New Order promove “espetáculo sensorial” no Espaço das Américas

15327465_1534456483247808_8963855874939227940_nEm um espetáculo de som e luz, a banda intercalou sucessos antigos com músicas de “Music Complete”, seu álbum mais recente

Música: “arte de combinar harmoniosamente os sons”, segundo um dos significados apontados pelo dicionário. Mas, apesar dessa descrição, quem disse que a música tem a ver apenas com sons? Quem disse que a música incita apenas o sentido da audição? O New Order é um exemplo que deixa nítido que a música é muito mais poderosa do que se pensa, e pode mexer com quase todos os sentidos do ser humano. Calma, daqui a pouco eu explico melhor o que quero dizer.

Antes, vamos falar um pouco sobre o New Order: surgido no comecinho dos anos 80 na Inglaterra, o grupo é uma dissidência do Joy Division, banda pós-punk que nasceu em 1976 e durou apenas 4 anos, acabando tragicamente após o suicídio do vocalista Ian Curtis.

O Joy Division era marcado por letras com temas depressivos e uma sonoridade melancólica. Decretado o fim do Joy Division, em 1980, os ex-integrantes da banda, Bernard Sumner, Peter Hook e Stephen Morris, fundaram o New Order, combinando o pós-punk característico de sua banda anterior com uma sonoridade eletrônica, fundando o estilo que muitos chamam de “dance rock”. Assim, a melancolia do Joy Division dava lugar aos sons dançantes do New Order, e a banda começava a alçar os altos vôos que a tornaram mundialmente famosa, agregando mais dois integrantes em sua formação e colecionando hits.

Com o passar do tempo e depois de passar por um hiato de 5 anos em meados dos anos 90, o baixista Peter Hook, em 2007, se desentendeu com os outros membros e deixou a banda, o que gerou o segundo período de hiato, que durou até 2011, ano em que a banda voltou à ativa com Tom Chapman substituindo Hook.

Até os tempos atuais, Hook – que hoje é líder da banda Peter Hook and The Light – e o New Order ainda são desafetos declarados. Coincidentemente, ambos agendaram shows no Brasil neste ano e na mesma época: enquanto Hook toca com sua banda nos dias 1º, 03 e 06 de dezembro no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e em São Paulo, respectivamente, o New Order marcou uma única apresentação no Brasil para 01/12, na capital paulista. Depois dessa data, a banda liderada por Bernard Sumner ainda passaria por Chile, Colômbia e Perú.

O show 

O 1º dia do último mês do ano, uma quinta-feira, trouxe consigo mais uma visita do New Order a São Paulo. A última vez da banda por aqui foi em 2014, quando participou do Lollapalooza Brasil daquele ano.

Desta vez, o show foi marcado pro espaçoso e aconchegante Espaço das Américas, e compõe a tour “Music Complete”, que divulga o álbum homônimo, lançado no ano passado. Marcada para ter início às 23h, a apresentação do grupo teria a abertura mais que especial do DJ Gui Boratto e sua discotecagem eletrônica.

Com a casa começando a encher de pessoas que variavam entre os vinte e poucos e os 50 anos de idade, Gui Boratto subiu ao palco por volta das 21h45 e deu início ao seu trabalho. Grupos de amigos, casais e até famílias inteiras dançavam ao som do DJ, esperando ansiosos pelo “prato principal” da noite. Aliás, sobre o público daquela noite, vale salientar: pelo fato do New Order ter virado um sucesso ainda nos anos 80, tinha realmente muita gente com mais de 40 anos no Espaço das Américas.

Após a aplaudida apresentação de Gui Boratto, pontualmente às 23h, com a casa cheia, o New Order subia ao palco. “Singularity”, uma das faixas do disco novo, foi a primeira música tocada. Logo depois, Bernard Sumner saudou brevemente a platéia, já em êxtase ao ver os músicos em plena forma no palco.

O sucesso “Regret” foi a segunda música executada, seguida por “Academic”, outra faixa de Music Complete, e “Crystal”, velha conhecida do público. Vez ou outra, Sumner soltava um “Obrigado!” no intervalo entre as músicas, mas foi raro isso acontecer. Pode-se dizer que o New Order tocou muito e falou pouco, emendando uma música atrás da outra. Hits como “Bizarre Love Triangle” – o mais famoso da banda -, “True Faith” e Blue Monday” levaram a galera à loucura. No final, Sumner (vocal, guitarra e escaleta), Stephen Morris (bateria), Gillian Gilbert (teclado), Phil Cunningham (guitarra e teclado) e Tom Chapman (baixo) tocaram dois covers do Joy Division: “Decades” e a magnífica “Love Will Tear Us Apart”. Ao todo, o set list (que você confere mais abaixo) contou com 7 músicas do álbum mais recente, 9 sucessos antigos e os covers citados.

Agora, vamos relembrar o começo deste texto: lembra que eu falei que o New Order é um exemplo de que a música pode mexer com quase todos os sentidos, e não apenas a audição? Então, em primeiro lugar, o show do New Order, além de ser uma viagem musical com sintetizadores, equipamentos e instrumentos eletrônicos da melhor qualidade e muito bem trabalhados pela banda, é um espetáculo de luzes e cores! A iluminação do palco variava a cada batida e a cada música, caracterizando o clima psicodélico que o show proporcionava, e o telão atrás do palco, por várias oportunidades, passava videoclipes das músicas que a banda executava, tornando tudo um show lindo de ser ver – literalmente!

Mas o que mais impressiona é o resultado dessa combinação perfeita de som e imagem: foi nítido no público, desde os fãs mais novos até aqueles que já tinham seus 40 ou 50 anos, o “arrepio na pele” que todos sentiam ao ver o New Order em ação ao vivo – olha aí o tato em evidência!

No mais, dá pra dizer sem erro que todos se divertiram e aproveitaram cada momento daquela noite. Aliás, show bom é assim mesmo: quando o friozinho na barriga da expectativa cede lugar ao arrepio que a banda causa quando está fazendo o que mais gosta, ou seja, tocando pros fãs.

 

SET LIST – NEW ORDER – MUSIC COMPLETE TOUR 2016 – Espaço das Américas, São Paulo-SP – 01/12/16

Singularity

Regret

Academic

Crystal

Restless

Your Silent Face

Tutti Frutti

People on the High Line

Bizarre Love Triangle

Waiting for the Sirens’ Call

Plastic

The Perfect Kiss

True Faith

Blue Monday

Temptation

Encore:

Decades

(Joy Division cover)

Love Will Tear Us Apart

(Joy Division cover)

Superheated

 

Foto: Piero Paglarin

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