Há 12 anos o System of a Down lançava seu último álbum de estúdio

system of a downO ano era 2001, eu estava no colégio e frequentemente íamos à casa de um amigo ali próxima, no tradicional bairro da Bela Vista em São Paulo, para assistir a MTV gringa. Tudo porque era lá que ficávamos mais por dentro das novidades do rock, já que a emissora nacional se encaminhava quase que totalmente para o mercado pop e apresentadores de “rostinhos bonitos” e sem conteúdo, raras exceções.

Um dos clipes que mais nos chamava a atenção no TOP qualquer coisa era de Chop Suey! de um tal de System of a Down, nome ainda não muito familiar e que por vezes falávamos errado. Como não tinha Youtube, streaming e tudo isso que facilita a vida – além de deixar tudo mais efêmero -, pra gente conhecer uma banda, o lance era ficar a tarde toda ligados pra ver se pintava mais alguma coisa deles na programação.

Bom, era raro ver algum outro clipe ou notícia do quarteto de ascendência armênia radicado nos Estados Unidos e que cantavam tons políticos e letras de protestos, entre outros assuntos, tudo naquela vibe de 11 de setembro e nós, como adolescentes, começamos a focar nesse tipo de música.

O System of a Down era diferente das bandas do tido new metal. Tinha todos os elementos mas se destacada em outros – a voz de Serj era um deles. Nem os considero isso, mas há quem considere, enfim. Óbvio que lá vou eu à primeira loja de discos pra ver se achava alguma coisa dos caras.

Nem sei se a loja existe ainda, mas ficava na larga Brigadeiro Luis Antônio, há uns 10 minutos do centro de São Paulo. Não achei o bombado “Toxicity”, apenas o primeiro disco deles, mas a ânsia era tanta que sem conhecer nenhuma música comprei assim mesmo.

Chegando em casa o play foi dado segundos depois da minha passagem pela porta. Suite-Pee e Sugar logo me chamaram a atenção, mas foi Spiders que deu o estalo de que aquela banda seria uma das minhas preferidas nos anos seguintes. E foi.

O anos passaram e fui comprando os discos, ouvindo cada vez com mais paixão, afinal era um melhor que o outro. Nesse meio tempo acabei comprando também um bootleg – aqueles discos de gravações de shows ou músicas não lançadas, mas pode chamar de pirata também -, de um show deles no festival australiano Big Day Out de 2002.

Bom, lá se vão 12 anos desde que comprei “Hipnotize” e também desde que o System of a Down lançou seu último disco de estúdio. Fui ao primeiro show deles na capital paulista, na terrível Chácara do Jóquei, e a catarse foi imensa, tanto quanto a poeira que subia do chão a cada moshpit.

De lá para cá já escrevi muito sobre eles, ouvi incontáveis vezes – inclusive enquanto vos escrevo essa matéria. Sinceramente não sei porquê mas não fui a nenhum outro show do System of a Down no Brasil desde então, e olha que foram muitos.

Eu realmente não sei por que não lançamos um novo álbum. É muito desanimador” – John Dolmayan

Deveria ter ido, em pelo menos mais um, aquele que você vai pensando “vai que acaba, né?”. Mas pra mim o mais angustiante não seria o System of a Down acabar. O que acontece há 12 anos é muito pior. Isso pode se agravar no meu caso, já que há 8 anos escrevo sobre música, incluindo sobre Daron, Serj, John e Shavo.

Principalmente nos últimos anos quando os indícios de uma volta ao estúdio pareciam mais próximas do que nunca. Aliás, sempre parecem, salvo quando um resolve “culpar” o outro por ser o “empata foda” da vez. Em abril de 2015 Serj disse que eles estavam abertos a trabalhar juntos de novo. Em abril próximo essa declaração completa 3 anos.

Esse tempo parece nada perto do tempo que o grupo lançou algo novo. Em 22 de novembro último chegamos aos 12 anos desde o lançamento de “Hipnotize” e tal qual a música que mais gosto desse disco, Lonely Day, foi mais um dia solitário e de lembranças, apenas.

A prova de que o System of a Down continua relevante é de que os shows estão sempre lotados. Aqui, onde não os vemos com tanta frequência e que temos a tendência de sempre querer ver e ouvir as mesmas coisas, mais ainda. A cada notícia, a cada vinda, o frenesi é total.

Mas foi justamente neste 22 de novembro de 2017 que me atinei do porquê não ir em show da banda. Amo a discografia toda, algumas das músicas estão entre as minhas preferidas, mas cansei delas. Quero algo novo e com urgência.

Aí você pode pensar “Ah mas muitas bandas demoraram para lançar discos, até mais tempo”. Sim, concordo. Mas também tinham muito mais idade – inclusive de seus integrantes -, e muito mais história.

Sei que talvez a convivência por horas, dias e meses gravando um álbum não deve ser lá muito fácil, é como qualquer relação, mas o que me chateia é a indefinição. Porque depois de tantos anos os shows, basicamente iguais, eles começam a soar mais como caça-níqueis do que como System of a Down.

Que o System of a Down grave algo novo o mais breve possível ou então o melhor é que tudo se transforme em saudosismo.

 

 

Foto: Divulgação/Internet

Comentários