Eyehategod afoga São Paulo com sludge de qualidade

Chegou o grande dia! No último sábado foi realizado um dos eventos mais aguardados do cenário alternativo de São Paulo, quando a produtora Abraxas completou 5 anos de existência e para comemorar uma data tão marcante, preparou um evento único e sem precedentes, a Abraxas Fest, que trouxe duas atrações internacionais de peso, sendo inclusive uma delas, inédita: o power trio alemão Samsara Blues Experiment e a banda mais insana do sul americano, Eyehategod.

A noite ainda contou com a participação de duas bandas brasileiras, os paulistas do Noala com seu som experimental e diretamente do Distrito Federal, o ITD, com seu som arrastado que muito remete os fãs aos primórdios do doom metal. Ambos marcaram presença para abrir os trabalhos da noite com muita energia, atraindo os fãs para perto do palco e dando o tom do que o público poderia esperar pelo resto da noite.

Fato é que apesar das apresentações terem começado relativamente cedo, a casa já ficou lotada antes mesmo das sete horas da noite, pois além de prestigiar as bandas nacionais, os fãs estavam ansiosos para ver o trio alemão Samsara Blues Experiment, já que em entrevistas, eles prometiam uma apresentação ainda mais poderosa em relação ao do ano passado, tendo inclusive músicas inéditas a serem apresentadas ao público, que simplesmente “devorou” os materiais a venda, seja em CD ou LP.

Para os ainda não familiarizados, Samsara, na filosofia budista significa transmigração, renascimento de uma vida, a passagem de uma vida para a outra após um período no mundo dos mortos e se existisse uma trilha sonora para esse processo, com certeza, seria o mesmo realizado pela banda. Riffs pesados, baixo arrastado e uma bateria ritmada, tudo isso regado com doses cavalares de efeitos e sintetizadores.

Tendo lançado o disco “One With the Universe” alguns meses após sua turnê pelo Brasil no ano passado, o vocalista Christian Peters tinha uma dura missão pela frente: construir um set que além de saciar a fome dos fãs com músicas de mais de uma década de carreira e as novas canções, e o que nós vimos foi um verdadeiro espetáculo musical.

É simplesmente indescritível assistir a um show dos caras. Se em um primeiro momento, ao observar o público, você imagina que ninguém está curtindo ou gostando pela falta de bate cabeça ou pelo completo silêncio, logo você percebe que a resposta para a sua dúvida é uma só: todos estão HIPNOTIZADOS pela apresentação!

Com seus kits de pedais, tanto o guitarrista e vocalista Peters, quanto o baixista Hans Eiselt, esbanjam comprometimento, habilidade, interação e capacidade de transcendência com seus simples instrumentos de cordas. Era simplesmente impossível não ficar de queixo caído com o que aqueles três estavam fazendo sobre o palco.

Apesar de toda a transcendência, magia e espiritualidade que rondaram a apresentado trio, a verdade era uma só: a galera queria a podreira e a insanidade de um dos país do sludge metal, um dos shows inéditos mais aguardados de todos os tempos, era finalmente a hora do lendário grupo Eyehategod despejar todo peso trazido direto de New Orleans.

A magia já teve início quando os músicos entraram no palco para organizar seus equipamentos e confesso que mesmo não sendo um conhecedor tão profundo e nenhum fanático pelo grupo, ao ver as figuras lendárias de Jimmy Bower e Mike Williams, deu aquele arrepio na espinha. É inegável como as figuras de ambos possuem uma vibe totalmente fora dos padrões e suas presenças trazem um peso de experiência e estrada, que raramente se vê nos dias de hoje, da para sentir que os caras vivem o que eles fazem.

Uma das coisas mais legais do show dos caras, é que eles não tem qualquer frescura com absolutamente nada! Estavam passando o som e simplesmente já começaram o show, sem aquele lance de todos saírem do palco e apagarem as luzes; todos ficaram na parte da frente do palco (que é relativamente grande), até o baterista ficou praticamente em cima dos músicos; e por último, mas não menos importante, a presença garantida de cigarros e bebidas alcoólicas, destaque para o vocalista Mike que matou uma garrafa de vinho inteira e o para o guitarrista Jimmy que dragou uma caixa da Marlboro praticamente inteira ao longo do show.

(Destaque para Jimmy e sua guitarra de quatro cordas!)

Partindo para o show em si, tivemos 16 músicas ao longo de quase uma hora e meia de pura destruição sonora da melhor qualidade! Além do frenesi dos fãs, era possível ver que a banda em si também estava curtindo muito estar tocando por aqui, interagindo com o público… de formas não tão ortodoxas, distribuindo dedos do meio ou simplesmente jogando água em todo mundo.

Como o último disco da banda foi lançado em 2014, “Eyehategod“, o set list foi bem variado e abraçou diversas fases do grupo agradando a gregos e troianos: abrindo com “Agitation! Propaganda!“, justamente do último trabalho citado, os rumos do show passaram variar, como por exemplo “Jack Ass in the Will of God“, do trabalho anterior e “Lack of Almost Everything” do disco Dopesick de 1996. O single “New Orleans Is The New Vietnam” de 2012 também arrancou gritos do público e incendiou o bate cabeça que não parou por um segundo durante o show inteiro.

Mas obviamente, os grandes destaques ficaram por conta das músicas mais antigas, que ficaram para o final, como “30$ Bag” de 1993 e “Left to Starve” de 1990.

Com certeza um show histórico que vai ficar na memória dos fãs que presenciaram essa destruição sonora única!

Set list:

Agitation! Propaganda!

Jack Ass in the Will of God

Parish Motel Sickness

Blank / Shoplift

Lack of Almost Everything

Blood Money

Sisterfucker (Part I)

Sisterfucker (Part II)

Medicine Noose

Revelation/Revolution

Take As Needed For Pain

30$ Bag

New Orleans is the New Vietnam

dixie whisky white neighbor

Left to Starve

Serving Time in the Middle of Nowhere

 

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