Goiânia Noise Festival dia 3: Raimundos e gratas surpresas

RAIMUNDOS (DF)Depois de duas noites de bons shows eis que finalmente chega o derradeiro dia do Goiânia Noise Festival 2017. O domingo, 20, como já era de se esperar, foi o mais cheio do evento, com o público em sua maioria para ver o Raimundos tocar os seus clássicos.

Ainda que os fãs estivessem mesmo esperando o grupo, o festival reservou shows muito bacanas e para variar, pra quem pôde conferir tudo ou quase tudo vai levar algumas boas bandas para escutar em casa. Uma delas é o Red Mess.

O power trio justifica a alcunha tocando um rock pesado e habilidoso, sem falar na interação com o público, que até já conhecia os meninos do underground paranaense. Outra boa surpresa foram os portugueses do The Dirty Coal Train. O grupo mostra um rock garagero meio punk comendado pela vocalista e guitarrista Jesse Coltrane.

Quem também veio lá da Europa, um pouco mais longe, foi o Stoned Jesus. A banda ucrâniana mostrou versatilidade em seu show e surpreendeu pelo número de pessoas que vibrou com a apresentação. Uma banda do leste europeu ter fãs no Brasil é bem legal.

Uma das atrações mais esperadas por este que vos fala foi o Sheena Ye. Formado Mário Nacife (baixo e voz), Douglas Dieck (guitarra) e Vinicius Bernardes (bateria) o Sheena mandou ver em músicas do disco “Seu Tempo Acabou” com muita competência. Vale vocês darem uma olhada nessa mistura de som pesado e técnica apurada.

Relespública e Edgard Scandurra tiveram um “pequeno” imprevisto e o previsto era que eles tocassem antes do Raimundos. Porém os atrasos nos voos da vinda da banda – Edgard já estava em Goiânia – provocaram a inversão dos shows.

Fechando a noite eles mandaram ver para um público bom, que esperou para prestigiar a apresentação e o climão mod que a dupla se propôs.

RAIMUNDOS

Como dissemos o show do Raimundos teve que ser antecipado, nada que fosse problema para os fãs que estavam lá era para ver a banda mesmo e ponto final. A ovação foi geral quando Digão, Canisso, Marquim e Caio subiram ao palco 1 do Goiânia Noise Festival.

Com a simpatia e brincadeiras de sempre, o grupo entoou seus principais hits, não da maneira acústica como no disco recém lançado e sim com a mistura de hardcore, metal e ritmos nordestinos que estávamos acostumados a ver.

A lenda viva que fez a cabeça de muita gente nos anos 90 tocou músicas como Puteiro em João Pessoa, I Saw You Saying, O Pão da Minha Prima, Mulher de Fases, Me Lambe e Eu Quero Ver o Oco que encerrou a apresentação depois de pedidos da platéia para que ela fosse executada antes dos caras irem embora.

O quarteto ainda teve tempo no meio do show de fazer um medley de clássicos do rock que incluiu Smells Like Teen Spirit do Nirvana e Enter Sandman do Metallica, entre outras. Digão ainda pegou o microfone para protestar contra o governo (dos dois lados) e a indústria da música cheia de “jabá” (que a gente sabe que é) antes de entoar Deixa Eu Falar. Reggae do Maneiro e 20 Poucos Anos (cover de Fábio Júnior) também tiveram seu espaço no set.

30 anos nas costas, mudanças de formação e uma reerguida digna de filme levaram o Raimundos ao Goiânia Noise Festival para fechar os trabalhos da maneira mais justa e merecida possível, ainda que não tenham se apresentado por último.

SALDO

Três dias de música, de rock, de algumas boas misturas. Cansativo, mas gratificante. A despeito de alguns festivais muito maiores que vemos por aí, não houveram problemas – não que saltaram à vista. Os caixas funcionaram bem, o bar era sempre movimentado mas nada de filas e os comes idem.

A estrutura funcionou com os shows variáveis de meia em meia hora nos dois palcos, à exceção dos headliners que tocavam por mais tempo. O saldo é totalmente positivo, desde a organização até a mistura de bandas underground e mainstream.

O Goiânia Noise provou que existe sim uma cena, mas talvez o público se interesse mesmo é pelos velhos e bons hits, que de certa forma é um erro já que pelo menos uma dúzia de grupos independentes que se apresentaram no festival merece melhor sorte e público.

Parabéns à organização, a Monstro Discos e a todos os organizadores do Goiânia Noise Festival por nos tirar do popular e lembrar que ainda há muito rock bom nascendo no Brasil. Espaço tem, festival tem, agora que tenha mais público, essa galera merece.

Confira as resenhas dos dois primeiros dias de Goiânia Noise Festival 2017 e outras notícias que publicamos sobre o evento aqui. No nosso Instagram (@rocknoize) você encontra fotos e vídeos das apresentações.

 

Foto: Divulgação/Internet

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