Quando as Luzes se Apagam explora o medo do escuro

dianalightsHá muito tempo deixei o fanatismo por filmes de terror de lado, principalmente os hollywoodianos. Ainda que com boas películas no meio do caminho como Invocação do Mal (2013) e A Entidade (2012), me ative mais aos do mercado oriental, mas nem tanto assim.

Eis que em 2016 chega aos cinemas Quando as Luzes se Apagam e confesso que fui assistir com certo temor. Não temor do filme em si, mas de ser mais um filme que não tem nada de mais e cheio de clichés que já foram explorados à exaustão.

E sim, é assim que funciona: uma criança, problemas envolvendo a família e uma entidade sobrenatural. Mas até aí, tudo ok. Mas o maior cliché e ao mesmo tempo o maior trunfo de Quando as Luzes se Apagam está no escuro. É lá que as coisas acontecem. E entendam escuro como não necessariamente sendo à noite.

Diana aparece sempre onde a luz não bate (sem piadas), de dia mesmo, perseguindo todos a torto e à direita a hora que for. Mas sua história é mal contada e como Rebecca e seu namorado descobrem tudo é pior ainda, o que deixa uma lacuna, mas também algo no ar de que isso possa ser explorado em uma continuação.

O longa é direto e reto, sem aquele suspense costumeiro em que você fica na iminência de se assustar. Já nos primeiros minutos é possível reagir ao aparecimento de Diana, uma amiga de longa data de Sophie (Maria Bello) e que volta para aterrorizar o segundo filho dela, Martin (Gabriel Bateman).

A força oculta já tinha feito tal trabalho com Rebecca (Teresa Palmer) anos antes, mas agora a parada é um tanto mais grave. Explico: Sophie, a mãe, sofre com a perda recente do marido e é constantemente atormentada por Diana, que parece querer a amiga só pra ela.

Talvez essa rapidez e as lacunas não explicadas sejam simplesmente porque este é a primeira experiência de David F. Sandberg como diretor de um longa-metragem e talvez, na ânsia de fazer algo diferente dos últimos anos, ele tenha tentado dessa forma.

Mas o dedinho de James Wan como produtor poderia ter dado um rumo mais decente ao filme. Vale lembrar que ele foi a cabeça pensante por trás do já citado Invocação do Mal e suas continuações – inclusive estará em The Nun (2017), mais uma sequência originária da primeira história do casal Warren; além de Jogos Mortais.

Quando as Luzes se Apagam se não é um filme ruim e explora de uma maneira bacana o escuro não sendo um filme dark, mas também está longe de ser um filme ótimo e que nos faz ter esperanças de um futuro bom do gênero em Hollywood.

Vale dizer que Quando as Luzes se Apagam foi inspirado no curta Lights Out (mesmo nome em inglês) lá de 2013 e também dirigido por Sandberg, que com menos de 3 minutos faz valer mais do que a hora e meia do longa. Bom, se você não assistiu é só dar o play aí.

 

Foto: Divulgação/Internet

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