Hereditário: tão chato quanto foi superestimado

Desde que Hereditário começou a ser divulgado, com trailers e imagens, a internet foi à loucura. A produção era tida como o melhor filme de terror de 2018. Bom, pode até ser, mas só se for por pura falta de opção mesmo, nada mais do que isso.

“Especialistas” (note aspas) chegaram a comparar Hereditário com grandes clássicos do gênero como O Iluminado e O Exorcista por ser diferente dentro do contexto do terror em sua época, assim como foram os dois citados e sim, eles foram. Comparar Hereditário a esses filmes é uma heresia, só pra não perder a piada.

O longa começa com a morte (já no enterro) da matriarca da família Graham, avó de Annie, personagem da excelente Toni Collette e no desenrolar dos acontecimentos percebe que o gene “maldito” também passou por ela.

A avó, Annie e seus filhos Charlie (Milly Shapiro) e Peter Alex Wolff demonstram problemas psicológicos que vão desde sonambulismo, até um grau mais alto de introspecção e visões. Se Hereditário tem um mérito é justamente explorar esse lado.

“Comparações com verdadeiros clássicos do terror que mudaram a forma de se produzir o gênero são tão esdruxulas quanto o final de Hereditário”

Em tempos onde os filmes de terror bebem da fonte do sobrenatural e só, Hereditário se apega muito mais à mente humana do que aquilo que, de fato, vem de outro mundo. Está tudo na nossa cabeça, ele quer dizer. Mas no fim das contas, sempre sobra para o sobrenatural.

Não espere pular da poltrona ou achar que não dá pra assistir Hereditário sozinho(a) em casa e no escuro. O filme não proporciona grandes sustos e (SEM SPOILER) somente uma cena me impressionou, com Chapie, de longe a personagem mais interessante e menos explorada do filme.

O filme se centra nas relações e perturbações da trinca Graham e deixa bem de lado as interpretações do pai, personagem insosso vivido pelo bom Gabriel Byrne. Peter (Wolff), um adolescente normal, que gosta de festas e maconha, de uma hora para outra (ok, tem lógica) se torna a figura central da trama.

Para dar um significado e a história não ficar presa apenas na família Graham, foi adicionada Joan (Ann Dowd) na trama. Sabe quando você tem aquela desconfiança “huummm ela é muito boazinha”? É bem por aí, está na cara que Joan vai aprontar alguma coisa. E apronta.

Por fim a melhor “parte” de Hereditário é Toni Collette. É linda, é incrível e excelente atriz e só ela poderia para salvar Hereditário de um naufrágio total. Annie é de longe a mais perturbada da família Graham, também pudera: parece que todos “morrem em suas mãos”.

Toni parece imersa em sua personagem e enfrenta problemas normais de mãe, esposa e artista. Ela faz maquetes de tudo enquanto é coisa e quando você se centra nas maquetes achando que vai sair um coelho dessa cartola, bom…

O Casamento de Muriel (esse filme é incrível, assistam!), O Sexto Sentido e Pequena Miss Sunshine fazem jus à Toni Collette, Hereditário não. Sua atuação é excelente, seus dramas, suas caras e tudo mais são muito para o filme.

Veja bem, Hereditário não é um filme ruim, sua fotografia é incrível, os diversos ângulos das câmeras e como Ari Aster escreveu e dirigiu o longa a fim de prender o espectador são louváveis. Mas o filme é chato, apenas e simples assim.

E mostra que assim como muitos de nós não acreditam no sobrenatural, também não devemos acreditar tanto nas histórias que vem antes dos filmes e no oba-oba que elas causam redes sociais a fora. Isso sem falar nos críticos, trailers, spoilers e tudo mais de promocional que se tem por aí.

Pessoas vomitando ou saindo do cinema antes do filme acabar: ou as pessoas não assistem muitos filmes de terror ou não veem jornais (há muito mais sangue neles, inclusive). Comparações com verdadeiros clássicos do terror que mudaram a forma de se produzir o gênero são tão esdruxulas quanto o final de Hereditário.

 

 

Foto: Divulgação/Internet

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