Glenn Hughes: A Voz do Rock volta a Porto Alegre para celebrar o Deep Purple com casa cheia

No dia 28 de abril o tradicional Bar Opinião em Porto Alegre foi novamente palco de uma noite histórica para os amantes do bom e velho rock’n’roll. O icônico baixista e vocalista Glenn Hughes, conhecido como “The Voice of Rock”, retornou à cidade para celebrar sua fase no lendário Deep Purple, sendo recebido com casa cheia num sábado quente, que ficará na memória dos gaúchos.

Apresentando um repertório impecável, que contou com músicas das fases MK3 e MK4 do Deep Purple, de onde saíram os consagrados discos “Burn” (1974), “Stormbringer” (1974) e “Come Taste the Band” (1975), Glenn Hughes novamente surpreendeu os fãs com sua voz incomparável e sua energia absurda, que sempre contagia e emociona a todos que o assistem.

O baixista que está com seus quase 66 anos, demonstrou durante todo o show ser o mesmo músico daquela mágica época setentista, com uma extensão vocal de dar inveja a muito artista jovem por aí.

Horas antes de começar a apresentação, a fila quilométrica de pessoas que estavam do lado de fora dava a volta no quarteirão do Opinião, impressionando a quem passava pelo local. Fãs de todas as idades marcaram presença, vestindo na grande maioria camisetas do Deep Purple, Black Sabbath e Trapeze, bandas nas quais Glenn foi integrante durante sua carreira.

Quase perto das 20h, horário previsto para o início do show, ainda haviam pessoas entrando no Opinião, o que causou praticamente 15 minutos de atraso na apresentação do baixista. Apesar do tempo de espera, o clima estava muito agradável entre os fãs, que comemoravam entre si a conquista de presenciar uma noite tão memorável como esta.

Por volta das 20h15 os músicos Fernando Escobedo (bateria), Jay Boe (teclado) e  Søren Andersen (guitarra) sobem aos poucos no palco, acenando para o público e sendo aplaudidos por todos.

Em seguida, Glenn aparece já tocando os acordes inconfundíveis de Stormbringer (1974) com todo o peso de seu poderoso baixo, levando o público ao delírio. O som grave do instrumento que era utilizado com muita maestria pelo músico, fazia tremer o photopit enquanto esta que vos escreve fotografava, que obviamente ficou emocionada com a presença do mestre a poucos metros de distância.

O público da grade estendia as mãos para tentar tocar no ídolo, e cantava a plenos pulmões o refrão da música. Glenn sempre muito simpático, saúda então os porto-alegrenses e agradece a todos pela presença, sendo ovacionado pelo Opinião inteiro, que gritava por seu nome.

Em seguida, o tecladista Jay Boe rouba a cena tocando Might Just Take Your Life (1974) com seu maravilhoso Hammond, instrumento que foi eternizado pelo saudoso Jon Lord, ex-tecladista do Deep Purple falecido em 2012.

Logo após seguem com outras clássicas do antológico disco Burn (1974), tocando Sail Away, na qual Glenn cantou com timbre muito parecido com o de Coverdale, e na sequência, Andersen solta o poderoso riff de Mistreated, acompanhado pelo talentoso baterista chileno e pelas palmas dos fãs.

Glenn deixou todos boquiabertos com seus agudos impecáveis e afinadíssimos, hipnotizando o público e mostrando o motivo pelo qual é chamado de “A Voz do Rock”. O vocalista então pergunta como todos estavam se sentindo, e bastava apenas olhar para o sorriso de ponta a ponta no rosto de cada fã para se ter a óbvia resposta.

Estavam todos maravilhados com a sequência de clássicos e com a performance de cada membro, que esbanjava muita técnica e carisma. A banda ao vivo supera todas as expectativas, onde apesar de Glenn ser o mestre do palco, todos conseguiam ter seus momentos de destaque.

Em seguida, novamente Jay Boe rouba cena com seu teclado, e junto com os músicos tocam uma intro com mais de 2 minutos da música You Fool no One (1974), com solos incríveis do virtuoso guitarrista Søren Andersen, que também arrancou muitos gritos das fãs que estavam perto do palco.

