Millencolin: da Suécia para o mundo, com um presente especial para Porto Alegre

Lbarros_171008_0472Começo perguntando: Existe uma maneira melhor de começar um show do Millencolin que não seja com a música – ou podemos chamar de hino – No Cigar? Por volta das 21:10, bastou Fredrik Larzon (bateria) começar a música sozinho para que o público percebesse o que estava por vir.

Talvez a música que represente um primeiro contato de muitos dos fãs presentes na noite, desde sua aparição na trilha sonora de um jogo de vídeo game: Tony Hawk’s Pro Skater 2. Fato mais do que justo a ser citado, visto que o próprio nome da banda é a derivação de uma manobra de skate conhecida como “melancholy”.

Desde a última passagem pela cidade em outubro de 2011, quando comemorou os 10 anos do clássico “Pennybridge Pioneers” (2000) também no Bar Opinião, a banda que lançou seu oitavo álbum “True Brew” (2015), ainda não havia tido oportunidade de performar suas novas canções para público da capital gaúcha, que lotou a casa na noite de domingo (em torno de 1,3 mil presentes, segundo assessoria da Abstratti Produtora).

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A banda, como sempre, se sentia muito à vontade em cima do palco. Dotados de muito carisma, bebiam desde o início do show um copo que parecia conter uma típica bebida brasileira: a caipirinha.

Mathias Färm (guitarra), que não parou de agitar por um momento sequer, fez um brinde com todos os integrantes e os presentes ali, o que em breve seria um adeus à América do Sul, já que Porto Alegre foi a última apresentação da tour de “True Brew” em terras latinas.

O show contou com músicas de quase todas as épocas do grupo, exceto pelo sétimo disco dos ditos “quatro macacos”, como reforçou o designer responsável pela maioria dos trabalhos visuais da banda, Erik Ohlson (guitarra): “Machine 15” (2008).

Este não teve nenhuma representante no setlist do show. Acerca da metade do primeiro bloco da apresentação se deu o momento em que Nikola pegou o violão para tocar The Ballad, que não começou antes do músico fazer uma brincadeira com a clássica rivalidade entre Brasil e Argentina no futebol.

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Entre gritos de “Olê Olê Olê Olê, Millen Collin”, o artista disse que ouviu um canto dos hermanos e perguntou se o público conseguia fazer melhor. Nikola é um apreciador do esporte, inclusive a banda gravou o hino para o time de sua cidade natal, o Örebro FC.

Uma das surpresas do show foi a presença de Fazil’s Friend, ska presente no primeiro lançamento da banda intitulado “Same Old Tunes” (1994). Mr. Clean fechou o primeiro bloco com o coro da multidão em êxtase.

Ao que parecia ser o encerramento com Black Eye, o Millencolin deixou um público alvoraçado, satisfeito, emocionado e arrepiado, com todos se cumprimentando e se abraçando e entoando juntos a seguinte frase “Que show!”.

A segunda música do repertório, Sense & Sensibility, que é o principal hit do último disco, manteve os coros, junto com Nikola Sarcevic (baixo e vocal) que canta e protesta contra a onda de extrema direita que vem crescendo nos últimos anos na Suécia e em muitos outros países.

Em versos como “You’re just a racist clown to me” e “It gives perspective on all the racist jerks” ele afirma sua posição contrária ao partidos políticos nacionalistas e racistas presentes em seu país.

Contudo, foi neste momento que, mais uma vez, eles voltaram a entoar acordes, surpreendendo boa parte do público que acompanhou os setlists das demais apresentações. E assim começou um grande clássico do álbum “Kingwood” (2005): Farewell my Hell.

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Assim encerrou-se a noite: o Millencolin terminou o show saindo do palco aos poucos, sem parar de tocar, restando apenas o baterista Fredrik, que mais uma vez agradeceu e saudou o público do seu jeito tímido, antes de partir.

Logo as luzes se acendem, o palco começa a ser rapidamente desmontado e todos partem. Alguns vestindo camisas suadas, outros sacolas com merchandising da banda, mas certamente, todos, saíram carregados de muita alegria e emoção no peito.

Set-list:

No Cigar
Sense & Sensibility
Ray
Olympic
Penguins & Polarbears
Fazil’s Friend
Bring Me Home
Cash or Clash
Autopilot Mode
The Ballad
Twenty Two
True Brew
Lozin’ Must
Kemp
Pepper
Mr. Clean
Egocentric Man
Fox
Bullion
Duckpond
Battery Check
Black Eye
Farewell My Hell

 

Texto: Felipe Vicente

Fotos: Laura Barros

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