O expurgo político e pop de 12 Horas Para Sobreviver: O Ano da Eleição

55b12bf8ad0ed938142b06d81e43b52eO que você faria se tivesse 12 horas livres para cometer qualquer tipo de barbárie sem ser punido? Essa é a premissa básica de Uma Noite de Crime e Uma Noite de Crime: Arnarquia. Logo, também é do terceiro filme da série. Não se engane, 12 Horas Para Sobreviver: O Ano da Eleição é uma continuação dos anteriores.

Tal qual seu título, a ideia original sofreu alterações bem visíveis em seu terceiro longa. A começar pelas fantasias que de tão elaboradas transformam tudo num Halloween hypado digno de publicações no Instagram, uma competiçãozinha boba que, literalmente, maquia a real intenção das coisas.

Em ano de eleições nos Estados Unidos, com Hillary Clinton sendo a mais simpática entre os eleitores, e bem… Donald Trump, 12 Horas Para Sobreviver: O Ano da Eleição coloca frente a frente a luta política entre o bem e o mal na pele da senadora Charlie Roan (Elizabeth Mitchell), o bem, contra o ministro Edwige Owen (Kyle Secor), o mal.

Ambos são candidatos à presidência dos Estados Unidos, ela já passou poucas e boas em uma noite de expurgo e ele faz parte da Novos Pais Fundadores da América, uma organização de poderosos que visa tomar o controle do país – quem sabe do mundo – na figura do ministro.

Até aí tudo ok, se não fosse o expurgo agora liberado sem que os políticos tenham imunidade, o que coloca a vida de Roan em risco, já que o tal grupo tem a intenção de matá-la na mesma noite, tudo parecendo um acidente. Inclusive o grupo parece um paralelo com grupos reais como os Illuminati ou a tal Nova Ordem Mundial e outros tantos que – dizem as lendas – tentam ou tomam conta das ações globais.

Além dos dois, o elenco ainda conta com Leo Barnes (Frank Grillo), o agente protetor da senadora, Joe Dixon (Mykelti Williamson) dono de um mercadinho que tem sob tutela Marcos (Joseph Julian Soria). Vale ressaltar que os dois últimos fazem parte das minorias.

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E é justamente aí o ponto. Em 12 Horas… a ideia de que a noite do expurgo é realizada anualmente para exterminar negros, latinos, pobres, outros imigrantes e minorias é evidenciada como o motivo principal da matança.

Desde os primeiros filmes e este incluso, a premissa da violência gratuita com um motivo velado é boa e no caso deste último filme, com todo o contexto político e comportamental que vivemos tornaria tudo melhor. Tornaria. James DeMonaco parece ter feito o possível enquanto dirige um roteiro que ele mesmo escreveu, mas que peca justamente pelo que falamos acima: o hype.

Vamos ser bem sinceros: violência gratuita no cinema agrada, contexto político idem e visual também. Mas eles têm que ser muito bem trabalhados para que o conjunto funcione direito. Em 12 Horas ele funciona, mas não igualmente.

O visual super/ultra trabalhado dos “criminosos de uma noite só” deixa um pouco de lado as outras questões. Vide a fantasiada de Estátua da Liberdade com olhos em “X” e boca costurada bem nype Esquadrão Suicida. Detalhe: sua presença na tela é ínfima, mas a divulgação do filme em cima da sua imagem foi boa.

Isso sem falar nos assassinos trajados com máscaras de presidentes norte-americanos, o que lembra e muito os bandidos comandados por Patrick Swayze da versão original do filme Caçadores de Emoção, também estrelado por Keanu Reeves.

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Se esse foi o capítulo final de DeMonaco a gente não sabe, mas como também estamos numa onda de “Origem”, “O Início” e por aí vai, quem sabe não vale explorar o passado de Laney Rucker (Betty Gabriel), talvez a única personagem verdadeiramente interessante em 12 Horas, uma pessoa normal hoje, mas que foi zica em algum momento da vida.

Em suma 12 Horas Para Sobreviver: O Ano da Eleição funciona como entretenimento, sem grandes análises e pirações. O filme pegou questões históricas e políticas atuais, com visual jovem e colocou nas telas.

O visual, assim como a mudança de nome em português, foi produzido a dedo para cativar um novo perfil de público, muito mais interessado nisso do que em questões políticas, históricas e comportamentais mais profundas.

Funcionou.

 

Fotos: Divulgação/Internet

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