Phil Collins deixa a noite de domingo inesquecível em São Paulo

A lenda da música, Phil Collins, veio pela primeira ao Brasil em sua carreira solo e se apresentou nesse último domingo (25) no Allianz Parque em São Paulo, com abertura da banda The Pretenders, para o delírio do público de cerca de 40 mil pessoas das mais diferentes faixas etárias. Phil só tinha vindo ao Brasil em 1977 em turnê com sua antiga banda, Genesis, e esse retorno foi a primeira oportunidade do público brasileiro para apreciar sua carreira rica em sucessos.

O The Pretenders iniciou a noite com um show praticamente completo, onde tocaram seus hits “Back On The Chain Gang”, a balada “I’ll Stand By You”, “Don’t Get Me Wrong” e, claro, “Middle Of The Road”, além de covers como “Forever Young” do Bob Dylan e “Stop Your Sobbing” do The Kinks. A banda, que fez muito sucesso principalmente nos anos 80 e 90, continua bastante energética, com destaque para a já consagrada voz e simpatia da cantora Chrissie Hynde.

Por sua vez, a apresentação do mestre Phil Collins teve início de maneira mais lenta. Para quem não sabe, o músico se aposentou e passou por uma fase bastante difícil, enfrentando depressão, o divórcio de sua terceira esposa, Orianne, o vício periódico em bebidas e a realização de cirurgias na coluna que lhe impediram de retornar à bateria e criaram dificuldades para ficar em pé por muito tempo.

Parecia tudo acabado, mas felizmente encontrou forças para se reerguer, retornando o relacionamento com Orianne e vivendo mais próximo de seus filhos. Após, lançou sua autobiografia chamada “I’m Not Dead Yet” (Ainda Não Estou Morto), onde relata tais episódios.

O título da biografia também se tornou o nome da atual turnê, ironizando e indicando o renascimento de um dos músicos mais bem sucedidos de todos os tempos, sendo um dos únicos a vender mais de 100 milhões de discos tanto em sua banda, Genesis, quanto em sua carreira solo. Pra se ter uma ideia, os outros dois que conseguiram tal façanha são, ninguém mais, ninguém menos do que Paul McCartney e Michael Jackson.

E assim, entrando lentamente e se apoioando em uma bengala, Phil sentou em uma cadeira no meio do palco e imediatamente presenteou o público com a balada “Against All Odds”, onde já era possível observar o Allianz Parque cantando em uníssono e com os celulares iluminando todo o estádio. Talvez tenha iniciado com essa canção para simbolizar tudo o que passou e superou nos últimos anos, o que torna tudo ainda melhor. Em seguida, outro clássico: “Another Day in Paradise”, um dos maiores sucessos do cantor, emocionando os presentes.

Esse foi basicamente, o retrato da noite: clássico atrás de clássico de sua consagrada carreira, como “Hang in Long Enough”, “Something Happened on the Way to Heaven” e “Who Said I Would”. Esta última, por sinal, foi a única mudança em relação ao repertório do show do dia 24, que contou com “Only You and I Know” no lugar.

O cantor também incluiu três músicas do Genesis, banda que o consagrou como cantor e também como baterista, no repertório: “Throwing It All Away”, “Follow You Follow Me” e, especialmente, “Invisible Touch”, que levou o público à loucura.

Outros destaques ficaram para “Separate Lives” onde fez um dueto com a backing vocal Bridgette Bryant, “Easy Lover”, hit dos anos 80 que gravou com Philip Bailey da banda Earth Wind and Fire e, claro, o hino “In the Air Tonight” onde embora o músico não consiga mais assumir a bateria no meio da música, conforme era costume, foi muito bem representado por seu filho Nicholas Collins, de apenas 18 anos, que não deixou a desejar. Certamente o ponto alto da noite.

O show foi encerrado com “Sussudio”, onde o palco parecia uma verdadeira festa e o público inteiro dançava, além da belíssima “Take Me Home” no bis, que por si só foi uma surpresa, já que Phil demonstrou bastante dificuldade para andar e sair de cena, quanto mais retornar. Tudo repleto de efeitos e grandiosidade, culminando em uma queima de fogos. O final perfeito para um ótimo show.

Dos clássicos, ficaram de fora “One More Night” e “You’ll Be In My Heart”, trilha sonora da animação da Disney, Tarzan, lançada em 1999 e que rendeu o Oscar de Melhor Canção Original ao cantor.

A performance de Phil foi melhor do que o esperado, dadas as circunstâncias. Embora não alcance os mesmos tons altos em algumas músicas como “Sussudio” e o final de “In the Air Tonight”, sua afinação e carisma ainda prevalecem, mesmo sentado durante todo o show. Já a banda estava entrosada como sempre, em decorrência de sua fidelidade para com os músicos do mais alto calibre que o acompanham há décadas, como o baixista Leland Sklar, um dos maiores músicos de estúdio de todos os tempos, participando da gravação de mais de 2.000 álbuns, o guitarrista Daryl Stuermer, que também acompanha as turnês do Genesis e os grandes backing vocals, Arnold McCuller, Amy Keys e a já mencionada Bridgette Bryant, para citar alguns.

A produção de palco e a qualidade do som também estavam impecáveis, demonstrando muita competência e esforço de toda a produção, colaborando com a magnitude do espetáculo e não comprometendo a performance em momento algum.

Foi certamente uma noite inesquecível para o público paulistano, onde era possível observar desde pessoas mais velhas que seguiram toda a sua carreira até as mais jovens, muitas vezes acompanhadas de suas famílias. Agora nos resta aguardar o lançamento de um novo álbum e, quem sabe, mais uma turnê.

Bem vindo de volta e, principalmente, bem vindo ao Brasil, Mr. Collins!

 

Resenha: Gabriel Lambert Yamin

Foto: Divulgação/Internet

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