Resenha: Guns N’ Roses encerra o São Paulo Trip

23490177018_4bc9eae7e3_zSe alguém pensou que show marcado em plena terça-feira fosse capaz comprometer de alguma forma o público rockeiro paulistano, não poderia estar mais enganado. E foi assim que o festival São Paulo Trip encerrou suas atividades no dia 26, com um Allianz Parque lotado e com público empolgado do início ao fim.

O evento teve início com Tyler Bryant & The Shakedown, mas o Rock Noize foi conferir as apresentações da lenda Alice Cooper e de uma das maiores e mais influentes bandas de Hard Rock de todos os tempos, Guns N’ Roses, em mais uma turnê com o guitarrista Slash e o baixista Duff McKagan, desde que retornaram à formação após 20 anos.

Cooper subiu ao palco com o estádio ainda enchendo devido ao horário (cerca de 18:30h) e iniciou seu repertório com a pesadíssima “Brutal Planet”, do seu álbum homônimo lançado em 2000, mas não demorou pra emendar o clássico “No More Mr. Nice Guy”, empolgando todos os presentes.

O show em si envolveu muitos efeitos especiais, pirotecnia, participação de uma bailarina e momentos performáticos do cantor (inclusive com simulação de guilhotina, onde teve sua cabeça “cortada”) e de sua banda que, vale ressaltar, possui músicos de grande calibre e presença de palco, com destaque para a guitarrista Nita Strauss, também conhecida pela participação na banda “The Iron Maidens”, cover completamente feminino da famosa banda de heavy metal.

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Além das músicas já mencionadas, Cooper apresentou clássicos como “Billion Dollar Babies”, “Poison“(talvez sua música mais famosa), “Feed My Frankenstein” (que foi trilha sonora da comédia “Quanto Mais Idiota Melhor”), I’m Eighteen, dentre outras, mas também deu espaço ao seu mais novo single “Paranoiac Personality”, de seu mais novo álbum, “Paranormal”, lançado em julho deste ano.

Para finalizar com chave de ouro, tocou o hit “School’s Out”, com direito a mais pirotecnia e bolas coloridas de borracha arremessadas ao público, que demonstrou admiração pelo cantor, veterano do mundo do rock e que em nenhum momento demonstrou o peso da idade.

O Guns entrou no palco por volta das 21h, com apenas um pequeno atraso, bem diferente do que era esperado de Axl Rose há poucos anos. Aliás, houve muita polêmica em relação à sua voz na atuação do Rock In Rio, que aconteceu no último fim de semana. Essa polêmica, na verdade, já dura alguns anos, mas foi acentuada depois de suas boas performances na turnê com o AC/DC, onde parecia ter recuperado a plenitude de seu famoso “drive” (para quem não sabe, a técnica vocal que possibilita a característica voz rasgada que muitos vocalistas de rock utilizam).

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Seja como for, para eliminar de vez o “elefante na sala”, deve ser dito que Axl teve uma apresentação muito melhor que a do Rock in Rio, embora ainda inconstante, com ótimo desempenho na maior parte das músicas, mas falhando em outras. Independente destes problemas, não há o que reclamar no quesito comprometimento, pois o vocalista de 55 anos se demonstrou bastante empolgado durante todo o set-list, correndo, interagindo com o público e fazendo suas famosas danças.

A banda em si esteve impecável, com grande entrosamento entre os músicos, demonstrado principalmente nos momentos de improviso. Slash, como de costume, deu um show a parte, com seus solos cheios de feeling e seu enorme carisma no palco. Duff deixou claro mais uma vez que é um grande baixista, com seu timbre inconfundível no instrumento, além de exibir seu lado vocalista em determinado momento do show.

Da mesma forma, os demais membros da banda se mostraram precisos, com o já veterano Dizzy Reed (que integra o Guns desde os anos 90 – teclados e piano), Frank Ferrer (bateria), Melissa Reese (teclados e sintetizadores) e o excelente guitarrista Richard Fortus, que além da base, dividia os solos com Slash.

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Conforme prometido, o show durou cerca de três horas e teve início com uma sequência fulminante que contou com “It’s So Easy”, “Mr. Brownstone”, “Chinese Democracy” e o clássico “Welcome To The Jungle”. Durante o resto do set-list, foram tocadas músicas que abrangeram toda a a carreira da banda, desde o álbum “Appetite for Destruction”, passando por “Lies”, “Use Your Illusion” I e II, além de cover encontrado no “The Spaghetti Incident” e músicas do mais recente “Chinese Democracy”.

O que surprendeu foi a quantidade de covers, pois além dos já tradicionais “Live and Let Die” (Wings) e Knockin’On Heavens Door (Bob Dylan), muitos outros foram executados, como exemplos, “Wichita Lineman” (Glen Campbell), “The Seeker” (The Who) e “Black Hole Sun” (Soundgarden), homenagem à Chris Cornell, que faleceu há poucos meses.

Por sua vez, o público manifestou bastante entusiasmado do início ao fim, cantando diversas músicas em uníssono, principalmente os hits “November Rain”, “Sweet Child O’Mine”, “Patience” e “Paradise City”, que encerrou não só o show, mas também o festival São Paulo Trip a mil por hora. Agora é aguardar um possível retorno da banda e, se possível, na turnê de um novo álbum, afinal de contas, não custa nada sonhar.

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Texto: Gabriel Yamin

Fotos: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

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