Liberation Festival faz história em São Paulo com King Diamond

foto 1Em um ano recheado de grandes shows, para todos os gostos e bolsos e especialmente os grandes festivais marcando presença com atrações peso, seja o Lollapalooza, Rock N’ Rio, SP Trip, Overload Music Fest ou Odin’s Krieger Fest, a produtora Liberation, responsável por shows lendários na capital, arriscou todas as fichas em um jogada alta, mas que iria abalar São Paulo. Mas vamos por partes…

Quando o sol começava a dar seus primeiros sinais pela manhã do último domingo (25/06), o que aparentemente se mostrava como mais um domingo qualquer, escondia lá em suas profundezas uma ansiedade única e que que tinha nome e sobrenome: Liberation Festival. Este que vos fala nesse exato momento sentiu na pele as famosas “borboletas no estômago” durante o dia inteiro, aliás, “borboletas” essas que vinham se intensificando desde sexta feira, quando o credenciamento para realizar a cobertura do evento foi respondido de forma positiva e sou obrigado a dizer, gritei freneticamente com a notícia no meio do trabalho.

Mas bem, pulemos para o que interessa, até pensei em ir ao médico para ver essa sensação de ansiedade, especialmente por não conseguir para de olhar para o relógio contando os segundos como se minha vida dependesse disso, mas a verdade é que tudo isso se resumia pelo simples fato da atração principal do Liberation Festival, o lendário cantor dinamarquês King Diamond! Desde sua última aparição por terras tupiniquins no início da década de 90, os fãs aguardavam como um sonho por um novo show e que quando anunciado no final de 2016, gerou um verdadeiro furor na internet, movendo uma verdadeira multidão atrás dos ingressos para o que prometia ser o grande espetáculo do ano.

Mas o festival não parou por ai em sua grande aposta, a cada mês uma nova atração foi sendo anunciada para complementar o esplendor do festival: primeiro os alemães do Heaven Shall Burn, em seguida os ingleses do Carcass, os americanos do Lamb Of God e como grandes representantes nacionais, a dupla Test. Com esse set digno de um verdadeiro festival à la verão europeu, os fóruns e comunidades on-line e de amigos não falavam de outra coisa a não ser da grandeza do festival.

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Tenho que ser sincero, por mais que se especulasse sobre a grandeza do evento e do quanto ele estaria lotado, não tive noção dessa “giganteza” (e aposto que grande parte dos fãs que estiveram lá, também não) até descer do metrô e ver a rua do Espaço das Américas forrada por um mar de gente, que se aglomerava até as portas da casa de show.

Destaque para a grande quantidade de pessoas que não vieram apenas de outras cidades ou estados, mas sim de outros países! Isso mesmo, pessoas dos mais variados países latino americanos vieram em peso para prestigiar o festival histórico: Peru, Chile, Equador, Argentina e Venezuela. Todos extremamente felizes e fazendo questão de levantar as bandeiras de seus devidos países para mostrar o quanto esse show foi aguardado por uma verdadeira legião de fãs.

Com uma programação rígida, os shows começaram as 17:30 com a dupla Test sobre o palco. Já velhos conhecidos dos fãs de metal paulistas, a banda já abriu para grandes nomes internacionais, possui uma sólida discografia e uma considerável carreira internacional, mas são famosos por seus shows feitos na rua e na porta de eventos, com os equipamentos retirados de dentro da Combe da dupla.

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Pela enorme quantidade de gente que já se apertava para entrar no Espaço das Américas, quando o Test estava sobre o palco ainda o público ainda estava se ajeitando e se maravilhando com a grande estrutura e organização planejada para o evento. Mas a apresentação deu o tom do que seria a noite: peso e volume no talo! Mesmo com os protetores auriculares, eu conseguia sentia as palhetadas que emanavam dos gigantes amplificadores ricocheteando dentro do ouvido.

Acho justo falar e parabenizar a organização do evento, não sou muito bom com números ou com a expectativa de participantes de algum evento só através do olhar, mas quando a noite já caía do lado de fora, acredito que haviam pelo menos 5 mil pessoas dentro da casa (chutando por baixo). Então pense comigo colega: 5 mil pessoas andando atrás de água, cerveja, banheiro e a segunda atração principal da noite depois dos shows: o merch! Da mesma forma que as atrações se igualavam ao nível dos festivais europeus, as filas também não ficaram para trás.

Citei o merch, pois ele merece um destaque aqui: a Liberation produziu um material exclusivo para o show, tanto para a apresentação do domingo, como para o show que houve no Rio de Janeiro na noite anterior. Camisetas do King Diamond, Carcass e Lamb Of God com estampas exclusivas, além do merch oficial do Heaven Shall Burn e do Test. Fora isso, ainda havia um copo estilizado especialmente para o festival e para todos que comprassem qualquer um dos merchandisers oficias, um cartaz de brinde, que não demorou a se esgotar, assim como muitos tamanhos de camisetas, tamanha foi a procura.

