Inferno Club é mais um que fecha suas portas

Inferno-ClubÉ meus amigos, 2016 não está sendo fácil para quem curte uns rolês de rock and roll em São Paulo. Depois do anúncio de que 2017 é o último ano de atividades no emblemático Hangar 110, agora é a vez de outra casa – de shows e neste caso, também balada – do gênero anunciar que fecha as portas: o Inferno Club.

Os donos da tradicional casa da Rua Augusta anunciaram que dezembro é o último mês de shows e festas por lá. O anúncio foi feito na página do Inferno no Facebook: “Foram 10 anos de muita dedicação e amor pelo que fizemos e construímos junto com vocês, amigos, clientes, bandas, djs, promoteres e colaboradores. Jamais teríamos escrito nossa história sem vocês, e a vocês somos eternamente gratos.”

Os motivos que fizeram o Inferno fechar as portas não foram divulgados e basicamente tudo que você ler por aí que não vier dos proprietários de forma oficial é pura especulação, mas podemos supor que sejam os mesmos que fizeram o Hangar 110 encerrar suas atividades: falta de público, mudança de interesse de público, falta de apoio à bandas novas e festas de rock e por aí vai.

Fato é que muita coisa mudou desde que o Inferno Club abriu suas portas em um dos redutos mais rock and roll de São Paulo, a Augusta, claro. Essa história coincide com o tempo em que frequento a rua e vejo muitas das casas e bares fechando suas portas ou mudando de lugar.

Casos mais recentes de mudanças foram do Z Carniceria, charmoso bar que lembrava em tudo um açougue, e que se tornou maior e uma casa de shows no Largo da Batata em Pinheiros e do Caos Augusta, que ficou menos tempo e trouxe um misto de loja de antiguidades descolada e bar, se mudando para a Santa Cecília.

Entre suas festas tradicionais, como a Rebel_Rebel e a GlamNation, e os shows nacionais e internacionais, o Inferno ainda tentou abrir seu leque para baladas com temáticas diferentes, mistura de estilos, mas mesmo assim não foi capaz – no melhor sentido da palavra – de sobreviver a um público que hoje, vai em busca de algo muito mais efêmero do que assiduidade.

Tive oportunidade de discotecar por duas vezes no Inferno Club, realizar um sonho na verdade, já que, como disse, o tempo em que ele ficou aberto coincide com o tempo que frequento a Augusta. Fiz DJset’s na primeira edição da Overdose Party, numa quinta-feira à noite.

No início deste ano mandei um som entre os shows do Cerberus HellFest, um festival de bandas novas do metal nacional encabeçada pela Eutenia e foi uma das discotecagens mais legais que fiz, em um domingo à tarde/noite, com casa cheia.

Nesta semana também fomos pegos de surpresa em algo que também vem muito de encontro a tudo isso, o encerramento da Festa Gimme Danger, que durou 16 edições, ou seja, um ano e meio, em que tivemos o prazer de tocar na primeira edição, sempre no Bar Squat.

Ainda em 2016 tivemos o prazer de fazer a primeira e única edição da Rock Noize Party e algumas edições da Festa Blitzkrieg Bop e sofremos com o reflexo de um mercado que está se esvaindo. Pouco interesse de público, muitas desculpas, e pouco apoio das casas também, o que não foi o caso quando toquei no Inferno e durante os dois anos na Outs, também na Augusta. Já nos outros casos citados…

Fato é, e muito óbvio inclusive, que é preciso um interesse mútuo: do público se interessando em ir e indo, é claro, e não apenas dando “tenho interesse” em rede social (falei isso na matéria do Hangar), das casas em ajudar na divulgação e organização das festas, porque só abrir o espaço não basta, como ouvi uma vez “só abri o espaço, não tenho nada a ver com isso”, o que não foi o caso com o Inferno, mas enfim.

É óbvio, é cliché e sabemos dos problemas e possíveis soluções, mas enquanto não houver interesse mútuo e principalmente atitude, vamos continuar enterrando nossas casas de shows de rock, de baladas de rock, de bares e o que mais alguém inventar futuramente para cobrir essa lacuna que Hangar, Inferno e tantos outros como Vegas e Studio SP, estão deixando.

 

Foto: Divulgação/Internet

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