Resenha: Bon Jovi faz show grandioso no São Paulo Trip

37416533625_aed10768e0_zA segunda noite do São Paulo Trip começou com o duo americano/britânico do The Kills, que levou ao público seu rock garage/indie em uma apresentação de muita qualidade. Alison Mosshart em um visual despojado e seu parceiro Jamie Hince uniram suas guitarras em belíssimos riffs em canções pouco (ou nada) conhecidas do público.

O The Kills faz um show linear, não tem hits radiofônicos ou grandes surpresas, mas é uma apresentação que vale muito ser vista, é coesa, forte e a ferocidade em palco de Mosshart é gostosa de assistir. Mas nem isso conquistou o público, que apesar de receptivo, não se mostrou muito empolgado, já que ansiava pela atração principal.

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O show do Bon Jovi no Rock in Rio agradou, mas deixou a sensação de que algo estava faltando. Os fãs de São Paulo esperavam ainda mais do grande ídolo Jon e também de seus companheiros, e não foram decepcionados em nada nas 2h30 em que o grupo de New Jersey comandou o palco.

Começando com “This House is not for Sale”, faixa título da tour e do último álbum da banda, o setlist se manteve muito próximo das últimas apresentações na América do Sul, mas com algumas surpresas como “(You Want to) Make a Memory” e “Always” (tão esperada pelo público do Rio, mas que saiu do setlist no último momento).

Do último álbum 3 faixas foram executadas, e bem recebidas pelo público, mas como Jon sabe, são os grandes hits que comandam a noite e movem os fãs, como “You Give Love a Bad Name”, “In These Arms”, “It’s my Life”, “Wanted Dead or Alive” dentre tantos outros.

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Em “Bed of Roses”, o momento em que todas as mulheres sonham e desejam, a garota que sobe ao palco desta vez não ganha apenas o tão sonhado selinho de Jon, mas dança abraçada com ele ao longo de toda canção, ganhando olhares, cafunés e deixando 80% do público presente com muito ciúmes (inclusive esta que vos escreve).

Em “Someday I’ll be Saturday Night” um dos momentos mais emocionantes da noite, Jon lembra a última apresentação em São Paulo, em 2013, “Foram dias difíceis, Tico estava doente, Richie estava ausente, mas vocês estavam lá com seu amor, como estão aqui hoje, e eu sinto o seu amor.”.

Ao apresentar os integrantes, Jon demostra sua admiração pelos companheiros de longa e ao apresentar Phil X, guitarrista que substituiu Richie Sambora, diz que ele vai ficar para sempre. Phil se mostra a vontade e seguro não só com a banda, mas também com os fãs, que o aplaudia a cada solo.

Para o bis, “Always” já aqui mencionada, foi a surpresa da noite, e em agradecimento, o público se fez muito presente em cada frase e refrão. A participação dos fãs fez se ainda mais bela em “Living on a Prayer”, ecoando alto e claro uma das maiores canções do grupo em todo Allianz Parque em meio a luzes de celulares.

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Após os agradecimentos eles finalizam o set com “These Days” e parecem não querer deixar o palco, para alegria daqueles que gostariam que o show durasse a noite toda.

Mesmo o fã mais fervoroso do Bon Jovi, irá concordar que Jon já não canta como antes. As frases muitas vezes cortadas, os backing vocals muito mais presentes, os agudos não tão alcançados, ritmos as vezes mais lentos, mas nada disso impede que eles façam um grande show.

A entrega aos fãs, por mais ensaiada que possa ser, soa natural, e muitas vezes é muito mais humana do que mecânica como manda o cronograma. Jon se delicia ao fazer caras e bocas, mandar beijinhos e sensualizar com as fãs, e sabemos que além de boas canções é isso que elas querem. O carisma é real, não só de Jon, Tico e David são puro sorrisos e a leveza de estarem fazendo algo que ainda os satisfaz.

O Bon Jovi tem mais de 30 anos de carreira, entre altos e baixos, estão num bom momento, anos após a saída de Richie, eles parecem terem se encontrado novamente em palco. O show do São Paulo Trip foi grandioso e entregou aos fãs os que eles queriam, grandes canções e entretenimento. Jon esteve lá para isso e prometeu voltar.

Texto: Ursula Silva

Fotos: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

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