Para Andre Matos, Rock In Rio foi momento mais marcante do ano; leia entrevista

No próximo domingo no Carioca Club, Andre Matos (ex-Viper, Angra e Shaman) encerra a bem sucedida turnê comemorativa dos 20 anos do álbum “Angels Cry”, o primeiro lançado pelo Angra, em 1993.

A tour também divulgava o terceiro disco da carreira solo de Matos, o “Turn of the Lights”.

Em entrevista ao Rock Noize, Matos disse que o show que fez com o Viper no Rock In Rio 2013 foi um dos momentos mais marcantes do ano, bem como a estreia da turnê de “Angels Cry”, que aconteceu em Sorocaba no primeiro semestre.

O cantor cogitou até mesmo a possibilidade de fazer outras turnês comemorativas de álbuns do Angra e do Shaman para dar a chance de novos fãs assistirem shows desses discos.

Confira a seguir a entrevista que fizemos com Andre Matos, um dos principais vocalistas do mundo, lembrando que ele já foi cotado até mesmo para assumir o lugar de Bruce Dickinson no Iron Maiden quando o vocalista deixou a banda temporariamente.

RockNoize: Qual foi o momento mais marcante da turnê “Angels Cry”/”Turn of the Lights”?

Andre Matos: Seria até um pouco redundante dizer; evidentemente a apresentação no Rock in Rio foi um momento muito aguardado. Mas houve vários outros. O show de estreia, em Sorocaba, com lotação esgotada, foi também um ótimo presságio de que esta viria a ser uma turnê de sucesso.

RN: Há planos de gravação de um novo álbum solo em 2014?

AM: Por enquanto não há quaisquer planos para 2014. Estamos num processo contínuo desde a gravação do The Turn of the Lights e, após o show de despedida em São Paulo, será o momento de fecharmos para balanço e planejar os próximos passos. Ainda não sabemos se continuaremos por mais algum tempo na estrada ou se mergulharemos em algum projeto inédito. Tudo isso será decidido até março do ano que vem.

RN: O Virgo é um projeto que pode ser retomado?

AM: Sem dúvida; vontade não falta de ambas as partes; tanto da minha quanto da do Sascha Paeth. A questão passa mais pela logística da coisa: para podermos nos dedicar à produção de um segundo álbum do Virgo, teríamos de ter a certeza de que alguma gravadora esteja interessada em lançar e divulgar o mesmo. É algo que continuamos esperando que um dia aconteça.

RN: Por que você não fez a turnê do Angels Cry com os integrantes do Angra?

AM: Primeiramente porque me separei da banda há mais de dez anos e não mantivemos qualquer contato desde então – diferentemente do que ocorreu no caso do Viper (que se reuniu para uma turnê comemorativa em 2012). Isso para mim é suficiente, pois não enxergo o ato de fazer música apenas sob o aspecto financeiro: se por um lado funcionasse bem, comercialmente falando, por outro não haveria uma sintonia básica no palco, a qual considero fundamental. Não me agrada a ideia de enganar o próprio público, e me dou o direito de não participar de qualquer encenação do tipo.

Em segundo lugar, porque estou em carreira solo há mais de sete anos, junto a uma banda de profissionais que beiram a perfeição, e com os quais tenho um compromisso constante, tanto pessoal quanto profissional. Se a banda solo não estivesse à altura para executar esta tarefa, eu não os colocaria em situações comprometedoras – mas, muito pelo contrário, em todos os meus anos de carreira, nunca vi estas músicas serem tão bem executadas como agora. Não sou apenas eu quem o diz: é também o público que tem lotado nossos concertos.

RN: Você pretende gravar um novo disco com o Viper?

AM: Não há por enquanto qualquer plano neste sentido. Fizemos o que nos propusemos na época: uma turnê completa, tocando os dois primeiros discos na íntegra, e a gravação de um registro desta turnê, que sairá em breve no formato de DVD. Também fizemos apresentações conjuntas pontuais com a banda solo no Rock in Rio e na Argentina. Gostaria de voltar a fazer algo com o Viper no futuro – mas isso depende das agendas de todos e tem de seguir um planejamento prévio bem calculado, para que os
diversos planos e projetos não colidam uns com os outros.

