O “Roots” do Sepultura fez 22 anos e eu tenho uma breve história pra contar

R-480908-1225364640No último dia 20 de fevereiro um dos discos mais clássicos e controversos do metal nacional completou 22 anos de existência. Ele atende pelo nome de “Roots” e foi lançado pelo Sepultura nesta data em 1996. E como a gente vive o rock faz um tempinho, tenho uma história pra contar.

“Roots” pra mim nunca foi controverso, explico. Já fazia uns bons anos que eu gostava de rock e principalmente de metal quando o disco foi lançado. Mas né, como a vida não é nada fácil, a gente tinha que se virar pra ouvir. Ou era ir na Galeria do Rock ouvir uns pedaços do álbum mais procurado do ano ou…

Ou era afanar o CD do seu tio quando ele não estivesse em casa pra poder ouvir na íntegra. E puta que pariu como aquele momento era sublime. “Roots” já começava com a patada que lhe dava nome e que até hoje encerra os shows do Sepultura.

Pra quebrar tudo depois dela vinha Attitude, Cut-Throat e Ratamahatta. Só essas quatro já eram suficientes pra detonar com os ouvidos de um pré-adolescente de 12 anos, mas o disco todo é bom e fim. Lembro-me de sentar no chão do quarto do lado do criado-mudo e ouvir num mini system Sharp que a gente tinha em casa.

Ouso dizer que ouvi mais o “Roots” do meu tio do que ele mesmo. Momentos como os relatados acima foram muitos até que um dia na vida eu tive um estalo. Por que não gravar pra mim e parar de pegar escondido – sob o risco de tomar uns belos tabefes?

Mas lembra o lance da vida não ser fácil? Como é que eu ia gravar o disco sem uma fita K7 virgem? Bom, esperteza é o que não falta, né? Juro, me senti um transgressor, um verdadeiro roqueiro fazendo o que fiz. Fui lá pela casa caçar uma fita virgem.

Claro que não tinha e muito menos eu ia comprar uma, nem mesada eu tinha. Há! Peguei uma das fitas da coleção de trilhas de novelas que alguém nessa pocilga tinha, colei umas fitas adesivas nos buraquinhos que impediam a gente de gravar por cima e zaz!

Esperei o tio sair e fui lá eu gravar o disco. Se a gravação do CD era pra lá de perfeita, a do K7 era horrível. No silêncio entre uma música e outra dava pra ouvir de fundo uma música qualquer do Rod Stewart ou qualquer coisa do tipo.

Mas foda-se, eu tinha o meu “Roots” e ainda fiz questão de “decorar” a fitinha com nome do disco, da banda coisa e tal. 22 anos depois eu não comprei o meu CD e muito menos tenho a fita, talvez por saudosismo, sei lá. Vontade não me falta, é claro, e com certeza se um dia eu pegar o “Roots” oficial na mão essa história toda vai vir à tona de novo.

O Sepultura é uma das bandas que eu mais tive o prazer de ver shows e por conta do trabalho já tive oportunidade de conhecer os caras, conversar, tirar foto, mais ainda não de agradecer. Então fica aqui o muito obrigado por um disco que marcou tão bons momentos e deixou boas lembranças.

Possivelmente nunca vou deixar de gostar do Sepultura, muito por conta dessa história toda, e por hora ela fica registrada aqui.

 

Foto: Divulgação/Internet

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