Todo esse mundo acontecendo simultaneamente aos shows, que continuavam de forma espetacular. Após o Test, foi a vez dos alemães do Heaven Shall Burn, com seu death core rasgado e brutal, não pouparam esforços para roubar a da noite. Se para muitos dos pagantes, esse seria um show “meia boca” por destoar um pouco das demais bandas, ao vivo o grupo mostrou que não perde em nada e conseguiu arrancar sorrisos até dos mais céticos que torciam o nariz para o grupo.

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Com pouco mais de 40 minutos, o quinteto liderado pelo vocalista Marcus Bischoff suou a camisa sobre o palco destilando violência e agressividade, como poucos sabem e tocaram um set um tanto quanto variado, desde os grandes clássicos do grupo, até músicas do último disco “Wanderer“, lançado ano passado.

Em seguida, poucos instantes após as cortinas terem se fechado após o show do Heaven Shall Burn, as primeiras pedradas estavam sendo jogadas pelos ingleses do Carcass. Dispensando qualquer tipo de introdução, o quarteto invadiu o palco e tomou de assalto cada centímetro e cada alto falante, devastando a pista com circles pits e bate cabeças.

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Algumas músicas merecem destaque como “Incarnated Solvent Abuse“, “No Love Lost“, “Captive Bolt Pistol” e para a insamente podre, mas ao mesmo tempo brilhantemente espetacular “Reek Of Putrefaction“. Apresentando um pique de atleta, mesmo depois de terem se apresentado no Rio de Janeiro na noite anterior, o grupo não poupou suor para levar o público ao delírio. Não poderia deixar de citar o grande clássico, “Heartwork“, que arrancou lágrimas dos fãs mais sensíveis!

Quando o relógio se aproximava das 20:30 e o normal seria todos já estarem exaustos após três bandas, o oposto aconteceu: a galera mais do que nunca começava a se apertar na grade em busca de um passo mais próximo da insanidade que se aproximava, chamada Lamb Of God.

De forma assustadora a banda invadiu o palco executando “Laid To Rest“, destaque para o vocalista Randy Blythe, que correu e pulou por todos os cantos, gritando e mostrando toda a potência do grupo, explicando o porque do título de líderes do movimento New Wave Of American Heavy Metal.

Com um set list impecável, o grupo guiou os fãs, que agora já lotavam o Espaço das Américas por completo, com maestria e habilidade. Seguindo a apresentação com as músicas “Desolation“, “Ghost Walking” e “Faded Line“, o guitarristas Mark Norton e Willie Adler se revezavam em solos de arrepiar que ecoavam e levavam o público a loucura até a faixa final, “Redneck“, arrancando um coro uníssono dos mais fervorosos,

Mas as 21:35, as cortinas se fecharam, anunciando que em questão de instantes, a grande atração estaria sobre o palco. Havia todo uma especulação sobre o palco e sobre o esplendor da apresentação que prometia se dividir em duas partes: o primeiro set com músicas variadas, recheado de clássicos e o segundo set reservado para o disco “Abigail” de 1987, que seria executado em sua integridade, para comemorar o aniversário de 30 anos de uma das maiores jóias do heavy metal mundial.

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22:15, as luzes se apagam, as cortinas se abrem e o palco tomado pela fumaça se acende lentamente com o áudio “Out From The Asylum” tocando de fundo, para a entrada triunfal e magnífica da lenda King Diamond! Confesso que nesse exato momento, me arrepio de lembrar do momento em que o cantor adentrou o palco e começou a interagir com a personagem da senhora do clipe “Welcome Home“. Como fotógrafo, tive 3 músicas para poder registrar os momentos do show no pit (espaço entre a grade e o palco), mas assim como eu, era possível ver o brilho nos olhos dos outros fotógrafos, tornando cada click uma dura missão, pois seria necessário tirar os olhos do espetáculo.

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Definitivamente, naquele momento, não estávamos nesse mundo, era possível ver e sentir toda aquela energia que vibrava e era emanada do palco para a pista e vice versa. Outro destaque merecido vai para a música “Halloween“, com o grito típico do ator principal da noite. Talvez essa seja a melhor definição! O que os pagantes presenciaram não foi um mero show, mas sim um verdadeiro espetáculo, beirando um musical, onde tudo foi pensado e calculado.

A dobradinha “Melissa” e “Come To The Sabbath” marcaram o fim do “primeiro ato”. Sendo percebido pelo tape “Funeral“, que logo abriu as portas para a canção “Arrival“, levando os fãs ao ápice da noite, onde a partir dai, foi um caminho sem volta.

The Family Ghost“, “Omens“, “The Possession“… as músicas foram rolando para que chegasse a faixa título “Abigail“, onde os guitarristas Mike Wead e Andy LaRocque que já estavam passeando lindamente em seus solos, “quebraram a banca”, restando apenas “Black Horsemen” para encerrar a noite de forma apoteótica.

Até agora, olhando as fotos e editando quais estariam aqui no post, fico pensando na grande oportunidade que tive e nos demais que estiveram presentes nessa noite que sem sombra de dúvidas, fez história!

Para mais fotos do festival, clique nos links abaixo e veja álbuns das bandas individualmente:

Heaven Shall Burn – clique aqui!

Carcass – clique aqui!

Lamb Of God – clique aqui!

King Diamond – clique aqui!

Liberation Festival – clique aqui ou aqui!

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