Excelsior, Stan Lee! Nossos heróis nunca morrem

Em primeiro lugar peço desculpas pelo título clichê deste especial, mas talvez nenhuma outra frase resumisse tão bem o que aconteceu nesta semana. Nós, fãs de super-heróis, perdemos nosso mentor. Stan Lee se foi aos 95 anos.

Não vou mentir dizendo que sempre fui ou até mesmo sou, um super-mega-ultra fã de quadrinhos e fazendo uma segunda confissão, digo que meu mergulho nesse universo veio mesmo em paralelo com outro universo: o cinematográfico da Marvel.

Sempre tive meus super-heróis preferidos, como quase toda criança que se preze, mas foi nas telas que essa arte me conquistou. Pra mim Robert Downey Jr. é o Homem de Ferro, Chris Evans o Capitão América e Chadwick Boseman o Pantera Negra.

Já conhecia e tinha lido sobre todos eles, em paralelo às obras do “nosso Stan Lee”, Maurício de Sousa. Ao mesmo tempo em que via minha vida real refletida no dia a dia de Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão (o meu preferido), viajava nos super poderes de Homem-Aranha, Wolverine e Hulk (o meu preferido).

Tanto quanto jogar bola com meus amigos na rua, era bem comum fingir que tinha garras de adamantium ou super força para levantar um sofá, algo que o Gigante Esmeralda faria só com um suspirar.

Super-heróis são assim, um paralelo com a realidade que nos leva a um mundo de sonhos em que temos poderes para salvar o mundo. Quem nunca sentiu aquele orgulhinho bobo de fazer algo que parece impossível para outros.

Foi justamente nessa vibe que Lee e Jack Kirby, além de seus tantos outros fiéis escudeiros durante seus 95 anos, nos ajudaram a vencer. Vencer o preconceito, fazer a sociedade entender que nem sempre o diferente significa ser inimigo e que tantos ensinamentos filosóficos e sociais nos passou em gibis (HQs para os mais jovens).

Stan Lee cresceu com esse pensamento, tenho absoluta certeza. Ele nasceu num mundo que tinha acabado de passar por uma guerra, em poucos anos ainda veria seu país “quebrar” com a crise de 29, depois presenciou outra guerra mundial, a segregação e o preconceito, virou o rock nascer, os hippies florescerem, a corrida espacial, uma guerra fria.

Hoje Stan Lee se torna oficialmente um super-herói

Por fim, em sua mente inquieta e inteligente, juntou tudo isso se colocando a criar heróis e vilões em histórias que, de fantasia só têm os super poderes mesmo. A realidade é muito mais presente do que podemos imaginar. Aliás, imaginar é só o que podemos.

Um menino que “sofre” mutações genéticas devido à picada de uma aranha radioativa? Bem que poderia ser depois de Hiroshima e Nagazaki. Quatro pessoas que sofrem um acidente espacial? Neil Armstrong ficaria orgulhoso.

São tantas as ligações dos personagens de Lee com situações da vida real que enumerá-los aqui estenderia este post por horas a fio.

Quando escuto “ah esses filmes e quadrinhos são coisas de criança” logo penso nessas analogias, um tanto rasas se comparadas à mente brilhante de um verdadeiro gênio do nosso tempo.

Stan Lee teve seu dedo indicador na direção de tudo que veio depois dele e de suas criações, talvez até em seus contemporâneos. Nem o Super-Homem da vizinha DC seria – e foi -, capaz de aguentar e hoje até ela há de se curvar em oração e devoção a Lee.

Se um dia na vida olhei para este site, quando escrevia apenas sobre rock, e decidi por “abrir o leque porque a gente gosta de muito mais coisas” também foi por causa de Stan Lee. Merecíamos compartilhar sua obra com o máximo de pessoas que fosse possível.

Tal qual Einsten para a ciência, Mozart para a música e Da Vinci para a pintura. Neste dia 12 de novembro de 2018 Stan Lee entra para o panteão de gênios que vivem em outro mundo, um mundo de sonhos onde só habitam àqueles que têm super poderes.

Por isso mesmo, assim como os três citados, Stan Lee terá sua obra lembrada ao longos dos anos, ao longo dos séculos. Agora, juntos eles podem formar uma nova aliança, para com suas obras, continuarem a salvar o mundo em que vivemos.

Gênio, mito e lenda, Stan Lee foi e sempre será tudo isso. Mas hoje… hoje Stan Lee se torna oficialmente um super-herói.

Excelsior!

 

 

Foto: Divulgação/Internet

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