O jovem baterista também teve seu momento de glória, apresentando um solo impecável com incríveis 10 minutos de duração. Glenn então aplaude e abraça o talentoso rapaz, que certamente está vivendo um momento único em sua vida.

O vocalista olha para a plateia, chamando a todos de irmãos e irmãs, repetindo várias vezes que os amava muito. Completou dizendo que ele veio a Porto Alegre para assistir aos fãs, não o contrário.

Antes de dar sequência no show, Glenn conta que a música que viria a seguir havia sido escrita há 43 anos atrás, por ele e John Lord, e que por este motivo tentaria não chorar. O músico segurou as lágrimas para tocar a belíssima This Time Around (1975), a dedicando a seu velho companheiro de estrada, sendo acompanhado pelas vozes do público emocionado.

Voltando a agitar, a banda segue com a dançante Gettin’ Tighter (1975), do álbum “Come Taste the Band”, a dedicando ao ex-guitarrista do Purple, Tommy Bolin. Glenn novamente se destaca com os grooves de seu maravilhoso baixo, que fazia tremer por completo o Bar Opinião.

Até aqui o show se baseava em hits dos discos Burn, Stormbringer e Come Taste The Band, os quais Glenn Hughes fez parte, porém o músico não poderia deixar de fora a icônica e tão aguardada Smoke On The Water, com um medley de Georgia On My Mind, música de 1930 que foi virar sucesso na voz de Ray Charles nos anos 60.

“Porto Alegre, vocês conseguem sentir minha alma?”

“Porto Alegre, vocês conseguem sentir minha alma?”, disse o vocalista – já pegando seu baixo para começar suavemente You Keep On Moving, onde o som dos instrumentos parecia abafados pelo forte eco dos fãs. Eu achei este momento tão maravilhoso que nem consegui acompanhar cantando, tive que observar (boquiaberta) o que estava acontecendo diante dos meus olhos.

Os músicos então se retiram do palco para um breve intervalo, e retornam para tocar Highway Star, outra clássica do álbum “Machine Head” (1972), e também conhecida por todos ali presentes. Destaque desta vez para o roadie da banda que assume o baixo nos primeiros momentos da música, enquanto Glenn fica somente no vocal e aproveita para se soltar no palco, se divertindo com os fãs perto da barricada.

O show não chegaria ao fim antes do Opinião ser literalmente “incendiado” com Burn, maior sucesso das fases MK III e MK IV do Deep Purple, e obviamente muito aguardada por todos os fãs. Com todo respeito a Gillan e Coverdale, mas a performance e alcance vocal de Glenn supera os músicos de lavada.

Foi um verdadeiro espetáculo, onde os fãs chegavam a ficar sem fôlego ao cantarem o famoso refrão com seus braços estendidos. Depois de quase 2 horas de muito hard rock, funk e soul, os músicos dão um abraço coletivo em Glenn, e se despedem do público sob muitos aplausos. O baixista que é o último a se retirar, garante então que voltará ano que vem ao Brasil, dizendo inúmeras vezes que amava muito o nosso país.

A grandeza desta noite ficará para sempre registrada, não somente por vídeos e fotos, mas em nossas lembranças que nos acompanharão daqui pra frente. Poucos músicos conseguem transmitir essa energia maravilhosa e ter o poder de transportar seu público para outra época, onde a liberdade e o amor eram o lema de uma geração.

Esperamos ansiosos pelo retorno do mestre, e quem sabe desta vez para apresentar algo do Trapeze ou Sabbath, não é mesmo?

SETLIST:

1 – Stormbringer

2 – Might Just Take Your Life

3 – Sail Away

4 – Mistreated

5 – You Fool No One

6 – This Time Around

7 – Gettin’ Tighter

8 – Smoke on the Water / Georgia on My Mind

9 – You Keep on Moving

BIS

10 – Highway Star

11 – Burn

Fotos e resenha: Day Montenegro/Divulgação (veja mais aqui)

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