Esteban, que fala sobre seu novo disco, como é ter um projeto solo, gravar sozinho, sobre o crowndfounding que fez e muito mais.

É isso, tá muito legal, vocês vão curtir!

1. Como é, depois de tanto tempo em diversas bandas, tocar o seu projeto solo, algo somente seu? Explica as diferenças para os nossos leitores dessa “independência”? O que muda? Como você faz e lida com isso?

Acho que a maior mudança, na verdade, desde que sai da Fresno e parei com a Abril, primeiro vem pelo fator musical mesmo, do tipo de música que se faz. Pra quem me conhece na Fresno, pra quem me conhecia na Abril, sabe que é bem diferente do que eu faço no Esteban. Não que eu seja um cara que tenha abandonado o rock, mas o rock moderno, eu como músico, deixei de lado, não sei se eternamente mas por um tempo. Não tinha mais paciência. Acho que eu, literalmente, tava ficando velho para algumas coisas e acho que o Esteban reflete melhor quem eu sou como músico. Qual o tipo de música que eu gosto de fazer e enfim, me dá liberdade total para fazer a música que eu quero. Fora musicalmente, o Esteban é uma coisa que eu lido sozinho. É bem egoísta mas eu prefiro lidar sozinho e me responsabilizar 100% pelo que acontece, seja bom ou seja ruim. Eu escolho as músicas que vão entrar, escolho as músicas que eu não quero que entre, escolho o jeito que o negócio vai ser tratado, escolho como o negócio vai ser tratado. Então é a liberdade total. Claro que traz muitas responsabilidades extras mas no final das contas acaba sendo mais prazeroso porque o teu egoísmo te leva a ter controle de tudo, na real. Então eu gosto mais assim e respondendo como eu lido com isso, lido bem, gosto mais assim mesmo. 

2. Como você se sente tocando e fazendo shows com o Humberto Gessinger? Ele é um dos seus ídolos, né? Como que rolou de vocês tocarem juntos, como foi essa experiência?

Cara, rolou no começo de 2012 pelo Twitter. O Humberto me mandou uma DM perguntando se eu queria fazer uma música com ele. Quase que eu não acreditei. Foi uma coisa na época, bem estranha. Eu achei que era mentira, perfil fake e tal. A gente acabou fazendo essa música por e-mail. Durante uns 3, 4 dias a gente ficou trocando e-mails e fazendo a música junto e acabou saindo Tchau radar a canção. Uns dez meses depois disso ele me convidou para cair na estrada com o projeto Insular e ai no começo de 2013 mesmo, a gente começou a ir pro estúdio gravar o Insular, o disco, e já sair na turnê. Eu fico feliz para caramba de tocar com meu ídolo, de tocar guitarra que é um instrumento que eu queria tocar de novo, há muito tempo. Gravei um disco e um DVD e só me divirto na real, não consigo falar muito sério sobre o lance do Humberto porque é a grande diversão da minha vida tocar com um cara que fez o meu caráter musical, um dos caras que compuseram o meu caráter musical. Então eu só aproveito, dou risada e me sinto parte do Engenheiros do Hawaii nos anos 80. É muito louco isso.

3. Você já está preparando um disco novo, né? Vai se chamar “Saca la muerte de tu vida” mesmo? Como está rolando? Tem alguma coisa nova que você pode contar pra gente em primeira mão?

Sim, o disco vai se chamar “Saca la muerte de tu vida”. Eu tô, agora, faltam poucos dias para acabar o crowndfounding e eu montei para que fosse possível gravar o disco do jeito que eu queria. Cara, de novidade vão ter participações, a Tay Galega vai participar cantando uma música, o Carlos Figueroa que é o vocalista de uma banda porto-riquenha chamada Radial vai cantar outra. Vão ser dez músicas a principio. Tô gravando tudo de novo e acho que agora a questão mesmo é esperar para quem não conhece ouvir o que está saindo desse disco. É o segundo disco em português então é muita coisa que mudou do primeiro disco, tem muita coisa que eu quis mudar do primeiro disco e essa é a grande vantagem de ter uma carreira solo, né? Tu não precisa ficar fazendo cópias dos teus discos anteriores, tu pode mudar, mudar bem, mudar drasticamente, que tu continua sendo o artista da história. Mas o crowdfunding tá acabando já, acho que a gente vai conseguir a nossa meta e ai até maio o disco tá na mão de todo mundo.

4. Como é, para um músico, fazer um disco através de financiamento coletivo? Tipo, rola aquela expectativa de “será que eu vou conseguir”? E porque você acha que cada vez mais as bandas estão recorrendo a isso para gravar?

