Nada mais justo! Pearl Jam entra para o Hall da Fama do Rock

pearl-jamHoje é difícil vermos bandas que durem 15, 20, 25 anos e até mais que não tenham sido formadas até o início dos anos 90. Tá, até têm por aí, mas pego imaginando o quanto mais elas vão durar num mundo com muito mais possibilidades que antigamente.

Bom, o começo daquela década era permeada ou pelo começo de um pop engarrafado e sem qualidade derivado de ícones do gênero como Madonna e Michael Jackson – esses sim grandes artistas – e por um movimento que falava a voz dos jovens, o grunge.

Entre tantas bandas surgindo e até consolidadas em pouquíssimos anos, o quarteto Nirvana, Alice In Chains, Soundgarden e Pearl Jam dava voz as revoltas e agonias de uma geração que ansiava justamente por uma voz. O primeiro teve seu ciclo encerado definitivamente com a morte do seu líder, o segundo passou pela mesma coisa e voltou tempos depois.

O Soundgarden está por aí, entre um projeto solo e outro de Chris Cornell a banda grava bons discos, mas é do último deles que temos que falar por aqui. O Pearl Jam sempre foi o meu preferido dentre eles, tanto pelas letras quando pela voz visceral de Eddie Vedder.

“O Pearl Jam sempre foi o meu preferido dentre eles, tanto pelas letras quando pela voz visceral de Eddie Vedder.”

Nesta sexta-feira, 7, o Barclays Center em Nova York viu a indução de um dos sobreviventes do maior movimento roqueiro das últimas décadas e que não apenas isso, mas que conseguiu ser relevante desde então. Há muito tempo o Pearl Jam deixou de ser uma banda grunge e se tornou uma banda de rock, daquelas que não se é capaz de definir dentro de apenas um subgênero musical.

Quando “Ten” viu a luz Jeremy, Alive, Black e Even Flow explodiram e fizeram o quinteto destoar de seus contemporâneos. Ali nada era certo, só que um dos maiores discos dos últimos 30 anos havia sido lançado e hoje a profundidade dessas letras ainda queima dentro de quem ouviu na época.

Depois disso vieram Daugther, Better Man, Do The Evolution, Given To Fly, Just Breathe e por aí vai, só para citar alguns dos hits. Uma carreira sólida, inúmeras músicas que dariam uma playlist bem digna e fama e fortuna poderiam fazer o Pearl Jam uma banda montada no sucesso.

Não, não foi assim. Hoje, quase 30 anos depois de “Ten”, aqueles moleques com roupas estranhas permeadas por roupas estranhas estão melhores do que nunca. Eles se juntam nos palcos da vida para fazer shows de muito mais do que duas horas, enquanto o blasé do “rock” toca por 1h10 e vai embora como veio.

Quem já foi à uma apresentação do Pearl Jam sabe como a coisa funciona. A vibe é uma das mais incríveis – na minha opinião – dos shows de rock que já fui na vida. E posso falar? Nem fã eu sou tanto assim deles, mas o respeito que aprendi a nutrir é imenso, nível hard master.

“O Pearl Jam deixou de ser uma banda grunge e se tornou uma banda de rock, daquelas que não se é capaz de definir dentro de apenas um subgênero musical.”

Um dos méritos das bandas de rock – não todas, é claro – é saber envelhecer. Ao passo que algumas delas se tornam melhores a cada disco, a cada década e se mantém relevantes tanto quanto no começo da carreira. O Pearl Jam fez o que tinha que fazer e envelheceu bem a ponto de continuar sendo uma referência.

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O Pearl Jam soube envelhecer e continuar relevante

Os mais jovens, as bandas mais jovens, deveriam primeiro: ouvir a discografia desses caras de cabo a rabo, sem parar e, em segundo, aprender com a história de, sim, uma das maiores bandas da história e aprender com suas atitudes. Aí quem sabe um dia a gente conversa.

O Rock And Roll Hall of Fame é apenas uma cerimônia, um título para mostrar a importância de uma banda para a indústria do entretenimento com a premissa de que você tem que ter feito algo relevante nos últimos 25 anos. No caso do Pearl Jam, eles têm feito coisas relevantes POR 25 anos e vão continuar fazendo.

O Pearl Jam é daquelas bandas que a gente não vai ver acabar por egocentrismo dos seus integrantes, que a gente não vai ver fazendo turnês de reunião que nada mais são do que uns caça-níquéis da porra que geral cair como um patinho pagando valores exorbitantes.

O Pearl Jam vai acabar quanto tiver que acabar, com Eddie, Matt, Stone, Jeff e Mike cansados e velhinhos demais pra subir em um palco e tocar por quase 3 horas. Vai doer, muito, tanto quanto um dos trechos mais lindos de uma letra da história do rock:

“Eu sei que algum dia você terá uma linda vida. Eu sei que você será uma estrela no céu de um outro alguém. Mas por quê? Por quê? Por não pode ser no meu?” – Black, Pearl Jam.

Mas até que isso aconteça a gente ainda tem muito o que ouvir.

 

 

Fotos: Divulgação/Internet

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