RN: Haverá tour do “Holy Land” e dos outros CDs que você gravou com o Angra ou com o Shaman?

AM: Essa é uma pergunta esperada; até mesmo nós nos perguntamos se isto deve acontecer ou não. A resposta é: não sei. A ideia de fazer o tributo ao Angels Cry surgiu justamente da tour que fizemos no ano passado com o Viper, que também foi uma tour em formato tributo.

Essas turnês “temáticas”, que giram em cima de um álbum clássico, não são exatamente uma novidade: o Metallica vem fazendo isso há anos, assim como o Maiden, pra não falar em Roger Waters, etc. Tornou-se uma tendência. O que não significa necessariamente que devamos incluir um álbum antigo a cada turnê; isso vai depender do momento e da própria turnê. Ao mesmo tempo, não gosto de ir contra a vontade do público, que sonha em ver um álbum inteiro na íntegra interpretado por excelentes músicos e pela voz original. Muitas vezes o público que está nos shows de hoje nunca teve a oportunidade de ir aos shows destes mesmos álbuns de 10, 15, 20 anos atrás. Por isso acho justo oferecer também esta possibilidade.

RN: Você tem um histórico de deixar bandas quando estão no auge. A carreira solo tem te agradado? Por quê?

AM: Sim, a carreira solo traz uma liberdade maior, e é mais simples de administrar. Principalmente no que tange a disputa de egos. É como um time de futebol onde cada um sabe bem em que posição jogar e todos jogam para o time – em vez de cada jogador querer fazer os gols sozinho. Se existe tal histórico, não deve ser mera coincidência: é justamente quando as bandas estão no auge, que certas personalidades se mostram como realmente são, pois quando há fama, poder e dinheiro ao redor, é a receita certeira para corromper os relacionamentos.

Sempre tentei buscar saídas para as piores crises, mas na maioria das vezes não houve maturidade suficiente para lidar com os problemas. Quando isso acontece, as pessoas se isolam umas das outras, e não há mais clima para continuar fazendo música de qualidade: passa a ser uma obrigação ordinária, que não traz o menor prazer. Nesse caso, de nada servem fama, poder e dinheiro. Esse sempre foi o momento em que eu disse a mim mesmo: hora de seguir em frente, deixar pra trás o que não tem conserto e ter a coragem de começar tudo de novo.

A tempo: a carreira solo também proporciona algo que as bandas anteriores não possibilitavam: pode-se passear por todo o repertório, de Viper até os dias de hoje – pois é um repertório que faz parte da carreira como um todo.

RN: A turnê do Turn of the Lights continua em 2014?

AM: Como afirmei acima, ainda faremos o planejamento para 2014. O que posso dizer é que faltaram muitas cidades nesta turnê; é praticamente impossível cobrir todos os locais a não ser que se faça um show por dia – o que não é a nossa realidade. Vamos pensar a respeito. Por ora, estamos 100% focados no grande show de encerramento em São Paulo, no próximo domingo dia 15 de Dezembro.

RN: O que você acha da situação atual do Angra, com Fabio Lione no seu antigo posto? Acredita que a escolha de um italiano tenha sido uma forma da banda reconquistar o público europeu?

AM: Acho o Fabio um grande cantor e até mesmo pelo respeito que tenho a ele, não gostaria de opinar sobre a estratégia ou o futuro do Angra. Já não faço mais parte da banda há muito tempo e penso que devo me limitar a responder apenas ao que me diz respeito junto à mesma.
RN: Algo que gostaria de acrescentar?

AM: Agradeço pela oportunidade e deixo aqui o convite para que todos compareçam ao nosso show de encerramento dia 15 no Carioca Club. Será uma apresentação especial, onde não faltará o repertório completo desta turnê – além de algumas surpresas adicionais que estamos preparando para esse dia. Nos vemos lá.

*Imagem de BandaAndreMatos.com

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