Mike Shinoda: boas músicas solo e o vislumbre de um novo Linkin Park

Era um processo natural que Mike Shinoda como vocalista, produtor e multi-instrumentista e do Linkin Park seguisse com novos projetos após a morte de Chester Bennington em julho passado. Isso sem falar que, assim como Chester, ele era o único que tinha projetos contundentes fora da banda.

Nos primeiros meses que se passaram após o falecimento da principal voz do grupo Mike organizou um show em homenagem ao amigo, o lançamento de um disco ao vivo com gravações da última turnê e por fim apresentou novas músicas, solo.

A primeira versão de “Post Traumatic” chegou como um EP com três músicas novas de Shinoda. Na época ele fez questão de dizer que aquilo não era o Linkin Park, muito menos o Fort Minor, mas apenas ele: “Este não é o Linkin Park ou o Fort Minor, apenas eu”.

“Este não é o Linkin Park ou o Fort Minor, apenas eu”

Na mesma entrevista ele deu esperanças aos fãs do Linkin Park de que a banda voltaria, mas tudo no seu tempo: “Eu tenho toda a intenção de continuar com um disco e os caras [do Linkin Park] sentem o mesmo. Temos muito retrabalho a fazer e questões para responder, tudo no seu tempo”.

Obviamente, como a voz ativa da banda hoje, ele tinha que dar algum tipo de satisfação. É claro que o tempo pode e deve demorar mais um pouco, mas Shinoda, muito ativo como sempre, não vai parar de trabalhar e isso se mostrou no desmembramento do seu EP para um disco completo.

“Post Traumatic” vem ganhando vida e tem seu lançamento marcado para o próximo dia 15 de junho e deve seguir a linha do EP, com muitas rimadas, mas com uma produção mais melódico do que o hip-hop do Fort Minor, por exemplo. As músicas são boas, as melhores de Mike Shinoda fora do Linkin Park.

Na última semana ele fez seu primeiro show sem os companheiros de costume e nele podemos ter um vislumbre do que vem por aí em sua carreira, ao menos nos próximos meses. Ao que tudo indica é a linha que vai seguir em sua carreira solo, mas sem deixar os sucessos da banda de lado (assista In The End no minuto 18 abaixo).

Ainda que não seja a voz mais icônica do Linkin Park, Mike Shinoda é inegavelmente o coração da banda e o futuro dela depende principalmente do que ele vai querer fazer a partir de agora. Se optar por uma carreira solo, é provável que ela se consolide e ele tem tudo para se tornar um Pharrell Williams do rock, ao menos no que tange às bandas mais novas.

Se optar por retomar as atividades do Linkin Park, o que é bem plausível, terá que encontrar uma forma de suprir a falta da voz e da presença de Chester Bennington. Ainda que o show em tributo ao vocalista tenha sido muito bom, com inúmeras vozes substituindo Bennington, nenhuma ali o fez à altura.

É bem provável que o Linkin Park, se voltar efetivamente, seguirá o que já vinha sendo feito, apresentando mais alternativas musicais no sentido instrumental da coisa, e variando entre as vozes, com Shinoda cantando mais do que as rimas que tanto cativaram o público nos primeiros discos.

A história da música prova que é possível se reinventar. Quantas bandas seguiram em frente e mantiveram a qualidade, conquistando novos adeptos, mudando e se adaptando podemos listar? É bem possível que isso aconteça com o Linkin Park, que até há quase um ano atrás não teve mudanças em sua formação, mas sempre mudou em seus álbuns e agora terá que fazer isso forçadamente.

Só que dessa vez Mike terá que assumir o protagonismo total dos microfones, e mais uma vez, nós fãs teremos que nos acostumar, o que já fazíamos a cada novo lançamento do grupo, só que dessa vez sem ter a certeza de que a voz de Chester estará lá em algum momento. Ainda que rolem participações especiais, e acredito nisso piamente, a ausência da presença será muito sentida.

A carreira solo vai ser boa pra Mike Shinoda e para nós, a independência e tentando deixar seus traumas recentes para trás – como sugere o nome do seu primeiro trabalho sozinho -, tem tudo para ser um bom presente aos fãs. Mas o desafio maior ainda está por vir.

 

Foto: Divulgação/Internet

Comentários