Bom, têm duas opções de fazer disco por financiamento coletivo: sendo honesto ou sendo muito desonesto. Tu pode pegar, ter uma banda com disco gravado, fazer um financiamento coletivo e todo mundo viajar para Amsterdam pra fumar maconha com o dinheiro dos fãs ou tu pode realmente dar em troca as coisas de uma maneira justa. Vou dar o exemplo do meu crowdfunding, não vou falar de ninguém mais porque eu andei vendo vários crowndfounding, uns absurdos, outros muito honestos mas enfim, no meu disco no crowdfunding, tu compra por 20 reais. Hoje em dia um disco não custa 20 reais nem na loja, então é a questão é que tu paga 20 reais antecipado para ganhar o disco com a taxa de correio, autografado, em casa, muito mais barato do que tu vai encontrar no mercado. Se tu ajudar esse disco a ser financiado. Dentro do crowdfunding tem vários outros pacotes: tu pode levar disco + EP, pode levar a discografia inteira, discografia inteira + camiseta, pode fazer meet & greet comigo, pode comprar pocket show, quer dizer, é tudo dentro de uma faixa de preço que realmente condiz com o produto que está se comprando. A única coisa que se faz no crowndfounding é conseguir a fidelidade do comprador para que ele invista antes do produto sair. Basicamente é isso, eu poderia ter pedido  150 mil no crowndfounding e passar minhas férias fora daqui mas eu só quero, realmente, fazer esse disco. E acredito que as bandas tão correndo cada vez mais atrás do crowndfounding porque as gravadoras não cumprem mais o papel que cumpriam antigamente. Primeiro lugar: não é difícil achar uma gravadora, é difícil achar uma gravadora que invista em ti nos moldes que as gravadoras investiam antigamente, te dê estrutura boa pra caramba pra gravar um disco, que divulga tua música, que pague assessoria de imprensa, que pague assessoria de TV, que pague assessoria de rádio, né? Esse tipo de gravadora existe mas existe para grandes artistas que vendem grandes quantidades de discos, na real, então não é o momento, acredito eu, de voltar a se unir com gravadoras. Então os artistas, cada vez mais, estão indo atrás do crowndfounding para ter uma fidelidade com o público. Bom, têm exemplos maravilhosos, né? O Esperanza gravou um disco com crowndfounding, o Forfun gravou um DVD com crowndfounding, o Dead Fish gravou, o Raimundos gravou, eu tô indo gravar agora, então acho assim, é uma grande maneira de cada vez mais unir o público com o artista e fazer o público se sentir parte disso também, além de adiantar o lado do artista de uma maneira maravilhosa, né? Por que se a gente tivesse que levantar toda essa grana sozinhos e fazer um disco, a gente até poderia recolher essa grana como se fosse um investimento, como se fosse retirar a longo prazo mas tu conseguindo pré-vender os nossos discos, que é o caso que estamos fazendo no crowdfunding, nada mais do que isso, tu consegue sair com uma leva já vendida e paga, tudo consegue pagar os custos que vai ter de estúdio, de foto, de design, de clipe, de rádio, de TV, de imprensa escrita então isso é importante pra caramba. 

5. E para finalizar, você tem planos para retomar o trabalho com a Abril, mesmo que não tão logo?

Ah se não for logo, sim, tenho vontade de tocar com os caras de novo, tenho vontade de morar em Porto Alegre em primeiro lugar, né? Tenho vontade de voltar para Porto Alegre e voltando para Porto Alegre a gente se reencontra e vai tocar. Uma coisa que ficou muito perdida na minha cabeça morando em São Paulo foi esse lance de sentar no estúdio com os amigos e fazer músicas novas. É uma coisa que eu não faço há uns 10 anos ou mais. O grande barato da Abril também é esse, se eu voltasse para Porto Alegre e se conseguisse reunir de novo, diariamente para tocar, não veria problema nenhum em voltar a tocar com a Abril. Acho legal pra caramba, gosto pra caramba da banda, mas também não é uma coisa que estou focado agora. Meu foco agora é terminar essa turnê com o Humberto e fazer o disco do Esteban e já sair compondo o terceiro disco do Esteban também. Eu quero lançar os discos em menos espaço de tempo e é para isso que a minha cabeça está virada agora. Obrigado galera, obrigado Marcelo. Espero que transcrever essa matéria não seja um pé no saco, mas agradeço pela oportunidade de vocês e a gente se vê, em breve. Obrigado viu gente, um grande abraço.

 

Foto: Divulgação/Internet

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