Mesmo com mudança na formação, Blink 182 mostra que é capaz de lançar um bom disco

Blink_182_-_California_NewsNa grande maioria dos casos, mudanças de formação causam mudanças na sonoridade das bandas, por vezes também estragos. Além de ter aqueles grupos que sempre têm problemas (por querer ou não) com algum membro que toca determinado instrumento.

Bom, em se tratando de um power trio, pior ainda, é tudo muito mais incerto quando eles anunciam o lançamento de um novo disco. Foi assim com o Blink 182 nos últimos anos.

O grupo teve seu auge com a formação clássica composta por Tom DeLonge (guitarra/vocal), Mark Hoppus (baixo/vocal) e Travis Barker (bateria). De 1999 a 2003 eles lançaram seus melhores trabalhos e só voltaram a soltar um disco de inéditas em 2011, o fraco “Neighborhoods”.

Você pode até gostar dele, mas em comparação aos anteriores ele passa bem longe de ser bom, ainda que tenha uma ou duas músicas legais. Depois de uma grande sequência e 8 anos de ausência, esperava-se mais. Mas bom, não é dele que falaremos aqui, mas foi nele que tudo começou.

Às vésperas de lançar “Neighborhoods” o Blink 182 já mostrava sinais de desgaste. Todos da banda pareciam estar mais interessados em tocar seus projetos solo e/ou paralelos e o disco foi lançado como quase uma resposta a um apelo de público e crítica por um material novo muito mais do que por vontade de Travis, Mark e Tom.

Dito e feito. Divulgação, shows, turnês e tudo mais que tem que ser feito. Hiato e projetos solo ou paralelos. Fim. Em 2015, quando o desgaste explodiu, DeLonge deixou a banda. Ainda não se sabe lá tão bem como foram as coisas, mas notório é que ele está muito mais interessado em outras coisas do que no Blink 182, ainda que tenha dito recentemente que não saiu da banda oficialmente.

O que Mark e Travis alegaram era que Tom sempre dava desculpas para não ir com eles para o estúdio gravar. A verdade mesmo a gente não sabe e por favor, sem vitimizar e muito menos culpar alguém, afinal, ninguém é completamente inocente nesse mercado, ok?

Bom, mais do que depressa a dupla convocou o competente Matt Skiba, amigo do Alkaline Trio, para cumprir os shows agendados e logo um disco novo, e com ele, foi anunciado. Aí a gente volta àquele medo do início do texto, àquela expectativa e um monte de dúvidas.

Eis que o Blink 182 aparece com “Califórnia”. Travis Barker já mostra ao que a banda veio na ótima e igualmente rápida Cynical, que abre os trabalhos com seu refrão grudento. Em seguida, Bored To Death, primeiro single, com sua letra pesada e um riffzinho que me fez lembrar de Stay Together For The Kids – só lembrar, calma, não tô dizendo que é parecido e muito menos igual.

Em seguida o Blink 182 canta sobre estar a fim de uma garota que é “louca” em She’s Out Of Her Mind. A faixa é o single mais recente deles e o clipe é uma releitura do clássico What’s My Age Again, mas dessa vez não é o trio que corre pelado pelas ruas.

Em seguida vem o refrão potente da excelente e densa Los Angeles: “Los angeles when will you save me?”. No Future é outra igualmente ótima e lembra o Blink na velha forma. Se prepare para cantarolar o “Na Nana Nana Nanana” por aí.

Ainda que com letras mais maduras do que antes, mas bem, nem tão sérias assim e contando com seu bom humor característico, o Blink 182 acertou, e muito, em “California”. Uma das coisas que mais preso em álbuns que escuto é se ele é cansativo ou não, e não, “California” passa longe de ser cansativo.

Como é bom ouvir o Blink 182 cantando sobre bobagens adolescentes, fazendo graça em seus clientes e não se levando tão a sério assim, ainda que momentos pensativos como a já citada Stay Together… e Adam’s Song. Além de tudo isso, a renovação fez bem ao Blink 182, às vezes é bom que isso aconteça.

Por tudo isso, a análise de”California” passa muito mais por um aspecto comportamental do que por alguma coisa técnica. Foi uma grata surpresa e vale ouvir!

Foto: Divulgação/Internet

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