Linkin Park embarca em seu voo mais arriscado! Confira nossa resenha de “One More Light”

linkin parkO ano era 2000 e o Linkin Park caia como uma bomba no já marginalizado nü-metal. A banda tirava da cartola seu primeiro álbum de estúdio, “Hybrid Theory”, com músicas como One Step Closer, Papercut, o hino In The End e Crawling, entre outras de um álbum que era difícil dizer qual música era de fato, ruim.

Cara, como eu gostava de Linkin Park nessa época. Nem eu me aguentava de tanto que ouvi esses dois discos. Sério.

A dúvida pairava com relação a um segundo trabalho, já que é quase um cliché o segundo ser pior que o primeiro. Não para o Linkin Park, não em 2003. “Meteora” trouxe Faint, Somewhere I Belong e as injustiçadas Don’t StayEasier To Run, uma das melhores músicas deles na minha opinião.

As rimas de Mike Shinoda, a potência vocal de Chester Bennington, combinadas com bons instrumentais e pitadas certeiras eletrônicas de Joe Hahn continuavam dando o tom e consolidaram o Linkin Park como os donos do estilo deixando nomes como Korn e Limp Bizkit para trás.

Igualmente ao anterior, “Meteora” foi um disco que era difícil dizer que alguma música era ruim. Longe disso. O ano seguinte trouxe a banda para único show no Brasil, em São Paulo, lotando o estádio do Morumbi tal qual grandes nomes do rock fizeram. Nunca mais foi assim.

Os discos seguintes trouxeram algumas músicas boas, pontuais, como What I’ve Done de “Minutes To Midnight” (2007) e a ótima Guilty All The Same de “The Hunting Party” (2014), que foi um vislumbre do que vimos lá no início.

Muito pouco para quem começou destroçando as paradas pop reinadas por Britney Spears e afins. Muito pouco.

2017 chegou cercado de expectativa. Com ele um novo disco, show confirmado em um excelente festival no Brasil. Tudo casadinho. Mas faltava avisar o Linkin Park, que no meio de tudo isso soltou Heavy, primeiro single de “One More Light” e gravada em parceria com Kiiara, uma Lorde descolada.

Refrão pop grudento na medida. Me pego cantarolando às vezes.

A faixa não animou, muito pelo contrário. Em nada cativou os ouvidos mais atentos e saudosistas, pelo menos, na esperança do vislumbre alçado em “The Hunting Party”. Ok, quando Breaking The Habit apareceu também foi um choque, em proporções infinitamente menores.

Vieram Good Goodbye, Battle Symphony e Invisible e nada mudou. Faltava guitarra, faltava bateria, faltavam raps, alguns gritos aqui e ali. Sobravam sintetizadores, ponto para Joe Hahn e só. Evolução? Evolução é inovar, é, mas também é tocar melhor. Cadê o “tocar” aqui?

Aí a gente cai naquele chavão: todo mundo muda. Claro que muda, pra melhor ou pra pior, simples. Depende do ponto de vista. A mudança sempre foi algo característico do Linkin Park a partir do “Minutos To Midnight” e neste caso até considero uma evolução. Ao passo que até hoje acho que Shinoda evoluiu no sentido de produzir e arranjar.

Bom ou ruim vai de cada um. Sempre vai ter que gente que vai achar bom independente de qualquer coisa e também o contrário. Falta fleuma ao Linkin Park em “One More Light”, falta fogo, falta empolgação, uma música que levante, sobra pop. Mas que poderia ser um pop bom.

A cada disco que o Linkin Park lançava sabíamos que algo ia mudar, mas não achei que aconteceu de forma tão brusca. O que mais impacta e eu me peguei pensando nisso quando li um comentário em um dos posts sobre eles aqui no site, foi que muitas bandas mudaram ao longo dos anos, se tornaram mais técnicas, arriscaram, acrescentar instrumentos, melodias diferentes, mas não dessa forma.

Imagine que você tem seu trabalho aí e em seguida você terá que fazer outra função, que não domina, totalmente diferente do que você faz. Um dia você pode ser bom nessa nova função, mas até que isso aconteça vai dar muita cagada.

Pode ser que um dia o Linkin Park se consolide como um ícone pop, mas antes que isso aconteça temos que passar por “One More Light”. Pra bom entendedor…

 

Foto: Divulgação/Internet

Comentários